segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Treino e Vontade, Coesão e Disposição

Dentre as milhões de facetas que podemos definir o futebol, as características citadas, com certeza, estão entre as mais comuns em equipes campeãs. E de forma conjunta, para ser campeão, é necessário não dar brecha alguma, para os adversário e para as próprias falhas. Filipe Luiz sabe disso, sua equipe também.

Depois de uma semana de treinos, o Flamengo retornava ao gramado do Maracanã para decidir a Taça Guanabara. Uma taça que não possui o mesmo prestigio de outros tempo. "Pré-temporada" como afirmou nosso técnico, mas nesse sábado, só havia ela a ser vencida, só havia o Maricá a ser batido. Para realizar essa tarefa, não há duvidas que os jogadores escalados são competentes, mesmo com algumas peças indisponíveis, mesmo com mais uma substituição no primeiro tempo.

Mas é necessário disposição, sem esquecer aquilo que foi treinado e os dois primeiros gols do Flamengo elucidam muito bem essa combinação. Quando Arrascaeta se encarrega da cobrança de escanteio aos 16 minutos, Danilo faz o mesmo bloqueio que o favoreceu na partida anterior. Dessa vez a jogada foi desenhada para Plata que escolhe finalizar, escolhe porque pode, a jogada foi desenhada dando essa opção porque mais recuado tinha Gerson, que recolheu o eventual rebote para abrir o placar.

Aos 25 minutos, uma jogada menos complexa, mas que vale a mesma pontuação. A cobrança no primeiro poste sempre foi um dos escanteios mais perigosos do futebol, mas pelo tipo de batida, seu sucesso não é tão comum. A batida não encontrou a movimentação, mas a defesa do Maricá não conseguiu aliviar o perigo. Com a bola viva em uma zona tão perigosa, não tem ensaio ou tática a ser desenhada, apenas a voracidade e concentração para ser mais rápido que o adversário.

O dois a zero estava consolidado no placar. Como esperado, sem dificuldades, mas também como esperado, um Flamengo jogando com a seriedades que a camisa pede, independente da competição, independente do adversário. Um Flamengo que mostrou isso desde o jogo contra o Volta Redonda, mesmo sabendo que a taça Guanabara é o campeonato menos importante do ano, não nos resta nada diferente de competir e, eventualmente, se sagrar campeão.

O segundo tempo trouxe as novidades que não podemos prever, quem entrou, quem fez o gol, como o gol foi feito e essas coisas. O fácil de prever era a forma de jogar, que foi repetida nesses últimos oito jogos. Um Flamengo que continua jogando a Flamengo, mesmo na frente, mesmo se sagrando campeão. Um jeito que é ensinado desde a base, do jeito que Wallace Yan e Matheus Gonçalves sabem muito bem.

Desde que Filipe Luiz retornou dos Estados Unidos, o único gol sofrido foi em uma SuperCopa já definida por três gols de vantagem e conquistando vitórias com muitos argumentos diferentes e de qualidade.
E vamos por mais.
SRN

Sem tempo para respirar, jogando o quarto jogo em onze dias, Flamengo reencontra o Botafogo, adversário da SuperCopa no segundo dia do mês. Filipe Luiz já avisou que não vai estourar nenhum jogador no Carioca, para ele, a equipe ainda está em pré-temporada. Então, apenas dois jogadores estavam escalados para fazer jogos seguidos, Wesley e Léo Ortiz. Varela também foi destaque na escalação, improvisado na lateral esquerda.

A bola rola e a primeira posse é rubro-negra. A primeira construção é tentada pela esquerda, a jogada não acontece, mas o perde e pressiona funciona, recuperamos a bola e a posse é reciclada. Aí Danilo decide acelerar a virada para Wesley. Com espaço, nosso prodígio acelera pelo passe . Arrascaeta ganha a dividida e Luiz Araújo coloca Juninho em condições de realizar a primeira finalização do jogo.

Aos 13 minutos, a primeira noticia ruim, Juninho sente um incomodo e Bruno Henrique é selecionado para ser o terceiro jogador com alta minutagem em dois jogos seguidos. O plano de jogo inicial, com bola, foi ligeiramente alterado, mas nosso bloco alto teve sucesso tanto com Juninho tanto com Bruno Henrique. Com De la Cruz e De Arrascaeta em campo, é nítida a melhora dos passes rasteiros em relação ao clássico com o Fluminense, ainda assim, o Flamengo não abriu mão de utilizar bolas longas para acelerar as jogadas.

Apesar do controle da bola e do campo de ataque, nosso rival conseguiu defender bem a área e mais uma vez o jogo físico foi se apresentando como uma dificuldade para a progressão de nossas jogadas. O primeiro tempo não terminaria sem antes da primeira intervenção de Matheus Cunha depois de uma linda batida de Alex Telles.

Ambos os times retornam para o segundo tempo sem alterações de jogadores, mas a finalização no final do primeiro tempo trouxe a confiança que nosso rival precisava e como futebol é um jogo de cobertor curto, o sucesso nas saídas por baixo ajudou nas bolas longas. Botafogo encontrou seu melhor momento no jogo, mesmo que ainda não conseguisse pressionar nossa saída de bola.

O jogo tava igual, até uma sequencia de bolas paradas para o Flamengo que começou aos 7 minutos do segundo tempo. A primeira teve Léo Ortiz como alvo no primeiro poste. A segunda, também no primeiro poste, foi facilmente tirada e no rebote, Nico sofre a falta, tava na hora da terceira tentativa. Dessa vez o alvo foi Danilo no segundo poste, que contou com ajuda de Varela e BH para cabecear sozinho. Do outro lado, nosso camisa dez da zaga só completou. Como uma orquestra, uma virada perfeita, muito ensaiada.

Aos 27 minutos, nosso adversário já havia realizado todas as cinco substituições e logo na primeira jogada, o maior susto ao nosso gol. Pulgar tem seu passe interceptado, na transição defensiva perdemos o campo, mas o chileno recupera a bola e entrega para Léo Ortiz que bobeia e tem seu passe bloqueado pelo Savarino caído. Cuiabano, que havia interceptado a bola lá do outro lado acha Igor Jesus que consegue vencer Matheus Cunha, mas não consegue vencer Varela que salva em cima da linha. Mais substituições acontecem e Matheus Cunha ainda seria exigido mais uma vez antes do final do jogo e de todas as cenas lamentáveis que aconteceram depois do último soar do apito.

O jogo físico vem sendo uma pedra no sapato desse elenco, é um problema anterior a Filipe Luis, mesmo ele sendo o responsável por buscar soluções atualmente. Ainda assim, o Flamengo chega ao sétimo jogo invicto, passando por uma SuperCopa e três clássicos.
E vamos por mais.
SRN

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Jogo Truncado é Pedra no Caminho Rubro-Negro.

Clássicos são sempre complicados, as emoções se fazem ainda mais presentes. Na tarde desse sábado o Flamengo enfrentou a equipe que tem a honra de aparecer no nosso hino. Ainda que exista um clima remanesceste de pré-temporada, os jogos já valem três pontos e os pontos disputados nesse sábado carregavam um tempero especial. Por isso Filipe Luis envia uma equipe bem próxima da forma máxima que esse elenco pode ter, mas com ausências pontuais de Arrascaeta e Nico De la Cruz.

O jogo mal havia começado quando Alex Sandro sentiu um incomodo e precisou ser substituído por Ayrton Lucas, dando mais uma baixa ao esquadrão rubro-negro. Sem amostragem de jogo o suficiente, não podemos dizer que a alteração fez o Flamengo priorizar a construção de jogadas pela esquerda ou se esse já era o plano inicial. Por esse mesmo flanco nossa equipe apresentou seu cartão de visitas. Depois de ganhar divididas, a bola sobrou para Plata que driblou longo e perdeu para a cobertura e aos 20 minutos, Pulgar lança Michael em amplitude para a jogada que terminou depois de uma boa carregada de Ayrton Lucas.

Essas duas jogadas possuíram dois aspectos que se repetiram muito nesse jogo. Primeiro o jogo muito físico em decorrência do estilo de jogo do adversário e também pelos ânimos exaltados do clássico. Já o padrão utilizado na segunda jogada foi a bola longa no jogador em amplitude. Essa jogada, mais técnico-tática, mais Flamengo, ocorreu mais nesse jogo devido, principalmente, pela ausência dos nossos dois principais armadores, os dois uruguaios.

Apesar desse padrão rubro-negro ser uma jogada extremamente progressiva, o fator físico foi muito mais presente nesse jogo. Ainda que o Flamengo controlasse a posse de bola e o campo de ataque, nosso rival teve mais sucesso ao impor o jogo truncado, fazendo que nenhum goleiro participasse na sua principal função, defendendo chutes no gol.

Os minutos foram correndo, o sol foi baixando, as mudanças de posição e as movimentações do nosso time não estavam sendo o suficiente para colocar o Fábio para trabalhar e aos 16 minutos do segundo tempo Filipe Luis resolve fazer mudanças mais incisivas. Luiz Araújo e Juninho entram no lugar de Michael e Gonzalo Plata. Além das pernas frescas, a opção por um centroavante mais de área passa a exigir menos compensações para as pernas cansadas que ficaram.

Aos 35 minutos a primeira defesa de um goleiro no jogo. Insistindo na esquerda Gerson e Ayrton Lucas conseguem colocar o Bruno Henrique na área, o drible não tem sucesso, mas o desarme também não. A bola sobrou para Luiz Araújo chutar rasteiro. O resultado acabou sendo só um escanteio. Aos 44 minutos também ganhamos um escanteio depois que Ayrton Lucas, também pela esquerda, achou Cebolinha na área.

A reta final de jogo até deu a impressão que nosso banco poderia buscar o gol da vitória, mas os três pontos não veio e a sequencia de vitórias também é interrompida.
E vamos por mais.
SRN

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Cruzamentos, Intensidade e a Quinta Vitória Seguida

É muito difícil falar de time alternativo com time que eu entro no campo hoje. É um time que pode bater de igual para igual com o time que jogou na final. Essas palavras são de Filipe Luiz, mas talvez só exista verdade nessa afirmação porque esses onze foram comandados pelo nosso ex-lateral. 

O começo do jogo também trouxe ideias que nosso Filipinho disse na coletiva depois do jogo, propor e impor. Flamengo começou propondo, controlando a posse e avançava pelo campo defensivo sem muitos combates. Nó propusemos e a Portuguesa aceitou. Aceitou porque também era da proposta deles abrir mão da marcação alta para se defender bem e contra-atacar. 

Nessa negociação, os 30 primeiros minutos do jogo favoreceram o ferrolho do nosso adversário e assim impôs intervenções cruciais ao nosso goleiro Matheus Cunha. Na trocação, a linha de cinco deles estava sendo bem mais efetiva contra nossa transição ofensiva, mas tem uma jogada que o nosso ataque poderia fazer que é perfeita para esse cenário, e talvez só para esse cenário, o cruzamento. Dessa forma, que aos 17 minutos, Juninho realizou a primeira finalização rubro-negra.

Até que aos 37 minutos de jogo Luiz Araújo busca, novamente, Juninho. A defesa briga e a bola sobra para Giorgian de Arrascaeta que obriga o goleiro adversário a realizar a defesa do jogo, mas a intensidade de Juninho faz ele estar um passo a frente dos adversários, quando Douglas entendeu a jogada, já era tarde demais. O placar foi aberto e a proposta inicial da Portuguesa não era mais tão vantajosa.

Ainda assim, essa estratégia se manteve para o segundo tempo, talvez o objetivo seria segurar a desvantagem mínima para se abrir no final do jogo. "Talvezes", né!? Porque logo aos 10 minutos do segundo tempo Allan recebe o passe de Luiz Araújo e acha Ayrton Lucas no segundo poste. No momento da cabeçada, LA7 ainda estava fora da grande área, mas isso não o impediu de buscar o rebote a ampliar a vantagem rubro-negra. Mais um gol originado pelo cruzamento, mais um gol que recompensa a concentração e a intensidade.

Antes mesmo de saber se haveria alguma alteração na estratégia do adversário, Arrascaeta acha Daniel Sales que sofre a falta dentro da área e a cavada do nosso camisa 10 decretaria a vitória, mas não o fechamento do placar. Ainda houve tempo para mais uma última magia do nosso uruguaio preferido achando Matheus Gonçalves. Wallace Yan fechou o placar reforçando a estrela que tem.

Mais uma vitória consistente do Flamengo, são cinco seguidas, quatro no Carioca e quatro no comando do Filipe Luis.
E vamos por mais.
SRN

Supercopa para coroar o Rei

Em época de Campeonato Carioca e tour pelo nordeste, não seria estranho ter um clássico na terra do tacacá, mas o jogo desse domingo trazia um prato que vem marinando desde o ano passado. A Supercopa coloca frente a frente o campeão do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, esse ano, o primeiro Campeão do Brasil seria Flamengo ou Botafogo.

Antes mesmo da bola rolar, a chuva já demostrava que seria um personagem do domingo. O bom sistema de drenagem do estádio Mangueirão permitiu não só que o jogo se iniciasse, mas também que o cruzamento rasteiro de Wesley não encontrasse ninguém na área. A chuva continuou caindo e o Flamengo continuou em cima, o gramado foi piorando e Bruno Henrique foi crescendo. Já notando o correr devagar da bola e o salto atrasado de Barboza, o tapa longo não iria ser tão longo assim. Pior para o jovem zagueiro Halter que tentou cobrir seu companheiro mas leu mal a jogada. Pênalti sofrido, pênalti cobrado. Bruno Henrique colocava o Flamengo na frente do placar.

A chuva obriga o jogo a ser parado, mas depois do retorno, Nico De la Cruz cobra a falta e John defende. Uma ótima oportunidade para nosso rival começar uma construção por baixo, mas nossa marcação alta obriga nosso adversário a se desfazer da bola. Diferente da marcação alta deles. Quando pressionado, Rossi sabe seu alvo e antes mesmo de Plata ganhar a casquinha, Michael já atacava a profundidade. Já conseguindo estabelecer o ataque rápido, Bruno Henrique é acionado para decidir como finalizar a jogada. E o Rei dos Clássicos decide, ele finaliza de primeira, um chutaço, um golaço! 

Mesmo com o conforto do placar, Flamengo seguiu ocupando o campo de ataque e dando trabalho ao goleiro adversário. Foram raros os momentos que nossa marcação alta foi vencida, e mesmo assim, nossa equipe conseguia correr para trás bem e recuperar a compactação coletiva.

O primeiro tempo se encerrou, decretando um verdadeiro domínio rubro-negro e o segundo tempo começo do mesmo jeito. Logo aos três minutos Michael consegue uma interceptação e inicia um contra-ataque. O passe para o Plata entra, mas a finalização é defendida. A ideia era continuar dominante, mas o placar condiciona e o volume de grandes chances não é mais igual ao do primeiro tempo. Nem a entrada do Arrascaeta fez o Flamengo finalizar dentro do alvo.

Faltando 10 minutos para acabar o tempo regulamentar, já havia a sensação que nada tiraria esse titulo do Flamengo. Ainda assim, Filipe Luis aciona Juninho e Luiz Araújo para entrar no lugar de Michael e Bruno Henrique. Pernas frescas, para marcar, para driblar e para chutar. E assim foi com Luiz Araújo, um jogador que corre, que tenta, independente do placar e por isso foi dele a nosso primeira finalização no gol depois de 34 minutos. Novamente John pede para seu time iniciar a construção por baixo, mas o domínio longo de Halter da uma nova chance para Luiz Araújo. Dessa vez, já dentro da área, ele conduz a bola de uma forma que obriga o goleiro a sair caindo. O toque refinado encontra a rede e a comemoração dava certeza que título pertencia a Gávea. Nem mesmo o gol de Patrick de Paula mudou isso.

O apito final veio apenas para confirmar o que já era evidente. O Flamengo, senhor do jogo desde os primeiros minutos, conquistava mais um título com autoridade e controle.

E vamos por mais.
SRN