segunda-feira, 28 de julho de 2025

Final de semana já estava quase acabando, mas para alguns, a principal parte dele estava prestes a começar. Oito e meia da noite, no Maracanã, O Flamengo tinha um encontro marcado com um grande nacional. Mais do que isso, encontrou uma oportunidade de retomar a liderança do campeonato. Allan retornava ao time titular se juntando com Viña, que iniciava seu primeiro jogo depois de aproximadamente um ano inapto. O trio de ataque foi a mesmo, mas somente com a bola rolando saberíamos aonde cada um jogaria.

Sem nem mesmo dar tempo de estudar o jogo, o Flamengo foi para cima. Jorginho para Bruno Henrique e Léo Pereira para Pedro mostraram que o Flamengo não teria cerimonia pra explorar a construção direta, a bola longa e essa duas jogadas geraram perigos consideráveis para o goleiro adversário antes mesmo de se completar cinco minutos de jogo. Mas foi aos 5 minutos de jogo que o primeiro goleiro foi superado. Explorando o contra-ataque, nosso adversário também se utilizou da bola longa, mas sem sucesso. A jogada tinha Varela e Viña na frente de Rony, mas a falta de ritmo de jogo do canhoto complicou o que estava fácil. Rony conseguiu ganhar a dividida com Rossi e finalizar para o gol sem goleiro. Não havia goleiro, mas havia Varela. O compatriota do canhoto não só mostrou a raça necessária para jogar no Flamengo, mas mostrou também a concentração e benevolência para se conquistar títulos, cobrindo as falhas de seus companheiros.

A sequencia de lances não conseguiram alterar o placar, mas alteraram a forma de ambas as equipes jogarem. O Atlético reforçou a proteção a linha defensiva, enquanto o Flamengo elevou a cautela em suas construções para não ceder mais contra-ataques. Essa combinação fez o Flamengo ter um primeiro tempo de bastante controle de posse de bola, mas enfrentando um time bem fechado, as oportunidades foram ficando escassas. Somente quando Jorginho, aos 25 minutos, voltou a utilizar a bola longa, o domínio de Plata obrigou o zagueiro a tomar uma decisão ruim, fazer a falta ou deixar caminhar livre. A escolha pela falta foi milimétricamente a favor do menos pior para a equipe mineira e o Flamengo teve seu pênalti anulado.

Para o segundo tempo, ambas as equipes voltaram com uma alteração, ambas envolvendo o meio-campo, mas ambas sendo insuficientes para mudar o panorama do jogo. Flamengo continuava exercendo um jogo de controle, enquanto nosso adversário priorizava se defender bem. Aos 15 minutos, Filipe Luis resolve renovar o fôlego dos jogadores de ataque e Arrascaeta e Plata dão a vez para Luiz Araújo e Wallace Yan, ambos jogadores com alta participação em gol.

Aos 29 minutos do segundo tempo, com o placar zerado, estávamos preste a entrar naquela momento em que a emoção e a vontade começam a superar a concentração e disciplina tática. Quando o tempo do relógio começa a ficar regressivo e cada minuto passado é um minuto desperdiçado na ânsia por abrir o placar. Mas o pé preciso de Luiz Araújo foi mais importante. Aonde Ortiz começa a joga impedido, buscando não ser notado, quando Pereira busca se desvencilhar para fazer uma corrida livre, ao mesmo tempo que Pedro briga por espaço com o seu defensor designado. A cobrança só precisa encontrar um jogador para ser convertida em gol, mas o segundo poste possuía três ótimos alvos. Léo Ortiz, como alvo central se encontrou livre e não perdoou.

O gol tardio sempre traz uma sensação de gol da vitória, mas com nosso adversário se abriu e buscou o empate. Teve alguns lances ligeiramente perigosos, mas não conseguiu o abafa final e o placar se manteve inalterado.

A melhor defesa e o melhor ataque do campeonato retornam ao topo da tabela. Agora, possuindo um jogo a menos, a liderança se torna ainda mais segura.

E vamos por mais,
SRN

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Jejum e Dificuldades, a Epopeia Rubro-negra em Bragança Paulista

 Mais do que uma vitória, no frio de Bragança Paulista, o Flamengo precisava jogar bem. O time parceiro da bebida energética vestiu a carapuça e começou o campeonato com uma sequencia forte, que os deixava na terceira posição. Na pratica, era um confronto direto, era um confronto difícil e os oito desfalques deram particularidades especiais para esse encontro. Pedro e Evertton Araujo foram promovidos aos onze iniciais e encontraram rostos que figuram essa seleção com mais frequência. 

O jogo começou quente e aos 4 minutos do jogo, o Red Bull Bragantino já havia feito duas finalizações. Mesmo que nenhuma tenha exigido intervenção de Rossi, era um sinal não muito positivo. Mas a surpresa da noite não foi o começo enérgico do time da casa, ou mesmo a escalação de Filipe Luiz, mas a inversão de posicionamento de Bruno Henrique e De Arrascaeta. Inversão de posicionamento e não de função. Jogar aberto exigiria mais esforço físico do nosso uruguaio, mas Bruno Henrique centralizado foi vital para o plano de jogo rubro-negro. Somando suas valências com as de Pedro, nossa dupla de ataque combinava força, velocidade, técnica, inteligência e uma infinidade de jogadas, tornando  nossa bola longa muito efetiva e perigosa. Mesmo que a equipe de Bragança tentasse subir a marcação, Rossi e nossos zagueiros estavam prontos para explorar o cobertor curto adversário e essa combinação nos deu o controle da posse de bola.

Mas só controle da posse de bola não ganha jogo. Para fazer a defesa adversária sofrer, explorávamos as laterais do campo, mas um primeiro tempo pouco inspirado de Arrascaeta e Wesley não deixaram o Flamengo antecipar nossa alegria. Já na outra baliza, aos 41 minutos, Rossi cumpriu o principal oficio do arqueiro e colocou mais uma defesaça em seu currículo.

No início do segundo tempo, a pior noticia do jogo. Uma jogada muito bem desenhada e ensaiada causou uma confusão em nossa linha defensiva e Lucas Barbosa conseguiu ficar cara a cara com Rossi, mas dessa vez, nosso goleiro nada pode fazer. O placar estava aberto.

Com o reinicio, a inspiração. Não se pode dizer se a melhora rubro-negra aconteceu devido as mudança no vestiário ou pelo gol sofrido, mas o ímpeto para agredir o adversário era visivelmente maior que o primeiro tempo. Logo aos 5 minutos, Bruno Henrique ganha um bola longa e aciona seu parceiro Arrascaeta. Mesmo com outro astral, a inspiração ficou por milímetros e a finalização não encontrou o gol. Já aos 9, Arrascaeta consegue a escorada para Jorginho, mas a finalização tambem não se converte em gol.

Nosso craque Uruguaio poderia estar em uma das suas noites menos inspiradas, mas tentando repetitivamente, uma hora a jogada entra. Aos 20 minutos, uma falta distante, que exige a combinação perfeita de força e precisão encontra a corrida, também perfeita, de Léo Pereira pra empatar. O gol até poderia trazer alegria, mas o que vimos foi foco. Léo Ortiz buscou a bola dentro do gol enquanto toda a equipe flamenguista retornava o mais rápido possível para o reinicio de jogo.

A vitória que esperou 29 anos para chegar viria, mas contando com a ajuda daqueles que não iniciaram o jogo também. Antes mesmo do gol, Filipe Luis já havia acionado Wallace Yan e Viña. No segundo gol, seus talentos foram evidenciados. Aos 39 minutos do segundo tempo, Léo Pereira e Arrascaeta triangulam junto com o lateral esquerdo e Vinã consegue conduzir, dribla e vira o lado. Wallace Yan domina e ganha tempo para a ultrapassagem de Wesley. Por mais que a ideia fosse finalizar, o segundo toque foi longe, mas nosso menino consegue ser rápido e encontra a solução perfeita. Nosso outro menino Wesley, com o pulmão privilegiado, finaliza no cantinho, sem chances para o goleiro Cleiton.

O gol sacramentou o placar e a deu os louros para a grande atuação do Flamengo nessa noite de quarta-feira. Mesmo ainda não sendo lideres do campeonato, ainda dependemos só de nós.

E vamos por mais.
SRN.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Da Preguiça ao Despertar: Um Jogo que Reflete uma Jornada

Se recuperando de uma inesperada derrota, o Flamengo de Filipe Luis retornava ao Maracanã e enfrentava um rival local. A proximidade nas letras do Fla-Flu não refletia o encontro dentro de campo. A diferença geracional entre os professores também apresentava diferenças em estilo de jogo. Nosso craque de 87 apostou em três zagueiros e perseguições longas, nosso craque de 2019 apostou na juventude de Wallace Yan para liderar nosso ataque.

Com o apito inicial, percebemos que ambas as estratégias podem ser competitivas e vitoriosas, mas o encontro delas resultou em um primeiro tempo preguiçoso. Jorginho, aos 7 minutos, chutou para as arquibancadas após um cruzamento desviado de Everton Cebolinha. Aos 41, foi a vez de Cebolinha, mas o disparo também não resultou em defesas. Já tentando infiltrações rasteiras, Luiz Araújo tentou um passe para Wallace Yan e se notou que a juventude teria dificuldades para encontrar os poucos espaços entre os três zagueiros. Rossi foi mais acionado com pé do que com a mão, mesmo realizando a única defesa do primeiro tempo, os maiores sustos vieram da super confiança no seu passe que encontrou janelas curtíssimas e perigosas.

O segundo tempo se inicia sem alterações, nas escalações ou nas formas de jogar. Mas aos 12 minutos de jogo, um lance que não mudou o placar, mas que mudou o jogo. O escanteio cobrado por Luiz Araújo encontrou Léo Ortiz sozinho, na marcação individualizada do nosso rival. Nosso camisa 10 da zaga estava encontrando vantagens no duelo contra o zagueiro Freytes. Novamente, aos 23 minutos, Léo Ortiz consegue a finalização, mas dessa vez sem obrigar Fábio a realizar uma defesa.

Aos 27 minutos, um outro personagem central do jogo foi acionado, o "Bad Boy" Pedro. Um apelido que nunca imaginaríamos colocar no educado "Artilheiro Reverência". Se juntando com Juninho, que havia entrado mais cedo, o ataque rubro-negro ganhou mais maturidade e mais fôlego. E aos 39 minutos a combinação entre os dois deu seu primeiro fruto. O facão do Pedro foi mais rápido que a zaga, para a felicidade do GPS e o passe de Juninho foi milimétrico. A defesa do Fábio não permitiu a redenção de Pedro, mas deu uma nova chance para o ataque rubro-negro.

Novamente Luiz Araújo na cobrança, novamente Léo Ortiz como alvo, mas dessa vez, a cobrança foi direcionada para o primeiro poste. Léo Ortiz consegue ganhar o duelo, mas a cabeçada saiu com um efeito que tirava a bola do gol, um detalhe cruel de quem teve uma grande vantagem em todo o jogo. O toque foi afastando aos pouco a bola do segundo poste, mas lá acontecia um outro duelo. Pedro estava sendo marcado por Renê. Antes da cobrança, ele anda para trás, para reposicionar o antigo banco de Filipe Luis. Quando a cobrança entra, Pedro ataca o espaço e se joga na jogada. Um lance de quem tem leitura, concentração e raça. Um lance de quem não precisa de mais de duas oportunidades para fazer um Gol.

A vantagem mínima conquistou os três pontos para o Flamengo e mesmo que o despertar tenha vindo com 45 minutos de atraso, foi o suficiente para esse pequeno passo nessa maratona que se chama Campeonato Brasileiro.

E vamos por mais,
SRN

sábado, 12 de julho de 2025

Líder antes, líder depois: Flamengo mostra que normalidade é vencer!

Retornamos ao nosso habitat natural. A casa cheia não só celebrava o direito de sonhar, mas incentivava o suor de cada batalha, pois o título de campeão se constrói jogo a jogo. O local, Maracanã. O adversário, São Paulo. Nossa equipe defendia a liderança, o melhor ataque do campeonato e também a melhor defesa.

Apesar do susto na lista de relacionados, os onze iniciais não apresentaram nenhuma surpresa. Diferente do começo de jogo que, aos oito minutos, forçou a entrada de Ayrton Lucas no lugar de Alex Sandro. Sem amostragem suficiente para saber se alguma coisa mudou, pouco importou, porque o Flamengo conseguiu marcar alto e controlar a posse de bola no campo do adversário. Mas o jogo não era perfeito, faltava entrada na área e nosso adversário soube muito bem fechar esse espaço.

Os métodos para furar retrancas também são conhecidos. Arrascaeta tentou de cabeça, Bruno Henrique e Luiz Araújo tentaram de fora da área, mas foi Léo Ortiz que obrigou o goleiro Rafael a realizar sua primeira grande defesa. Os comandados de Filipe Luis seguiram pressionando e seguiram atacando. Nos minutos finais do primeiro tempo, a equipe são-paulina tentou subir a marcação e o Flamengo criou suas melhores chances no jogo. Pela bola longa, Léo Ortiz achou Wesley que, de esquerda, procurou o cantinho, mas assistimos à maior defesa do jogo. Depois, invertendo o lado e criando por baixo, Bruno Henrique acha Plata, mas a finalização frontal passa a milímetros para fora e o primeiro tempo se encerra sem que o placar fosse alterado.

O segundo tempo se iniciou da mesma maneira que o primeiro. Com o Flamengo ocupando o campo de ataque e com uma substituição forçada na nossa lateral esquerda. Filipe Luis optou por Varela, uma vez que Viña ainda não possui nível físico apropriado. Um destro na lateral canhota muda muita coisa, talvez a principal mudança seja o direcionamento das jogadas para a direita.

Aos 15 minutos, isso aconteceu. Varela se sentiu bloqueado para atacar a profundidade na esquerda e direcionando ao pé direito, o passe para Jorginho fica fácil. Plata assume a proatividade da jogada e também com o pé direito, abre no lateral destro. Wesley opta pelo passe de retorno e ataca a profundidade, abrindo a jogada pela direita, mas o canhoto Luiz Araújo confia demais na sua batida de esquerda e, com razão, acha o ângulo para abrir o placar. Somente um golaço desse nível poderia superar a grande atuação que vinha fazendo Rafael, até ali.

A desvantagem no placar abriu nosso adversário. Substituições foram feitas, nossos defensores passaram a enfrentar pulmões frescos e a bola passou a circular mais em nosso campo de ataque. Com apenas uma parada disponível para fazer três substituições, Filipe Luis segura sua ação, mas aos 37 minutos do segundo tempo ele aciona Cebolinha De la Cruz e o iluminado Wallace Yan.

O placar magro faz crescer a tensão, qualquer erro poderia ser fatal e tirar dois pontos da nossa conquista. O problema, para eles, é que temos um jogador que não liga para momentos de tensão. Luiz Araujo tentou emplacar seu segundo, mas Rafael não consegue fazer a defesa completa e nosso menino faz o que faz de melhor. Sortudo só fala aquele que não viu Wallace Yan acompanhando a jogada e reagindo primeiro que todo mundo. O chute estufa as redes e sacramenta a vitória rubro-negra.

Mesmo não sendo um retorno perfeito, Flamengo cumpre seus deveres com louvor e acrescenta mais uma vitória sem levar gols em seu currículo. Em solo latino-americano, chegamos a nove jogos invictos e dentro de campo, provamos que ainda somos a melhor equipe do Brasil.

E vamos por mais.
SRN