Retornamos ao nosso habitat natural. A casa cheia não só celebrava o direito de sonhar, mas incentivava o suor de cada batalha, pois o título de campeão se constrói jogo a jogo. O local, Maracanã. O adversário, São Paulo. Nossa equipe defendia a liderança, o melhor ataque do campeonato e também a melhor defesa.
Apesar do susto na lista de relacionados, os onze iniciais não apresentaram nenhuma surpresa. Diferente do começo de jogo que, aos oito minutos, forçou a entrada de Ayrton Lucas no lugar de Alex Sandro. Sem amostragem suficiente para saber se alguma coisa mudou, pouco importou, porque o Flamengo conseguiu marcar alto e controlar a posse de bola no campo do adversário. Mas o jogo não era perfeito, faltava entrada na área e nosso adversário soube muito bem fechar esse espaço.
Os métodos para furar retrancas também são conhecidos. Arrascaeta tentou de cabeça, Bruno Henrique e Luiz Araújo tentaram de fora da área, mas foi Léo Ortiz que obrigou o goleiro Rafael a realizar sua primeira grande defesa. Os comandados de Filipe Luis seguiram pressionando e seguiram atacando. Nos minutos finais do primeiro tempo, a equipe são-paulina tentou subir a marcação e o Flamengo criou suas melhores chances no jogo. Pela bola longa, Léo Ortiz achou Wesley que, de esquerda, procurou o cantinho, mas assistimos à maior defesa do jogo. Depois, invertendo o lado e criando por baixo, Bruno Henrique acha Plata, mas a finalização frontal passa a milímetros para fora e o primeiro tempo se encerra sem que o placar fosse alterado.
O segundo tempo se iniciou da mesma maneira que o primeiro. Com o Flamengo ocupando o campo de ataque e com uma substituição forçada na nossa lateral esquerda. Filipe Luis optou por Varela, uma vez que Viña ainda não possui nível físico apropriado. Um destro na lateral canhota muda muita coisa, talvez a principal mudança seja o direcionamento das jogadas para a direita.
Aos 15 minutos, isso aconteceu. Varela se sentiu bloqueado para atacar a profundidade na esquerda e direcionando ao pé direito, o passe para Jorginho fica fácil. Plata assume a proatividade da jogada e também com o pé direito, abre no lateral destro. Wesley opta pelo passe de retorno e ataca a profundidade, abrindo a jogada pela direita, mas o canhoto Luiz Araújo confia demais na sua batida de esquerda e, com razão, acha o ângulo para abrir o placar. Somente um golaço desse nível poderia superar a grande atuação que vinha fazendo Rafael, até ali.
A desvantagem no placar abriu nosso adversário. Substituições foram feitas, nossos defensores passaram a enfrentar pulmões frescos e a bola passou a circular mais em nosso campo de ataque. Com apenas uma parada disponível para fazer três substituições, Filipe Luis segura sua ação, mas aos 37 minutos do segundo tempo ele aciona Cebolinha De la Cruz e o iluminado Wallace Yan.
O placar magro faz crescer a tensão, qualquer erro poderia ser fatal e tirar dois pontos da nossa conquista. O problema, para eles, é que temos um jogador que não liga para momentos de tensão. Luiz Araujo tentou emplacar seu segundo, mas Rafael não consegue fazer a defesa completa e nosso menino faz o que faz de melhor. Sortudo só fala aquele que não viu Wallace Yan acompanhando a jogada e reagindo primeiro que todo mundo. O chute estufa as redes e sacramenta a vitória rubro-negra.
Mesmo não sendo um retorno perfeito, Flamengo cumpre seus deveres com louvor e acrescenta mais uma vitória sem levar gols em seu currículo. Em solo latino-americano, chegamos a nove jogos invictos e dentro de campo, provamos que ainda somos a melhor equipe do Brasil.
E vamos por mais.
SRN
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