Ainda com o sonho do Campeonato Brasileiro vivo, o Flamengo viajou ao Ceará para enfrentar um adversário direto nessa campanha. O adversário não tem vaga garantida na Libertadores, então o empenho deles também possuía um objetivo a mais.
A escalação não apontava nenhuma surpresa. Dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois pontas e dois atacantes, mas com a bola rolando, Michael jogou mais posicionado como um segundo atacante e Bruno Henrique que está mais acostumado a fazer essa função foi movido para a ponta, outra função que está mais que acostumado. Essa situação não fugia completamente do que Filipe Luís já apresentou no Flamengo. Michael jogando no corredor central aumenta muito o poder da marcação alta da equipe e rapidamente se viu isso dentro de campo.
A primeira defesa do jogo pode ter sido do Rossi, mas a primeira grande chance do jogo foi Rubro-Negra. Quando Gerson sai da bola, Pulgar não tira o olho de Bruno Henrique que é o primeiro Flamenguista a puxar a corrida, o espaço estava claro e o passe do chileno foi preciso mas a finalização encontra a trave e o zero não sai do placar. A segunda grande chance também passou pelos pés de Pulgar e BH, deixando assim Michael livre para carregar e atacar a última linha, Gabriel escorrega mas recebe o passe. A finalização não sai perfeita e mais uma vez o zero permanece no placar.
Nosso adversário não chegou a liderar o campeonato à toa. Percebendo quais espaços nossa equipe estava procurando, resolveu povoar mais o corredor central e dar menos espaço para Michael. Sem a expertise da função, nosso xodó tem seu volume reduzido, perde o ritmo da partida e começa a errar mais. Com as laterais menos cobertas, o Flamengo busca explorar esses espaços, mas não cria nenhuma chance tão perigosa quanto as duas primeiras.
No intervalo Nico De la Cruz entra no lugar de Gabriel Barbosa, aumentando o poder de criação no meio, mas tirando nosso poder de decisão dentro da área. Logo aos 4 minutos do segundo tempo Gerson aproveita seu posicionamento mais avançado e acha uma finalização no cantinho, mas no goleiro adversário fez uma ótima defesa. No rebote Wesley encontra Michael para finalizar de cabeça. Nossa equipe queria finalizar para o gol da maneira que fosse possível. Aos 17 minutos, outra jogada que demostrava isso muito bem. Pulgar, aberto na direita, acha Gerson no facão. O passe para trás encontra Gonzalo Plata que tem sua finalização dividida com o defensor, a bola sobra para Michael que obriga o goleiro a fazer mais uma defesa. Alex Sandro pega o rebote e finaliza, o defensor bloqueia e a bola volta no Wesley, dessa vez a finalização não pega em cheio e depois de tanto esforço, nosso adversário consegue eliminar o perigo.
Mas aos 21 minutos que o lance mais importante do jogo acontece. Pulgar, que já tinha amarelo, se frustra com o passe errado e na ânsia de recuperar a bola acaba cometendo a falta. O segundo amarelo vira vermelho e Filipe Luís coloca Charly Alcaraz e David Luiz nos lugares de Michael e Gonzalo Plata. Uma outra manobra que não é surpresa no trabalho do nosso ex-lateral esquerdo. Nosso adversário conseguiu ter seu volume aumentado, mas a grande defesa de Rossi só aconteceu depois que Alcaraz conseguisse duas finalizações perigosas. Mesmo com uma a menos o Flamengo não abriu mão de atacar e tentar abrir o placar, a inferioridade numérica pôs um freio nesse ímpeto, mas não a ponto de diminuir nossa capacidade de se defender.
O empate chega e o ponto adicionado à somatória parece pouco importar agora que temos vaga na Libertadores garantida. Já a não vitória coloca um ponto final no sonho rubro-negro pelo título, não que seja culpa de Filipe Luís, mas teremos que buscar esse título ano que vem.
E vamos por mais,
SRN