Domingo, quatro da tarde. Era o momento mais importante da temporada rubro-negra. A festa na arquibancada buscava demonstrar apoio e fé no Mengo. Nosso adversário também é qualificado e também postula um título internacional. Mais do que fé, nossa equipe teria que ter atenção, qualificação e se a mística nos abraçar, sejamos felizes.
A escalação desfalcada não é mais surpresa, nem a maioria de jovens no banco de reservas. Os desfalques pontuais de Pulgar e Bruno Henrique seriam sentidos. A solução foi encontrada com a entrada de dois pontas e o recuo do Gerson. Ao mesmo tempo que o Coringa se afastaria da área adversária, poderíamos perder uma dinâmica importante com o Wesley, mas a saída de bola seria mais qualificada.
Com a bola rolando, a primeira jogada de perigo trouxe bem alguns dos aspectos que poderiam decidir a partida. A falta de concentração de Plata faz o passe ir nos pés do adversário e por consequência, Rossi precisou fazer sua primeira aparição no jogo. Depois do escanteio, o alívio. Não sofremos gol pela falta de atenção, nem pela escolha técnica.
Logo na nossa saída de bola, já se via que esse susto se tornaria exceção. O centroavante adversário procurava pressionar pouco, se contentava em fechar a linha de passe entre os dois zagueiros com a única intenção em atrasar a virada de jogo por baixo. Mas nossos zagueiros são qualificados e tem coragem para arriscar as jogadas para frente. Léo Ortiz soube aproveitar a vantagem muito bem, atraindo um marcador e expondo as suas costas. Gerson recebe o passe e sustenta o duelo no corpo, expondo a cobertura da cobertura. Quando o passe entra no meio, Arrascaeta ataca a última linha, puxando seu marcador e dando mais espaço para Wesley carregar, fazer o que faz de melhor. Arrascaeta favorece seus companheiros sem mesmo tocar na bola e os Deuses do Futebol o recompensam com o primeiro gol da final. Um golaço de uma equipe que sabe explorar as fragilidades do adversário, mais que isso, a explora utilizando suas principais qualidades.
Gonzalo Plata não vinha fazendo um jogo brilhante com a bola no pé, mas ganhou mais da metade das divididas que participou no jogo, correu e se entregou. No Flamengo, toda entrega é recompensada. Encurralado pelo adversário e a linha lateral, Léo Ortiz se viu obrigado em colocar a bola a bola em disputa lá na frente. O desvio de Plata encontra Gabriel, milimétricamente disponível para carregar e fazer o que faz de melhor, gol em final. Não interessa a fase, a competição ou o adversário. É o seu fardo, é predestinado.
Tão predestinado que ainda guardou mais um. Quando Michael rouba a bola, Alcaraz fica com duas opções de passes quase idênticas. Um destro na direita e um canhoto na esquerda. Em contra-ataque, dois passes vencedores, mas só um desses jogadores está entre os jogadores mais decisivos da história. Gabriel é tão místico, tão folclórico que foge de explicações, foge das lógicas. Mesmo sendo destaque de uma das maiores divisões de base do mundo, é contestado. Mesmo fazendo parte do primeiro ouro olímpico brasileiro, é tachado de derrotado. O que mais se quer dele?
Três a zero era uma mão na taça, mas ainda tinha tempo no relógio e tempo para a única negativa da partida. Tão igual ao jogo no Sul, a falha de Léo Ortiz não apaga o bom jogo que fez, mas deixa o sinal de alerta para todo o time. Fizemos um grande jogo e apesar do embate elucidar alguns caminhos para um bom jogo de volta, do outro lado ainda existe um adversário qualificado, que chegou em duas finais e que consegue achar um gol em uma única falha que acontecer na partida.
Ainda existe um jogo pelo Campeonato Brasileiro antes da segunda partida da final, mas um jogo de cada vez, como o professor falou.
E vamos para mais,
SRN
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