segunda-feira, 29 de julho de 2024

Como dança, dragão ficou na roda

 Futebol muitas vezes é comparado com uma dança, pode ser pela agilidade e técnica no pé ou pela coordenação de movimentos de uma equipe. Mas em uma competição, diferente da dança, o futebol possui um critério vencedor muito objetivo. Ganha quem faz mais gols, simples assim. A complicação vive nas infinitas possibilidades que existem para chegar nesse objetivo, aí entra o talento, aí entra a sincronia de movimentos.

Não ter onze jogadores fixos na escalação tem se provado, na prática, ser uma estratégia vencedora. Desde o nosso último triunfo, seis alterações foram feitas nos onze iniciais. Não importava se era lesão, exaustão ou suspensão, esses onze são capazes de vencer qualquer jogo pelo Flamengo. Isso foi demostrado desde o inicio do jogo.

A marcação alta, que estava faltando, se mostrou presente desde o apito inicial. Forçando o goleiro adversário a utilizar das bolas longas, tínhamos vantagem na disputa da primeira bola e facilmente recuperávamos a segunda disputa. Nossa equipe jogava como se a rodada do campeonato tivesse sido escrita pelos deuses.

Aos 18 minutos, outra saudade seria matada e a escalação de Luízes era um indicativo esperançoso. A potência de David e a batida de Araújo os tornaram grandes atores em nosso repertorio de jogadas ensaiadas. Dois para cá, dois para lá. Como valsa, o Flamengo força o dragão ajustar o seu posicionamento. Quando Arrascaeta recebe a bola, opção é que não faltava. Luiz Araújo dava opção do passe extra, Varela era o passe de retorno. Mas Pedro gosta de fazer gol e o buraco no primeiro poste estava pedindo para ser explorado. Um oportunista que foi servido por um maestro, mas que só se tornou possível pela coordenação coletiva. 

Mais uma vez a frente no placar, mais uma vez o Flamengo arriscava mais. Diminuiu o ritmo da pressão alta e passou a optar mais pelos contra ataques. Oportunidades foram criadas, nenhuma convertida e o adversário que começou o jogo acuado, começava a mostrar suas asinhas. O susto que aconteceu no fim do primeiro tempo, voltou a se repetir no inicio do segundo. Não valia a pena correr mais riscos e o Flamengo resolveu esfriar o jogo. Começamos a usar a posse de bola para afundar os onze adversários no campo de defesa, mas com uma diferença, muita paciência para evitar entregar a bola ao adversário.

Aos 12 minutos o Flamengo já conseguia impor a sua postura, e aos 15, foi recompensado pela paciência. Quando Gerson recebe pressão do seu marcador, Arrascaeta e Ayrton Lucas já estavam posicionados entre linhas adversarias, Cebolinha dava a opção de amplitude, mas seu marcador possuía uma boa posição. A jogada de paciência pedia o passe de retorno para Pulgar, que diferente de Gerson, não possuía um marcador com boa posição. A primeira troca não acontece e agora a defesa adversária fica em dúvida em quem teria que realizar a cobertura. Três fecham no Pulgar, mas ninguém fecha a jogada. Ayrton Lucas, que sempre foi flecha, lança para o Rei da Noite finalizar no coração da área.

O dragão estava morto, não pelo placar, mas porque sabia que enfrentava uma equipe que possuía muitas ferramentas para vencer o jogo. Um adversário que não iria deixar passar a oportunidade que os deuses lhe deram, aproveitada com tanta perfeição, que ficou sem sofrer gols depois de sete jogos seguidos. 
Fechamos o turno como líderes, com o melhor ataque do campeonato e, apesar de o inverno ainda não ter acabado, vamos para mais.
SRN

Flamengo encerra semana de estreias com Vitória.s

Todo jogador carrega um conjunto de características únicas. Por mais que sejam semelhantes, dentro de campo, na prática, nunca será a mesma coisa. Também existe o caso de jogadores na mesma posição que possuem características diferentes e, assim, contribuem para time de formas diferentes. Quatro alterações foram feitas nos onze iniciais do último jogo. Allan e Varela entraram no lugar de Pulgar e Wesley, que estavam clinicamente indisponíveis. Léo Pereira e Viña entraram por escolha do Tite. Dentre essas mudanças, talvez a mais destoante seja na lateral direita. Ao mesmo tempo que Wesley não possui a experiência do uruguaio de 31 anos, Varela não tem os pulmões joviais do moleque de 20 anos.

Com a bola rolando, Gerson fazia seu movimento natural de buscar o meio, dando o corredor externo para Varela. Por 20 minutos nossa equipe teve mais a posse de bola, enquanto o nosso adversário aumentava a intensidade da marcação apenas quando a bola chegava na intermediária do nosso campo. Marcava em bloco médio, como gostam de dizer os analistas. Diante desse cenário, o Flamengo buscava mais aglomerar jogadores no lado direito do campo, se movimentava e trocava passes por aquele setor, sem sucesso. Nem as viradas rápidas para o Everton estavam sendo produtivas como outros tempos. Falhando na hora de entrar na área adversária, nosso time foi entregando mais a bola para o mandante, dando cada vez mais oportunidades para o nosso adversário encontrar as falhas na nossa marcação.

Na casa dos 25 minutos, nosso adversário já conseguia alternar bolas longas e passes curtos para manipular a nossa defesa. Pouco a pouco já testava o Rossi, mas para fazer gol, é necessário arriscar e toda finalização pode virar um tiro de meta para a equipe adversária. Foi o que aconteceu com o nosso adversário no minuto 38. Nessa jogada específica, batemos o tiro de meta por baixo mais uma vez e não encontramos resistência até a intermediaria. Parece que nada extraordinário estava acontecendo enquanto Viña, Léo Pereira e Fabricio Bruno trocavam passes. Só que mais uma vez o Flamengo exigia que o lateral de 31 anos fosse até o limite da defesa adversária, algo que não havia demostrado efetividade até ali, mas dava a chance do Gerson flutuar para o meio e receber o passe de Nico De La Cruz. Antes disso, no lado esquerdo, o Flamengo ousava uma movimentação que não tinha feito até aquele momento. Cebolinha vai para o corredor central enquanto Arrascaeta foge desse congestionamento baiano, a boa carregada do Gerson fez a defesa se fechar ainda mais e quando o passe entra no Mago Giorgian, era tarde demais para impedir. Gol de gênio, gol de craque!

O gol deu mais ousadia para ambas as equipes, nossos zagueiros começaram a arriscar mais passes para dentro do bloco adversário, enquanto começávamos a sofrer uma pressão alta pelo adversário. O jogo era disputado, ambas as equipes trocavam finalizações. Até que no minuto 68 nosso adversário já havia trocado metade dos seus jogadores que faziam pressão na nossa saída, enquanto isso, Luiz Araújo e Gabriel Barbosa renovam o folego dos nossos jogadores de frente. A partir daí, sofremos cada vez mais com a pressão adversária, mas nosso time é muito qualificado, qualquer pequena oportunidade poderia ser letal. Apesar do momento ruim, o escanteio era para a gente, quem ganhou o duelo pelo alto foi um jogador nosso, mas foi necessária duas defesas em cima da linha para evitar nosso segundo gol. Frustração maior ainda foi ter tomado o empate na sequencia do lance. Uma jogada que já vinha sido prometida, mas escrita com um requinte de crueldade.

Tite arrisca e gasta todas as suas mudanças restantes de uma vez só, um empate nunca será suficiente para o Flamengo. A jogada se inicia quando Gerson recebe um passe errado do nosso adversário com a defesa exposta. O Coringa acelera para Arrascaeta para aproveitar o campo aberto, a bola é dividida, mas sobra para Gabriel Barbosa. Nesses momentos, dá para entender por que nosso adversário preferiu não nos pressionar tanto no primeiro tempo. Dá para entender melhor o porquê dos nossos adversários não quererem nos dar campo aberto. Carlinhos, que é nossa terceira opção da posição, faz o facão para receber o passe em profundidade. Como disseram por aí, Se fosse o Pedro, não alcançaria. Se fosse o Gabriel, não sustentaria a dividida. Isso prova o quanto nosso elenco é qualificado, porque Carlinhos ainda teve a frieza de esperar o momento certo para finalizar com o lado externo do pé.

Mais um jogo mais difícil do que o esperado e mais três pontos somados. Dessa vez, o gol  no final não veio pelo coração, veio pelo talento mesmo. Mais uma rodada perseguindo a liderança, mais uma rodada sendo o melhor ataque do campeonato.
E vamos para mais,
SRN

domingo, 21 de julho de 2024

Entre Trancos e Barrancos, o Talento e o Caos

Nove dias sem jogo, uma rodada adiada que nossos adversários no campeonato aproveitaram muito bem. Depois de um longo tempo sendo obrigado a se adaptar aos desfalques, ontem tivemos um dos Flamengo mais completos em termos de disposição do elenco, apenas Allan cumpria suspensão automática. A empolgação era alta, o sarrafo também.

Ao ver os onze escolhidos pelo Tite, entende-se a intenção de povoar o meio-campo. Dar o corredor externo para o Wesley e fazer o Gerson flutuar para o meio. Um corredor central mais povoado ajudaria a controlar o jogo e qualificaria nossa entrada na área através de passes curtos. Não foi o que aconteceu. 
Com a bola rolando vimos um adversário muito consciente para sair da marcação rubro-negra. Pouca pressão no portador da bola, saltos e coberturas atrasadas aconteceram diversas vezes no primeiro tempo. Nossas melhores jogadas apareciam depois do Cebolinha receber alguma bola longa e mesmo assim, não conseguimos colocar o goleiro adversário para trabalhar. Consciente sobre o plano de jogo, a equipe catarinense soube usar a posse de bola para esfriar o jogo.

Até achar o gol aos 35 minutos do primeiro tempo, sexto jogo seguido que Rossi precisa buscar, ao menos uma vez, a bola no fundo das redes. Um gol que já vinha sendo construído, mas que só aconteceu por um lapso de concentração da equipe. Uma jogada ensaiada, uma jogada muito repetida, uma jogada que time que quer ser campeão não pode sofrer.

Após o acontecimento e a virada de lado, a principal mudança de paradigma acontece no jogo, nosso adversário decide se fechar e confiar mais na sua defesa do que na sua capacidade de esfriar o jogo com troca de passes. Ainda não era suficiente para colocar o Flamengo no jogo, mas começava a facilitar nosso domínio de campo. O pênalti veio em boa hora, mas a cobrança pareceu um balde de água fria. Tudo indicava para uma tarde triste. Um campo ruim, desempenho coletivo e individual abaixo do esperado e um adversário com um plano de jogo superior. Mas o jogo pedia caos e no momento seguinte ao pênalti, Pulgar cabeceia na trave e, por milímetros, o gol não saiu. Não nos esqueçamos também, conseguimos buscar resultados com time mais desfalcado e contra adversários melhores. Esse elenco tem muito coração.

Arrascaeta e Pedro nos relembram que esse time não perde dois lances seguidos. Um gol de craques que sabem usar da inteligência para favorecer o movimento técnico. Primeiro, Arrascaeta se posiciona em um raro buraco de marcação e ganha tempo o suficiente para Pedro fazer o "gato" e ludibriar seu marcador. Quando ele recebe o passe, é caixa. O empate acontecia, mas ainda tinha tempo para mais.
Quando Gerson sofreu a lesão, deu a chance para Tite ousar e colocar o filho do caos, Gabriel Barbosa. Talvez o melhor jogador para exemplificarmos o momento ruim tecnicamente com a sobra de vontade. Agora, além do domínio de campo, também conseguimos afundar o adversário na própria área e se cabeça fria é boa para criar jogadas, coração palpitante é bom para atormentar defensores. No momento crítico da partida, uma das jogadas mais aleatórias da historia do Campeonato Brasileiro acontece. Era o momento perfeito para a equipe abraçar o caos e o encarregado para assumir a batida todos sabemos.

A vitória estava decretada. Entre trancos e barrancos, o Flamengo soma mais três pontos nessa maratona que é o campeonato nacional. Seguimos sendo o melhor ataque do campeonato e seguimos no bloco de elite, mas com um jogo a menos.
E vamos para mais,
SRN.

Para aonde foi nossa magia?

Nove jogos se passaram desde que perdemos nossos convocados. O ciclo que se iniciou dia 13 de junho chegou ao fim, junto com a liderança que havia sido conquistada na rodada anterior. Ganhamos, perdemos e empatamos. Conquistamos 17 dos 27 pontos disputados, nenhum deles foi obtido ontem. A colcha de retalhos foi o termo que mais usei para descrever a escalação e até poderia ser usada para descrever nosso time ontem, mesmo que não tenha nenhum ponta esquerdo retornando da Copa América. Pela última vez, jogadores que estariam disputando posição eram titulares absolutos.

Com as onze peças distribuídas de cada lado, nosso adversário veio com uma postura bem parecida à que havíamos enfrentado na última rodada. Uma equipe bem fechada, ansiosa pelos contra-ataques. A única coisa que não queríamos era levar um gol no início. Após a dissensão, restou apenas buscar por alternativas. A que funcionou foi a inversão dos pontas, por mais que ainda esteja um pouco cru, Matheus Gonçalves mostrou que podemos contar com ele. Nosso camisa 20 ajudou a gerar volume com a bola no pé e, de quebra, roubou a bola no lance que gerou o pênalti.

Mas diferente da última rodada, a equipe cearense possui mais competências e uma linha de trabalho que segue ininterrupta, somando mais de mil dias. Competente o suficiente para recuperar o mental depois do gol sofrido, encontrar os defeitos da nossa equipe e aproveitar a única chance que precisava. Alterações foram feitas. O filho do caos, chamado Gabriel Barbosa, não deixou a atmosfera cair e por milímetros, um capítulo no seu arco de redenção não foi escrito. No entanto, quem precisava entrar só estará disponível na próxima rodada.

O apito final chega como um solo de cavaco em dó maior. Chegamos ao fim, está doendo sim e essas derrotas precisam ser sentidas. Sentir essas dores faz parte de ser uma equipe vencedora. Mas não só de sentimentos vive o campeão, é necessário aprender com seus erros. Nesses últimos nove jogos, só não sofremos gol do lanterna. Mesmo sendo líder em gols e assistências, Pedro não joga sozinho, ele precisa de ajuda.

Não somos mais líderes e ainda temos o melhor ataque, mas precisamos mesmo é melhorar a defesa.
E vamos para mais.
SRN

domingo, 7 de julho de 2024

Um ponto ganho ou dois perdidos?

Jogo de futebol é um jogo vivo. Cada jogada está diretamente ligada à jogada anterior, cada jogo está diretamente ligado ao jogo anterior. Se a bola não tivesse desviado, Rossi teria defendido? Se Bruno Henrique não tivesse sofrido uma lesão, teria sido mais fácil virar a partida? A imaginação deixa as possibilidades infinitas, mas o que aconteceu dentro de campo é a realidade mais palpável possível.
O jogo de ontem demonstrava ser a oportunidade ideal para o Flamengo se isolar na liderança. A escalação e a sequência de jogos redobravam a confiança. Os cinco minutos iniciais aconteceram da forma que todos esperavam, marcação alta e finalizações rubro-negras. O inesperado aconteceu quando nosso adversário consegue quebrar nossas linhas e conduzir bem a bola, quando o jogador prepara a batida, o abafa acontece, mas dessa vez sem sucesso.
Ainda tinha muito tempo no relógio, virou um jogo de ataque contra defesa, um verdadeiro Davi contra Golias. Cada segundo que passava era uma gota de suor escorrida e uma ponta de esperança perdida. Em um segundo desses, David Luiz já estava na intermediaria ofensiva, Gerson ataca o espaço, Werton se posiciona no entrelinhas. Nosso adversário fecha as duas jogadas, dando o corredor externo para nosso lateral canhoto. Um cruzamento perfeito de Ayrton Lucas e Pedro sobe no terceiro andar para igualar o placar. As pernas que haviam jogado apenas 28 minutos na quarta-feira mostram a diferença que um mínimo descanso faz.
A esperança era renovada, mas o panorama do jogo ainda era o mesmo. Nosso adversário, que atualmente luta para não cair, parecia satisfeito em segurar o empate. Além disso, todo goleiro vira o melhor do mundo contra a gente. o "Luva de ouro" da vez igualou seu jogo com mais defesas no campeonato, foram nove no total. Para título de curiosidade, o recorde do campeonato é de doze defesas, mas na ocasião, esse goleiro também levou seis gols do Flamengo.
O juiz encerra a partida e o empate com gosto ambíguo foi decretado. O melhor ataque do campeonato continua sendo o Flamengo e nós continuamos a ser líder.
E vamos para mais,
SRN

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Especialidades e padrões

Especialidades e padrões
Copa América vai entrando na reta final e esse inverno futebolístico, que começou dia 13 de Junho, começa a se encerrar. Com a eliminação do Chile, Pulgar retorna ao elenco, mas não aos onze iniciais. Léo Ortiz é exigido a jogar de volante mais uma vez e ainda podemos usar a metáfora da colcha de retalhos para cantar a nossa escalação. Para deixar menos titular ainda, Pedro vai ao banco para Carlinhos iniciar sua segunda partida no campeonato.
O desgaste finalmente atingiu o nosso matador, um desgaste que tem sido notado na maioria dos jogadores da nossa equipe. Em alguns jogos, desde o começo da Copa América, não conseguimos ter pulmão para competir os 90 minutos e em alguns jogos até tomamos um gol no final, sendo um deles irrecuperável. Mas o que podemos fazer se não conseguimos nos desvencilhar desse padrão? Podemos estabelecer um outro. É o terceiro jogo consecutivo que conseguimos abrir o placar antes dos 20 minutos. Se não tem fôlego no final, o fôlego inicial precisa ser efetivo, e nada mais efetivo nesse Flamengo que a bola parada.
Luiz Araújo começou o jogo centralizado, sua principal função era evitar que os zagueiros adversários achassem o passe para os volantes. Quando o Flamengo tinha a bola, ele era um segundo atacante. Aos 13 minutos, ele ainda buscava os espaços nessa nova função quando recebeu uma falta perto da área. Era hora de apelar para a especialidade. A bola viaja por toda a área até encontra Bruno Henrique no segundo poste. O velocista, que está mais que acostumado a vencer esse duelo, apenas escora para o gol.
Mas esse time não tem só essa especialidade. Um time organizado sempre sabe onde cada jogador está, sabe que cada ação precisa de uma compensação. O que poderia ser um simples passe zagueiro-lateral toma um rumo muito mais complexo, Fabricio Bruno opta pela construção por dentro e três passes depois a bola finalmente chega ao Wesley. Especialistas em construção movendo a bola rápido até achar um lateral especialista em profundidade atacando a área, faltava só o centroavante, o especialista em gol. A finalização do Wesley encontra a trave e Carlinhos entra no circuito para dobrar o placar.
No segundo tempo ainda teve tempo do nosso lateral esquerdo, especialista em carregar a bola, entrar para a festa. Ayrton Lucas passa por dois, resiste ao contato e finaliza no cantinho.
O susto que foi o pênalti foi rapidamente silenciado por uma expulsão. Bruno Henrique estava elevado pela metrópoles mineira. BH27 ainda iria receber um presente do nosso matador Pedro, que virou especialista em assistência, para deixar bem evidente. Em terra de galo, quem canta é Urubu.
Se é possível ter jogo difícil quando se espera um jogo fácil, ontem jogamos fácil contra um adversário que deveria ser difícil. É irrefutável, somos lideres porque jogamos como tal, temos o melhor ataque porque jamais perdemos o apetite.
E vamos para mais.
SRN

quarta-feira, 3 de julho de 2024

O melhor ataque é a defesa

Era necessária uma resposta. Perder é ruim, não vencer, ontem, era pior. Depois da rodada sortuda mediante o tropeço rubro-negro, o Flamengo não poderia dar chance para o azar. Tínhamos a chance de aumentar nossa liderança e não poderíamos desperdiçar. Mediante a esse cenário, a escalação flamenguista parecia até um cobertor novo em comparação às anteriores. Com Allan liberado para jogar noventa minutos, Léo Ortiz foi para o banco, ou seja, sem improvisações nos onze titulares.
A bola rola e, mais uma vez, Gerson vem sendo a cobertura central para as subidas de pressão do Pedro e do Lorran. Mais uma vez ele vem demostrando ser o nosso principal jogador no momento "Copa América". Ontem ele enfrentou mais um modelo diferente de jogo e soube fazer as leituras necessárias, sempre com botes precisos e disposição para recuperar as costas quando a saída não vai para o setor dele.
Aos onze minutos, Lorran consegue uma boa arrancada. A finalização de pé direito do Luiz Araújo após a letra do Pedro mostra que o Flamengo veio para vencer, mas nosso adversário é competente e, em algum momento, conseguiria ajustar a marcação para evitar esse tipo de jogada novamente.
Sorte nossa que Gerson é mais competente ainda. Fabricio Bruno? Nem se fala! O craque dos caras da um toquinho um pouco preguiçoso, nosso zagueiro compete e o desarme sobra para o Coringa. Gerson não tem preguiça de arrancar, foge da falta e espera até o ultimo momento para soltar a bola para o Pedro. Em um toque, nosso matador abre o placar. O artilheiro do ano cumpre sua rotina religiosamente.
Mas o time dos caras é competente e o craque deles é craque mesmo. O tapa indefensável faz mais que colocar um gol no placar, coloca o nosso adversário da noite no jogo. Mais um vez o Flamengo passa a perder a posse de bola, mais um vez nosso meio-campo é superado.
Tite sente a necessidade de correção e mesmo não fazendo um jogo ruim, Lorran é sacado para entrada de Léo Ortiz, movendo o Gerson para a direita e centralizando o Luiz Araújo. Improvisações atrás de improvisações, mas esse Flamengo se recusa a aceitar que joga mal e sempre busca alternativas. Não é o suficiente para dominar o jogo, mas a mudança traz melhoras.
Luiz Araújo centralizado é a improvisação da vez e, de certo modo, é possível dizer que era o mais sacrificado nesse jogo. Este Flamengo recompensa os sacrifícios de seus jogadores e o jogo recompensa os treinamentos de bola parada ofensiva. A maior artimanha que esse time desenvolveu nessa fase do ano gera gol novamente, concretizando a "Lei do Ex". Aquele mesmo Fabricio Bruno que roubou a bola no primeiro gol recebe o passe de Luiz Araújo e fuzila a rede adversaria.
O segundo gol sacramenta a nossa vitória, três pontos somados. Somos mais lideres do que nunca e continuamos tendo o melhor ataque do campeonato. Mais uma vitória conquistada pelo coração, antes mesmo do cansaço tomar conta, como aconteceu com BH que precisou ser substituído pelo Werton, que demostrou estar pronto para contribuir com este Flamengo.
E vamos para mais.
SRN.