Nove dias sem jogo, uma rodada adiada que nossos adversários no campeonato aproveitaram muito bem. Depois de um longo tempo sendo obrigado a se adaptar aos desfalques, ontem tivemos um dos Flamengo mais completos em termos de disposição do elenco, apenas Allan cumpria suspensão automática. A empolgação era alta, o sarrafo também.
Ao ver os onze escolhidos pelo Tite, entende-se a intenção de povoar o meio-campo. Dar o corredor externo para o Wesley e fazer o Gerson flutuar para o meio. Um corredor central mais povoado ajudaria a controlar o jogo e qualificaria nossa entrada na área através de passes curtos. Não foi o que aconteceu.
Com a bola rolando vimos um adversário muito consciente para sair da marcação rubro-negra. Pouca pressão no portador da bola, saltos e coberturas atrasadas aconteceram diversas vezes no primeiro tempo. Nossas melhores jogadas apareciam depois do Cebolinha receber alguma bola longa e mesmo assim, não conseguimos colocar o goleiro adversário para trabalhar. Consciente sobre o plano de jogo, a equipe catarinense soube usar a posse de bola para esfriar o jogo.
Até achar o gol aos 35 minutos do primeiro tempo, sexto jogo seguido que Rossi precisa buscar, ao menos uma vez, a bola no fundo das redes. Um gol que já vinha sendo construído, mas que só aconteceu por um lapso de concentração da equipe. Uma jogada ensaiada, uma jogada muito repetida, uma jogada que time que quer ser campeão não pode sofrer.
Após o acontecimento e a virada de lado, a principal mudança de paradigma acontece no jogo, nosso adversário decide se fechar e confiar mais na sua defesa do que na sua capacidade de esfriar o jogo com troca de passes. Ainda não era suficiente para colocar o Flamengo no jogo, mas começava a facilitar nosso domínio de campo. O pênalti veio em boa hora, mas a cobrança pareceu um balde de água fria. Tudo indicava para uma tarde triste. Um campo ruim, desempenho coletivo e individual abaixo do esperado e um adversário com um plano de jogo superior. Mas o jogo pedia caos e no momento seguinte ao pênalti, Pulgar cabeceia na trave e, por milímetros, o gol não saiu. Não nos esqueçamos também, conseguimos buscar resultados com time mais desfalcado e contra adversários melhores. Esse elenco tem muito coração.
Arrascaeta e Pedro nos relembram que esse time não perde dois lances seguidos. Um gol de craques que sabem usar da inteligência para favorecer o movimento técnico. Primeiro, Arrascaeta se posiciona em um raro buraco de marcação e ganha tempo o suficiente para Pedro fazer o "gato" e ludibriar seu marcador. Quando ele recebe o passe, é caixa. O empate acontecia, mas ainda tinha tempo para mais.
Quando Gerson sofreu a lesão, deu a chance para Tite ousar e colocar o filho do caos, Gabriel Barbosa. Talvez o melhor jogador para exemplificarmos o momento ruim tecnicamente com a sobra de vontade. Agora, além do domínio de campo, também conseguimos afundar o adversário na própria área e se cabeça fria é boa para criar jogadas, coração palpitante é bom para atormentar defensores. No momento crítico da partida, uma das jogadas mais aleatórias da historia do Campeonato Brasileiro acontece. Era o momento perfeito para a equipe abraçar o caos e o encarregado para assumir a batida todos sabemos.
A vitória estava decretada. Entre trancos e barrancos, o Flamengo soma mais três pontos nessa maratona que é o campeonato nacional. Seguimos sendo o melhor ataque do campeonato e seguimos no bloco de elite, mas com um jogo a menos.
E vamos para mais,
SRN.
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