Todo jogador carrega um conjunto de características únicas. Por mais que sejam semelhantes, dentro de campo, na prática, nunca será a mesma coisa. Também existe o caso de jogadores na mesma posição que possuem características diferentes e, assim, contribuem para time de formas diferentes. Quatro alterações foram feitas nos onze iniciais do último jogo. Allan e Varela entraram no lugar de Pulgar e Wesley, que estavam clinicamente indisponíveis. Léo Pereira e Viña entraram por escolha do Tite. Dentre essas mudanças, talvez a mais destoante seja na lateral direita. Ao mesmo tempo que Wesley não possui a experiência do uruguaio de 31 anos, Varela não tem os pulmões joviais do moleque de 20 anos.
Com a bola rolando, Gerson fazia seu movimento natural de buscar o meio, dando o corredor externo para Varela. Por 20 minutos nossa equipe teve mais a posse de bola, enquanto o nosso adversário aumentava a intensidade da marcação apenas quando a bola chegava na intermediária do nosso campo. Marcava em bloco médio, como gostam de dizer os analistas. Diante desse cenário, o Flamengo buscava mais aglomerar jogadores no lado direito do campo, se movimentava e trocava passes por aquele setor, sem sucesso. Nem as viradas rápidas para o Everton estavam sendo produtivas como outros tempos. Falhando na hora de entrar na área adversária, nosso time foi entregando mais a bola para o mandante, dando cada vez mais oportunidades para o nosso adversário encontrar as falhas na nossa marcação.
Na casa dos 25 minutos, nosso adversário já conseguia alternar bolas longas e passes curtos para manipular a nossa defesa. Pouco a pouco já testava o Rossi, mas para fazer gol, é necessário arriscar e toda finalização pode virar um tiro de meta para a equipe adversária. Foi o que aconteceu com o nosso adversário no minuto 38. Nessa jogada específica, batemos o tiro de meta por baixo mais uma vez e não encontramos resistência até a intermediaria. Parece que nada extraordinário estava acontecendo enquanto Viña, Léo Pereira e Fabricio Bruno trocavam passes. Só que mais uma vez o Flamengo exigia que o lateral de 31 anos fosse até o limite da defesa adversária, algo que não havia demostrado efetividade até ali, mas dava a chance do Gerson flutuar para o meio e receber o passe de Nico De La Cruz. Antes disso, no lado esquerdo, o Flamengo ousava uma movimentação que não tinha feito até aquele momento. Cebolinha vai para o corredor central enquanto Arrascaeta foge desse congestionamento baiano, a boa carregada do Gerson fez a defesa se fechar ainda mais e quando o passe entra no Mago Giorgian, era tarde demais para impedir. Gol de gênio, gol de craque!
O gol deu mais ousadia para ambas as equipes, nossos zagueiros começaram a arriscar mais passes para dentro do bloco adversário, enquanto começávamos a sofrer uma pressão alta pelo adversário. O jogo era disputado, ambas as equipes trocavam finalizações. Até que no minuto 68 nosso adversário já havia trocado metade dos seus jogadores que faziam pressão na nossa saída, enquanto isso, Luiz Araújo e Gabriel Barbosa renovam o folego dos nossos jogadores de frente. A partir daí, sofremos cada vez mais com a pressão adversária, mas nosso time é muito qualificado, qualquer pequena oportunidade poderia ser letal. Apesar do momento ruim, o escanteio era para a gente, quem ganhou o duelo pelo alto foi um jogador nosso, mas foi necessária duas defesas em cima da linha para evitar nosso segundo gol. Frustração maior ainda foi ter tomado o empate na sequencia do lance. Uma jogada que já vinha sido prometida, mas escrita com um requinte de crueldade.
Tite arrisca e gasta todas as suas mudanças restantes de uma vez só, um empate nunca será suficiente para o Flamengo. A jogada se inicia quando Gerson recebe um passe errado do nosso adversário com a defesa exposta. O Coringa acelera para Arrascaeta para aproveitar o campo aberto, a bola é dividida, mas sobra para Gabriel Barbosa. Nesses momentos, dá para entender por que nosso adversário preferiu não nos pressionar tanto no primeiro tempo. Dá para entender melhor o porquê dos nossos adversários não quererem nos dar campo aberto. Carlinhos, que é nossa terceira opção da posição, faz o facão para receber o passe em profundidade. Como disseram por aí, Se fosse o Pedro, não alcançaria. Se fosse o Gabriel, não sustentaria a dividida. Isso prova o quanto nosso elenco é qualificado, porque Carlinhos ainda teve a frieza de esperar o momento certo para finalizar com o lado externo do pé.
Mais um jogo mais difícil do que o esperado e mais três pontos somados. Dessa vez, o gol no final não veio pelo coração, veio pelo talento mesmo. Mais uma rodada perseguindo a liderança, mais uma rodada sendo o melhor ataque do campeonato.
E vamos para mais,
SRN
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