quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Reconquistando a confiança

 A classificação para a final traz um sentimento de segurança. Temos a capacidade de superar qualquer obstáculo, mas na panela de pressão chamada Flamengo, até a mais tranquila paz traz polêmicas. É necessário se reafirmar todo dia. Nesse contexto e contando com a ascensão de Evverton Araujo e Michael aos onze titulares, retornávamos ao Campeonato Brasileiro

Logo aos dois minutos de jogo, um lance que passaria despercebido descreve muito bem com qual sentimento o Flamengo entrou em campo. Evertton Araujo, com a bola dominada no campo de ataque, cisca para cá, ajeita o corpo para lá. Busca a linha de passe, mas não consegue encontrar contra um adversário fechado.

Jogar fechado contra o Flamengo pode ser muito perigoso. Hoje esse ímpeto de jogar para a frente resolve parcialmente os problemas de entrada em último terço que tínhamos nas semanas anteriores. Junto com essa mudança também existe a mudança de confiança e de algumas peças ofensivas. Aos sete minutos esse ímpeto entregou resultado. Antes mesmo de perceber que sair por baixo era uma má ideia, nosso adversário tentou e entregou. Arrascaeta finaliza quando pode, mas Michael é quem faz no rebote. Aos onze minutos, Ayrton Lucas e Pulgar também tentam o Gol depois de pegar o rebote.

Nesse ritmo frenético, o Flamengo seguia no campo de ataque. Pressionando, arriscando jogadas e eventualmente criando perigos ao goleiro adversário. Mas eventualmente também, gerando chances de contra-ataque e em uma dessas chances o empate aconteceu. Uma coisa é jogar aceitando um eventual erro, outra coisa é sentir a fatalidade do erro na pele. No lance seguinte Michael obriga o goleiro adversário a trabalhar, mas aos poucos, a confiança no passe vertical foi se esvaindo. O time sentiu o golpe, mas não por tanto tempo. Dois lances do Gabriel Barbosa davam na cara que o Flamengo ia continuar tentando fazer o gol e se houvesse mais alguns minutos de acréscimo o segundo gol tinha saído lá na Sul ainda. Até gol contra quase teve.

Tanto que, logo aos dois minutos do segundo tempo Gerson sofre o pênalti para o especialista Gabriel cobrar. Falando em especialidade, bola aérea nunca foi a especialidade de Michael, mas se o lançamento é certeiro, a redonda se quer entra em disputa. O avanço rápido dá espaço e com a defesa desorganizada, Gerson apenas orquestra um gol fácil para a qualidade técnica dos jogadores envolvidos. O Flamengo concretiza a sua superioridade e dá uma folga que logo é retirada.

A confiança pode estar em alta, mas o fantasma da bola parada ainda assombra a nossa área. Se faltou alguém no rebote ou se faltou velocidade para abafar a finalização frontal, é incerteza. O sabido é que a recorrência de lances assim torna evidente a complexidade de uma jogada de três segundos. Ainda assim, se o lance poderia trazer dúvidas sobre a vitória, rapidamente nosso adversário resolveu tornar o nosso trabalho mais fácil. Com um a mais e com mais espaços para explorar o contra ataque, Plata marca o seu primeiro gol com o Manto Sagrado para fechar o placar.

Com o apito final, a confirmação da suspeita. O nosso time joga para frente, assume os riscos e paga para ver. A perfeição nunca existirá, errar faz parte do esporte e o Flamengo parece entender isso muito bem.
SRN

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Rumo ao Penta - Ato 4

Estamos na final! Contra tudo e contra todos, chegamos na terceira final consecutiva da Copa do Brasil e estamos a dois jogos de confirmar o título. Do jogo de ida, trazemos um gol de vantagem, mas também a certeza de que tínhamos condição de fazer uma grande partida e de até aumentar a vantagem.

A escalação trouxe de volta os selecionáveis remanescentes da Data FIFA. Pulgar, Nico e Gerson se juntavam a De Arrascaeta no meio. Alex Sandro retornava à lateral esquerda, assim como foi no jogo de ida.

O começo do jogo foi protocolar. Os mandantes tentavam acelerar jogadas enquanto o nosso time procurava trocar passes fáceis, acelerando somente quando o adversário errasse algum posicionamento. Nesse ritmo, nosso adversário teve as duas primeiras bolas paradas do jogo, mas foi para o nosso lado que a primeira grande emoção veio. O gol de Alex Sandro foi anulado por milímetros, mas já avisava que o jogo seria mais apertado que essa unidade de medida.

Nossa pressão estava encaixada, nosso Prata da casa era obrigado a rifar bolas e ganhávamos as divididas subsequentes. O ímpeto inicial já havia cessado, o perigo se afastava. Até que, em uma bola curta, Bruno Henrique lê mal a jogada e acaba sendo expulso. A tranquilidade que ameaçou dar as caras deu certeza de que não viria jamais. Filipe Luís responde rápido, Gabriel cede espaço para Fabrício Bruno. O Flamengo coloca cinco jogadores na última linha, Arrascaeta era o mais avançado protegido pelo restante dos jogadores da Data FIFA.

Com o elenco quem o Flamengo tem, opções de ajustes não faltam. Opções válidas, agressivas ou defensivas, priorizando o meio ou a lateral. Mas somente Filipe Luiz tem o poder de tomar essa decisão e somente o campo pode julgar qual alteração é a certa ou a errada.

Nosso adversário já havia demostrado um interesse maior em construir pelas alas e essa mudança exigia mais de nossos volantes sobre nesses setores, mas em compensação, a área estaria bem preenchida. Voltando para o segundo tempo, as mudanças do nosso adversário povoaram também o corredor interno. Essa região preciosa do campo seria disputada até o final do jogo e estava na hora de ver se dez Flamenguistas teriam a capacidade de superar onze adversários.

O campo julgou e o campo decidiu. Diante do embate tático a qualidade técnica do Flamengo foi superior diante da vantagem numérica. Rossi precisou de grandes intervenções apenas duas vezes. Na primeira aos 15 minutos do segundo tempo, um atraso na cobertura exigiu uma grande defesa. A segunda aconteceu somente aos 42 minutos, quando um passe descuidado gerou um contra ataque e a finalização frontal foi seguramente encaixada. Nesse meio tempo, nosso pulmão também conhecido como Gerson, teve a chance de fazer o golaço da classificação, mas acabou tirando demais.

O apito final trouxe a classificação e o jogo trouxe a certeza que temos qualidade e coração o suficiente para superar qualquer adversidade. As finais da Copa do Brasil serão realizadas nos dias 3 e 10 de novembro. Até lá.
E vamos para mais,
SRN

domingo, 20 de outubro de 2024

Reencontro com a realidade

Doze dias se passaram desde que o Flamengo entrou em campo pela última vez. Naquela ocasião, os sentimentos eram de confiança e esperança. O reencontro com o campo trazia um rival carioca. Uma dupla com iniciais parecidas, mas distantes na tabela.

A escalação vinha cheia de desfalques por causa desse período. Arrascaeta e Plata tinham condições de alguma minutagem enquanto Gerson, Pulgar e Nico de la Cruz sequer foram ao banco. Léo Ortiz assume a volância, Alcaraz e Matheus Gonçalves completam o meio.

A bola rola e rapidamente se nota o perfil rubro-negro. A marcação alta e um desejo de controlar o jogo através da posse de bola. A primeira finalização foi do adversário, mas a primeira grande chance veio com Bruno Henrique. Mais chances foram criadas, principalmente pela marcação alta, no entanto depois da finalização de Alcaraz encontrar a trave, nosso rival abriu mão de sair por baixo e começou a apostar em bolas longas.

Entre divididas aéreas e rasteiras, entre 15 e 20 minutos, nosso rival consegue vencer várias vezes a disputa pela segunda bola e afasta o nosso time da área. O jogo esfria, mas não por muito tempo. Com algumas vitórias em bolas divididas, o Flamengo acelera para aproveitar o raro espaço nas costas da defesa e as laterais se provou como caminha mais efetivo para chegar a área. Com uma sequência de boas jogadas se viu um grande esforço do nosso adversário em bloquear nossas finalizações e evitar que o trabalho chegue no goleiro. O primeiro tempo ia se encerrando quando a grande chance do jogo aconteceu, junto com a grande defesa do Rossi. Uma defesa que mantinha viva a confiança e a esperança no resultado.

Esperança essa que foi afogada logo no início do segundo tempo. A falta de pressão no portador da bola, timing do bote errado e o desespero para correr para trás contra um time que buscava essa situação foi fatal, tão fatal que aconteceu novamente. Divididas consecutivas no meio-campo, um lapso de concentração e ataques rápidos contra a última linha logo depois de ganhar a bola.

Michael e Gonzalo Plata entram, mas somente com a adição de Arrascaeta e Alex Sandro é que o Flamengo volta a se organizar. Com 20 minutos restando de jogo, as poucas viradas de jogo encontravam coberturas rápidas e nossos cruzamentos não tinham um alvo ideal. O jogo se encerra do mesmo jeito que se apresentou depois do segundo gol, com tranquilidade para o nosso rival.

Agora estamos nove pontos atrás do líder, um ponto afrente da Pré-Libertadores e um confronto de extrema importância no horizonte.
E vamos para mais
SRN

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Mais três pontos, mais confiança e mais esperança.

Faz um pouco mais de três semanas que enfrentamos esse mesmo adversário. Em uma diferente competição, em um contexto diferente. Mas emocionalmente, a proximidade e a importância desses confrontos cria um ambiente especial. Bom para a gente, que além de estarmos em melhor momento, eliminamos a equipe baiana naquela ocasião. 

Para o jogo de sábado, apenas uma alteração. Na lateral esquerda, Alex Sandro dá a vaga para Ayrton Lucas. Já nosso adversário teria um desfalque que nos conhece bem e que nos deixou ainda mais confiantes na busca pelo resultado.

Aos cinco minutos de jogo, ambas as equipes já haviam criado boas chances. Enquanto o Flamengo demorou 21 minutos para finalizar novamente, nosso adversário rondava nossa área e levava mais perigo nos lances de escanteio.

Fora os cruzamentos, nossa equipe se mostrou muito disposta em correr para trás e obrigar a equipe soteropolitana a recomeçar a construção. Sempre que reiniciava a construção, a nossa equipe tinha uma nova chance de colocar a pressão em prática. Quando Gabriel desvia de cabeça, a finalização não gera nenhum perigo para o goleiro, mas já se via o Flamengo ocupando muito mais o campo de ataque. Com mais liberdade para criar, Ayrton Lucas passa a ocupar um espaço mais avançado, confiando que a bola vai chegar.

Na direita, Wesley tenta a jogada, erra, briga, recupera e recicla a posse para Léo Ortiz. O camisa 10 da zaga aciona o camisa 10 do meio. Arrascaeta vê o facão de Wesley e coloca o menino para correr. Gabriel Barbosa fecha o primeiro poste, Bruno Henrique se posiciona para o passe atrás que recebe a bola e a finalização frontal acontece. A jogada estava tão correta que os Deuses do Futebol não iam se contentariam com a defesa e quiseram que o rebote caísse no pé de Ayrton Lucas que fechava o segundo poste.

O placar muda, o jogo não. Flamengo segue conseguindo mais vantagens no jogo e nem a mudança de lado é suficiente para recolocar o adversário na partida. O Flamengo segue colocando o goleiro adversário para trabalhar. Alterações acontecem de ambos os lados, mas nada consegue mudar o panorama do jogo. Até que aos 30 minutos do segundo tempo o nosso time realiza uma modificação tripla e a equipe perde um pouquinho o ímpeto ofensivo.

As divididas começaram a ficar equilibradas, a bola passa a girar menos a área adversária. De forma gradual, o emocional do jogo vai virando, apesar do risco do empate girar mais pelo folclore que pelo campo. Até os acréscimos, Rossi não havia sido exigido, mas o último susto veio e a finalização para fora só não trouxe mais alívio que o pênalti convertido por Charly Alcaraz depois do nosso menino maluquinho sofrer uma agressão.

A segunda vitória sob o comando de Filipe Luis veio, assim como o segundo jogo sem sofrer gols nessa nova forma de defender. Um Flamengo mais seguro, um Flamengo mais ofensivo, que mesmo ainda não estando perfeito de frente para a baliza, chega e cria chances.
E vamos para mais
SRN

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Rumo ao Penta - Ato 3

Um fato novo, uma nova história, uma virada de chave. Os pretextos não interessavam mais, a semana começou com uma mudança de paradigma e a expectativa para o jogo de ontem era máxima. Esse era o contexto que o Flamengo se encontrava enquanto precisava manter um sonho possível. Quatro jogos separavam a nossa equipe do título da Copa do Brasil, mas só é possível jogar um jogo de cada vez e ontem era importante dar mais um passo.

A escalação apresentou algumas mudanças, em relação ao último jogo e ao último trabalho. Gabriel Barbosa voltava aos onze iniciais, enquanto Léo Ortiz retornava à zaga. Pode parecer surpresa para alguns, mas olhando os onze completos, não se viu nenhuma improvisação. Uma escalação descomplicada, mas sem perder a elegância. 

A saída de bola foi dada pelos visitantes, mas a nossa equipe não gostou disso. A pressão foi iniciada no primeiro momento e com quarenta segundos Arrascaeta rouba a bola. A triangulação com Nico e Gerson resulta em um cruzamento rasteiro, antecipado pelo goleiro adversário, mas já se notava a atitude que a nossa equipe teria nesse jogo. Outros dois fatores importantes foram previstos nessa jogada, o duelo entre nosso batalhão ofensivo contra nosso ex-jogador e a ansiedade desse goleiro em enfrentar o seu clube formador.

A primeira defesa difícil aconteceu aos três minutos, a segunda aos 16 e a terceira aos 30. Essa última seria para trazer o maraca abaixo, mas também traz um aspecto importante de um ajuste tático de Filipe Luis. As duas primeiras finalizações vieram de bolas roubadas na frente, mas logo depois da primeira, nosso técnico já avisou, o jogo era por fora. A terceira finalização já mostrava que o time tinha assimilado a instrução, mas a mais importante foi a finalização seguinte.

A jogada se inicia em uma cobrança de lateral do adversário. Pulgar dá o combate, Gerson arredonda e De la Cruz dribla e consegue espaço para a carregada. A jogada se direciona para o outro lado, expondo a fragilidade da linha de três volantes do adversário. Quando Bruno Henrique recebe, ele tem um leque de possibilidades, mas opta pela ultrapassagem de Alex Sandro por fora. Ao levantar a cabeça, ele vê uma área preenchida, três jogadores rubro-negros, mas ele vê algo mais vantajoso ainda. Uma antecipação do goleiro adversário em fechar o cruzamento, o canto estava exposto e a batida veio.

A nossa equipe se mantém no campo de ataque, pressiona e busca a finalização, mas nesse período, sem exigir a participação do goleiro adversário. Ainda assim, o primeiro tempo não se encerraria antes do nosso adversário dar a primeira finalização no jogo, um indício que nosso adversário poderia buscar o Gol de empate. Não foi o que o técnico adversário preferia. Para o segundo tempo, três alterações de jogadores e uma alteração tática. Três volantes virou três zagueiros e agora Bruno Henrique tinha um lateral mais descansado, mais jovem e mais protegido para bater.

Com a bola rolando, ainda se via fragilidades no meio-campo e ainda se via um Flamengo pressionante. Nosso adversário desejava voltar vivo para o jogo de volta e povoou a área, mas a mudança tática passou a exigir comportamentos diferentes da nossa equipe e nem sempre dava certo.
O jogo ficou mais aberto, a bola encontrou ambas as traves, mas nossa capacidade criativa era superior e continuamos exigindo grandes defesas do nosso ex-goleiro.

Nosso adversário esgotou suas alterações e agora, além de um time diferente do primeiro tempo, também possuía um meio-campo mais descansado. Pouco a pouco, nosso adversário foi ficando mais confortável com a bola. As entradas de Michael e Matheus Gonçalves renovam o fôlego, mas acabam não surtindo efeito no meio-campo. Até que acontece um escanteio, um bate e rebate e Léo Pereira precisa bloquear uma finalização em cima da linha. Mais alterações acontecem e o jogo se encerra.

Em um campeonato em que o resultado importa muito mais, voltamos para casa com um Gol de vantagem. Se for para falar de desempenho, temos mais perspectivas para o próximo jogo.
E vamos para mais.
SRN