A classificação para a final traz um sentimento de segurança. Temos a capacidade de superar qualquer obstáculo, mas na panela de pressão chamada Flamengo, até a mais tranquila paz traz polêmicas. É necessário se reafirmar todo dia. Nesse contexto e contando com a ascensão de Evverton Araujo e Michael aos onze titulares, retornávamos ao Campeonato Brasileiro
Logo aos dois minutos de jogo, um lance que passaria despercebido descreve muito bem com qual sentimento o Flamengo entrou em campo. Evertton Araujo, com a bola dominada no campo de ataque, cisca para cá, ajeita o corpo para lá. Busca a linha de passe, mas não consegue encontrar contra um adversário fechado.
Jogar fechado contra o Flamengo pode ser muito perigoso. Hoje esse ímpeto de jogar para a frente resolve parcialmente os problemas de entrada em último terço que tínhamos nas semanas anteriores. Junto com essa mudança também existe a mudança de confiança e de algumas peças ofensivas. Aos sete minutos esse ímpeto entregou resultado. Antes mesmo de perceber que sair por baixo era uma má ideia, nosso adversário tentou e entregou. Arrascaeta finaliza quando pode, mas Michael é quem faz no rebote. Aos onze minutos, Ayrton Lucas e Pulgar também tentam o Gol depois de pegar o rebote.
Nesse ritmo frenético, o Flamengo seguia no campo de ataque. Pressionando, arriscando jogadas e eventualmente criando perigos ao goleiro adversário. Mas eventualmente também, gerando chances de contra-ataque e em uma dessas chances o empate aconteceu. Uma coisa é jogar aceitando um eventual erro, outra coisa é sentir a fatalidade do erro na pele. No lance seguinte Michael obriga o goleiro adversário a trabalhar, mas aos poucos, a confiança no passe vertical foi se esvaindo. O time sentiu o golpe, mas não por tanto tempo. Dois lances do Gabriel Barbosa davam na cara que o Flamengo ia continuar tentando fazer o gol e se houvesse mais alguns minutos de acréscimo o segundo gol tinha saído lá na Sul ainda. Até gol contra quase teve.
Tanto que, logo aos dois minutos do segundo tempo Gerson sofre o pênalti para o especialista Gabriel cobrar. Falando em especialidade, bola aérea nunca foi a especialidade de Michael, mas se o lançamento é certeiro, a redonda se quer entra em disputa. O avanço rápido dá espaço e com a defesa desorganizada, Gerson apenas orquestra um gol fácil para a qualidade técnica dos jogadores envolvidos. O Flamengo concretiza a sua superioridade e dá uma folga que logo é retirada.
A confiança pode estar em alta, mas o fantasma da bola parada ainda assombra a nossa área. Se faltou alguém no rebote ou se faltou velocidade para abafar a finalização frontal, é incerteza. O sabido é que a recorrência de lances assim torna evidente a complexidade de uma jogada de três segundos. Ainda assim, se o lance poderia trazer dúvidas sobre a vitória, rapidamente nosso adversário resolveu tornar o nosso trabalho mais fácil. Com um a mais e com mais espaços para explorar o contra ataque, Plata marca o seu primeiro gol com o Manto Sagrado para fechar o placar.
Com o apito final, a confirmação da suspeita. O nosso time joga para frente, assume os riscos e paga para ver. A perfeição nunca existirá, errar faz parte do esporte e o Flamengo parece entender isso muito bem.
SRN
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