segunda-feira, 24 de junho de 2024

Fla-Flu, Tite-Diniz e Pedro-Martinelli

Sentirei falta dos duelos contra o Diniz. Um enfrentamento tático de altíssimo nível, zagueiros improvisados, ajuste pontuais em pressões e saídas de bola. Um duelo de estilos, o equilíbrio e compactação do Tite contra a ousadia e precisão do Diniz.

Minha atenção para esse dupla se torna especial quando Diniz é nomeado técnico da seleção. Já observada e aprendia com sua forma de montar o Fluminense desde antes, mas naquele momento, um embate que existia apenas no imaginário ganharia repertorio pratico. Além da inevitável comparação com seu antecessor Tite no comanda da seleção, o Adenor assume o Flamengo em outubro de 2023, forçando ambos a duelarem dentro de campo, o melhor tipo de amostragem possível.

Independente dos números, esses dois últimos duelos nos trouxe alternativas que justificam o patamar que os dois técnicos alcançaram nos últimos anos. A opção de Martinelli na zaga é a cara do Diniz, já tinha feito com o André anteriormente e precisando buscar o placar, era um risco completamente de acordo com o estilo do treinador. Por outro lado, Tite coloca o Pedro para ser marcado por ele e tenta explorar a vantagem física pelas bolas longas, uma opção quase obvia para quem percebe as qualidades e defeitos de cada jogador. 
É oito ou 80 para os dois lados, Quando o Flamengo tem a posse existe um duelo físico muito desequilibrado a favor do Pedro. Quando a bola fica com o Fluminense, Martinelli tem movimentações e capacidade de achar passes acima da media dos zagueiros no Brasil, seria o grande desafogo de pressão se marcado pelo pressionador menos dinâmico do ataque rubro-negro, o Pedro.
Por mais que Rossi não estivesse com o pé calibrado aquele dia, o duelo aconteceu em alguns momentos do jogo e nenhuma vantagem conquistada pelo Pedro conseguiu resultar em gol. Naquele dia Flamengo terminou apenas com uma grande chance criada e 37% de posse de bola.

Ontem a opção tricolor se manteve, mas a rubro-negra não. Com a exceção de um pequeno espaço de 15 minutos, o que mais se viu foi o Pedro marcando o Antônio Carlos e o Lorran no Martinelli. As opções de bola longa do Flamengo também passavam longe da dupla, a maioria visava as costas dos laterais tricolores. Tite abriu mão de uma jogada ofensiva com um ótimo potencial para uma pressão coletiva mais funcional, visando dificultar uma das principais características do rival.

Entre convocações, campanhas e duelos diretos o debate que surgiu ano passado deu amostragem o suficiente para uma resposta direta. Diniz não é mais técnico da seleção e nem do Fluminense. Nos embates diretos, foram cinco jogos, três vitorias rubro-negras e dois empates. Seis gols marcados pelo Flamengo para um sofrido. O campeão mundial de 2012 dominou suas classificatórias e copou a América uma vez. Tite é, há mais de dez anos e com certa distancia, o melhor técnico do Brasil.


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