domingo, 30 de junho de 2024

Uma hora a corda estoura

Depois de nove jogos invictos, depois de quatro jogos perdendo intensidade nos últimos 15 minutos do jogo e depois de três jogos conseguindo buscar o resultado sem perna, a nossa equipe é derrotada. A partida, que por um breve momento, pareceu que nos daria três pontos não nos deu nada. Um adversário que não vencemos desde 1997, um adversário que fez 20 jogos a menos que o Flamengo este ano.
A colcha de retalhos que chamamos de escalação precisou de mais um remendo. Além de Léo Ortiz, que parece estar a vontade na volância, Victor Hugo sobe aos onze iniciais. A duvida fica sobre a função e o posicionamento que o jovem exerceria. Dentre as possibilidades, ele poderia ser o segundo homem de meio-campo e assim, avançaria o Gerson para o lado esquerdo ou se o próprio camisa 29 faria essa lado.
O juiz apita, a bola rola e as equipes vão sentindo o jogo. Logo aos três minutos o time da casa já mostrava que não tinha muito para sentir não. Uma finalização sem muito ângulo, uma defesa fácil e um recado dado, Rossi iria ser acionado. Até a equipe rubro-negra finalizar, nos já havíamos sofrido três finalizações. Ainda assim, o jogo era equilibrado, ambos os times conseguiam alternar momentos de posse e quanto tinham a bola, buscavam o gol. Era mais que um jogo equilibrado, era um jogo divertido.
Mas jogo divertido para rubro-negro é vitória, e Pedro, como bom flamenguista, resolveu colocar um sorriso em nosso rosto. Não somente no gol de peito, mas nosso nove bolado sai da área, tenta o passe em profundidade. Mesmo sendo bloqueado, o facão dá espaço para Luiz Araújo receber a bola e enfrentar seu marcador sem dobra. O passe é tão perfeito que, mesmo com o zagueiro mapeando o Pedro, a jogada sai e o ataque do Flamengo guarda mais um.
O gol sofrido traz uma reflexão sobre o quão complexo é a elite do futebol brasileiro. Bola parada sempre foi um ponto forte do Tite, mas tem sobressaído mais nos últimos jogos. Há quem diga que é nosso maior ponto forte atualmente. Sofrer um gol assim é como provar do próprio veneno, se queimar com o ferro que fere os adversário. Contra a nossa marcação em zona, havia três no primeiro poste e três no segundo poste. Gerson viu a dobra no segundo, o passe veio no primeiro.
O empate se mantém até o intervalo e a entrada do Allan faz o Gerson ir para a direita enquanto Luiz Araújo se muda para a esquerda. Tite tentava de tudo para conseguir o controle do meio-campo. Gabriel também entra e chances são criadas nos dois lados do campo. A equipe mandante faz as quatro substituições restantes, fôlego passa a ser um componente decisivo na partida e como vimos nos últimos jogos, a perna não tem respondido igual ao coração.
O nosso adversário cresce bastante na partida, vira um jogo de ataque contra a defesa e quando ninguém tem mais pernas para frear o mandante, é necessário recorrer às mãos de Augustin Rossi. O Goleiro argentino, que vem sendo destacado pela liderança e energia nas ultima semanas, mostra que merece ser destacado pelo seu nível técnico também.
Tite faz alterações e nem foi possível saber se seriam o suficiente para segurar o empate. No primeiro lance após as mexidas, também de bola parada, Rossi é batido novamente. Restava um pouco menos de dez minutos, o coração gritava que era possível. Ayrton Lucas até chega a testar o goleiro dos caras, mas os mandantes nos fizeram provar um outro veneno. Dessa vez, o gol no final foi o deles e o resultado negativo que vinha sendo postergado a quatro jogos chega.
Graças a uma combinação de resultados, ainda somos líder, ainda temos o melhor ataque. Ainda somos favoritos a ganhar tudo que disputamos, com um sorriso um pouco menos intenso. Com um alerta ligado em nossa bola parada defensiva, mas com a certeza que Domingo se inicia uma outra sequencia invicta, no Maracanã, do jeito que a gente gosta.
E vamos para mais.
SRN

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