segunda-feira, 26 de agosto de 2024

A necessidade de um xodó em dias frios e chuvosos.

Chuva e frio não combinam com o Rio de Janeiro, nem com o Flamengo e nem com o Maracanã. O horário deixa o ambiente até mais estranho para um jogo de final de semana. Mas o jogo precisa ser jogado, com desfalques ou não. A improvisação da vez foi na lateral esquerda. Ortiz retorna para a zaga e joga Pereira para a lateral canhota. Na frente, Bruno Henrique entra como centroavante de movimentação.

Com a bola rolando, as escolhas se fizeram presentes tanto no ataque quanto na defesa. O zagueiro improvisado sentiu o início do jogo. A nova função o colocou fora de posicionamento e foi a principal falha explorada pelo nosso adversário no começo do jogo. Com a bola no pé, a diferença se dava pelas características individuais. Léo Pereira não tem a capacidade de condução e atacar que Ayrton Lucas tem, mas compensou com bons passes e viradas de jogo. Pouco a pouco, o Flamengo foi entrando no jogo, pouco a pouco, foi ganhando campo.

Já no campo de ataque, uma outra dificuldade poderia ser apresentada. Além da falta de jeito na função, a falta de entrosamento com nosso antigo xodó. Michael sempre foi caracterizado pela imprevisibilidade e pouco tempo de treino com alguém de fora da posição poderia complicar o nosso jogo. Outro fator agravante era Bruno Henrique, que por mais que trouxesse um mínimo entrosamento prévio de outro momento, jogava também improvisado.

Com a bola rolando, a complicação não existiu no primeiro tempo. Michael retorna ao Flamengo muito mais maduro e consciente do que saiu. Nosso menino maluquinho soube muito bem equilibrar as subidas de Léo Pereira, dando mais fluidez pelo lado esquerdo e também se apresentou à área quando Bruno Henrique ocupava a ponta esquerda. Ao todo, o Flamengo apresentou um quarteto ofensivo de muita mobilidade, dando muitas opções para nosso jogadores recuados, mas, em compensação, perdeu presença de área.

No próprio lance do gol esses fatores são explícitos. O Primeiro cruzamento, de Léo Pereira, vai atrás, não havia ninguém atacando a última linha adversária. A bola ainda é nossa e o passe de Pulgar gera mais uma rebatida da defesa. Até que sem demora, Luiz Araújo joga a bola novamente para a área. Apenas quem tem o coração quente poderia abrir o placar em uma noite atípica. O robozinho sente que o time precisava atacar aquele espaço e aproveita. Para provar que não era acaso, Michael quase fez o segundo se aproveitando do mesmo espaço, mas mais uma vez o goleiro adversário cresce contra o Flamengo e evita que o primeiro tempo virasse com uma vantagem maior.

Retornando ao campo com os lados trocados, nosso adversário faz uma alteração que coloca o time mais à frente. Chances são criadas para ambos os lados, mas esse tipo de jogo não favorece quem está afrente do placar, principalmente se sua equipe tem um defeito crônico nas bolas paradas. Mais uma vez essa falha é exposta, mas igual a La Paz, esse defeito não custou o resultado.

A jogada da vitória retrata muito bem um velho ditado do futebol: O atacante só precisa acertar uma para fazer o gol, o defensor só precisa errar uma para levar o gol. Depois de uma boa virada de Allan, Gerson aciona nosso jogador que mais tenta jogadas. Luiz Araújo já havia entregado uma assistência nesse jogo e obrigado o goleiro adversário a fazer boas defesas. Sem bola, ele corre, divide e ajuda a equipe da maneira que pode. O drible seco apenas consagra o jogador pelo folclore da posição, o Gol recompensa pelo esforço. Na súmula é marcado como contra, mas recompensa aqueles que forçam a defesa adversaria à perfeição, aguardando o único erro para fazer o gol.

Depois de três rodadas, voltamos a somar três pontos. Depois de apenas uma vitória nos últimos seis jogos, o triunfo de ontem traz um pouco mais de tranquilidade para a única equipe do G4 que pode ser campeã dos três maiores títulos da temporada.
E vamos para mais,
SRN
Quando a falta de ar vem, a perna cansa. Quando se tem 10 jovens no banco, o risco é altíssimo. Tão alto quanto La Paz. Não existe técnica que resista à altitude e nossa equipe estava com opções estratégicas limitadas. A opção de Léo Ortiz dava uma alternativa de se adaptar ao jogo. De volante, propõe um combate mais avançado e retém mais a posse de bola. Mas se o adversário abusasse dos cruzamentos, ele viraria zagueiro e povoaria a zona mais perigosa do jogo.

A marcação começa em bloco médio, mas em alguns momentos específicos o Flamengo subiu para tentar roubar a bola perto do gol adversário. Quando se tem pouca perna e pouco ar, tem que se escolher bem os momentos que se vai usar. Ao mesmo tempo que marcar naquela altura pouparia um pouco o fôlego do jogo, também desafiava nosso adversário a criar por baixo, evitando bolas longa e diminuindo o senso de urgência.

Em um intervalo de quatro minutos ambos os times criaram suas melhores chances no primeiro tempo. Primeiro Rossi faz uma intervenção que poderia ter sido muita mais complicada. Pelo lado rubro-negro, Gerson não consegue sustentar o duelo físico e tem sua finalização prensada. O primeiro tempo se foi sem ter mais grandes jogadas e ter virado com o placar zerado foi uma pequena conquista da nossa equipe.

O Flamengo volta para o segundo tempo sem alterações, mas com dois minutos e meio de atraso. Dois minutos e meio a mais em máscara de oxigênio. Com menos de um minuto, aqueles que não sentem a altitude deram a primeira finalização no segundo tempo. Uma clara demonstração que o nível de urgência mudou. Depois da defesa, Rossi fala algo para a bola. Eu não sei fazer leitura labial em espanhol, mas parece que a bola gostou do que ouviu.

Aos seis minutos, Ayrton Lucas fez o que faz de melhor. Cria uma jogada carregando a bola, entra na área com sobras, equilibrado, mas a finalização sobe e o que poderia ter sido o gol da classificação nos escapa. Em jogos eliminatórios, uma equipe do nível do Flamengo precisa guardar, pelo menos, uma das chances criadas até ali. Altitude sempre será um fator importantíssimo em qualquer jogo acima de dois mil metros, mas existem outros fatores também, e nossa equipe não conseguiu trazer a tranquilidade para esse jogo.

Muito pelo contrário. Após uma boa condução, o ponta adversário já recebe a bola com a marcação quebrada, faz a fila e finaliza no travessão. A torcida se empolga, até demais, mas perceberam que faltava "Libertadores" no time mandante. Depois de criar chances por baixo, se utilizando de bons posicionamentos, boas tomadas de decisão e bons passes, a alternativa era o chuveirinho. O cruzamento encontra o camisa 10 deles, mesmo Rossi tocando na bola, não evita o Gol adversário.

23 segundos depois do reinicio do jogo, os mandantes conseguem uma boa finalização que Rossi espalma para escanteio. As cobranças curtas viraram cruzamento e a saída por baixo viraram bolas longas. O abafa estava oficialmente decretado e nosso melhor candidato a herói também. A nossa equipe até consegue girar um pouco a bola, cavar algumas faltas e esfriar o clima do jogo. Mas as alterações adversarias deram mais que um fôlego extra, elas reorganizaram o time adversário, colocando mais um jogador atacando nosso bloco defensivo. 

Vendo o time cair fisicamente e também o adversário colocar mais jogadores no ataque, nosso técnico responde com uma alteração dupla. David Luiz e Bruno Henrique entram, dando mais segurança contra as bolas aéreas e uma opção mais descansada para contra ataque. Gerson ficou centralizado para tentar reter um pouco a bola, mas já tava esquisito, segundo ele mesmo. Evertton entra e o Flamengo aceita uma estratégia única para o jogo, sobreviver. Se a Bola quiser, um contra ataque.

O contra ataque só veio depois que Rossi já houvesse feito duas grandes defesas. Exigir muitas defesas do próprio goleiro nunca é bom, mas o jogo é jogado e nenhuma equipe é perfeita. Sendo assim, os grandes goleiros aparecem nos grandes momentos e ontem, Rossi foi aquilo que o Flamengo precisou. Entre intervenções aéreas, desvios e defesas seguras, o argentino honrou o manto dourado de Raul Plassmann e Diego Alves. A expulsão veio só para dar um descanso para o jogador da partida.
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SRN


segunda-feira, 19 de agosto de 2024

O Golpe mais duro do Trabalho parte 2

Competição em alto nível não dá brecha, seja na questão física, na disponibilidade do elenco ou em erros específicos. E está tudo conectado. O jogador que está bem fisicamente domina melhor a bola. O jogador que está confiante faz as jogadas serem mais assertivas. Não existe nenhuma resposta correta para o acontecimento deste domingo, mas existem pontos que ajudam a encaminhar outros pontos.
Havia muito mistério sobre a escalação rubro-negra. Qual o nível de titularidade que nossos onze iniciais possuiriam? Apesar dos indisponíveis, existia um bom conjunto de jogadores que poderiam iniciar o jogo e competir como o Flamengo merece. Certas escolhas eram óbvias, como Carlinhos na frente, mas a escalação de Léo Ortiz como volante nem tanto. Não chega a ser  uma surpresa também, o zagueiro até fez bons jogos quando foi exigido nessa função, mas acreditávamos que essa necessidade tinha acabado.
Com a bola rolando, nem deu para ver como seria o plano tático. O Gol que abriu o placar lembra um velho pesadelo da nossa equipe, mais uma vez uma bola alçada à área causa estrago. O jogo reiniciava, mas o pesadelo não parecia ter fim e mais uma vez perdemos um jogador chave para lesão. Restava apenas ter esperança em jogadores específicos.
O golpe foi sentido, mas Léo Ortiz estava encontrando cada vez mais espaços para progredir com a bola. Rossi faz a bola longa, depois da dividida, Victor Hugo fica com a bola, mas lá na direita, Wesley já fazia a amplitude, liberando o Gerson para o meio. Quando Léo Ortiz consegue carregar e achar o passe vertical, Gerson aparece como a opção óbvia e assim, força o zagueiro adversário a saltar nele. Com as costas expostas, aparece o passe arriscado, aquele que rasga todo o bloco defensivo do adversário para deixar o atacante em condição de olhar a saída do goleiro e cravar. Um passe de craque para um Gol de ídolo.
O intervalo anunciava uma mudança, a entrada do garoto Evertton no lugar do Gerson, mas existia uma outra mudança que só foi vista depois que a bola voltou a rolar. Léo Ortiz passou a jogar mais recuado e sendo menos exigido nas construções da jogada. Se no primeiro tempo conseguíamos utiliza-lo para controlar melhor a posse de bola, no começo do segundo tempo essa alternativa não existiu.
Nosso adversário crescia a cada passe e sem demoras, voltaram a ficar à frente do placar. A substituição dupla, que normalmente, é um folego extra ou um ajuste mais forte, pareceu uma enfermeira tentando realizar uma reanimação cardiorrespiratória. Sequer existiu ânimo extra após Rossi defender o pênalti. Flamengo se encontrou incapaz de produzir alguma resposta para os problemas do jogo e nosso adversário perdia chance atrás de chance.
Eles também cansaram, mas com o controle do jogo e na frente do placar, as mudanças não precisavam entregar tanto. Apenas o fôlego foi o suficiente para deixar explícita a diferença física, tática e técnica que foi demonstrada ao longo do jogo. 
Fechamos uma série de cinco jogos com bastante percalço, uma classificação conquistada apesar da derrota e nossa única vitória precisa ser confirmada com outra classificação.
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SRN

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Um dia faltará ar, ontem faltou perna.

Libertadores, mata-mata, vira a chave. O adversário é um velho conhecido da primeira fase. Há algum tempo, histórias se repetem e ontem era a oportunidade de reafirmar que éramos o melhor time daquele  grupo. Nossos onze iniciais não apresentavam surpresas. Antes mesmo da bola rolar, a opção por Luiz Araújo na ponta esquerda era a mais razoável. Com a bola rolando, não se teve dúvidas. 

A marcação alta começou junto com o apito inicial e com sete segundos de jogo já recuperamos a primeira bola. Após dois minutos de bastante briga, tivemos nosso primeiro escanteio e nossa primeira finalização. Mas também, a primeira grande defesa do goleiro adversário. Bola deles, era pressão alta. Bola nossa, era jogada pela direita. Sempre com senso de urgência elevado. Elevado até demais, em alguns momentos, se acelerava a jogada dando a impressão que se queria fazer logo o segundo gol, mas o placar ainda estava zerado. Com nervosismo ou não, o Flamengo ainda obrigava o goleiro adversário a trabalhar.

Tentativas geram erros, mas também geram acertos. Depois de tentar sair por baixo contra a nossa pressão diversas vezes, o nosso adversário consegue alguns avanços e consegue manter a bola longe do próprio gol. Mas eles tentavam esfriar o jogo, enquanto o nosso time tentava fazer o Gol. Em uma dessas tentativas, Fabricio Bruno ganha a dividida pelo alto e Pulgar arredonda para Léo Pereira. Nico estava com tanto espaço que o desespero para marcá-lo virou um cartão amarelo, mas já era tarde demais. Três toques de primeira e a bola está no peito do Pedro que serve Luiz Araújo para abrir o placar.

O placar muda, mas o jogo não. O jogo recomeça as 30:35, nove segundos depois, a bola é recuperada e com 30:52 De La Cruz finalizava. A água Flamenguista seguia batendo e a pedra boliviana tentava esfriar o jogo pela posse de bola. Até que em uma bola recuperada, nosso centroavante fica com o campo aberto para correr. Nossa grande derrota da noite acontecia, Pedro consegue o drible, mas depois da trombada, a posterior da coxa cede e ele sofre a lesão. Gabi entra em seu lugar, mas a água seguia batendo mas a pedra não cedia o segundo gol.

O segundo tempo se iniciava e, mais uma vez, o jogo não mudava. Ao mesmo tempo que o Flamengo já tinha provado que poderia fazer o segundo gol se caprichasse um pouco, nosso adversário também estava confiante na sua capacidade de bloquear nossas finalizações. Com 15 minutos do segundo tempo, o primeiro incômodo com o jogo e, por consequência, a primeira mudança. Uma mudança simples, que também já havia sido repetida em outros jogos, a inversão dos pontas.

Aos 20 minutos do segundo tempo, Carlinhos entra na vaga de Pulgar. Já tinha passado a hora do capricho, estava na hora de bater diferente, estava na hora do chuveirinho. Há quem diga que cruzamento é vergonha, há quem diga que vergonha é não tentar mudar. Aos 25 minutos Carlinhos justifica sua entrada. Sua cabeçada obriga o goleiro adversário a fazer a grande defesa do jogo. Mas o panorama do jogo não mudava, a água seguia batendo, mas a pedra seguia não cedendo.

O tempo passava, a pressão aumentava e o pessimismo aparecia. O segundo gol parecia cada vez mais distante. Nosso adversário já não conseguia esfriar o jogo pela posse. Os jogadores que não puderam sair pelo cansaço começaram a cair em campo. A água batia cada vez mais forte, até que a pedra furou. O gás extra pelo lado direito nos deu um escanteio e o incansável Luiz Araújo ficou encarregado pela cobrança. A batida rasante encontrou Léo Pereira, e mesmo com o desvio, o Gol foi inevitável. O 2 a 0 estava decretado, mesmo na falta de perna, pela bola parada, personagem especial nesse ano.

Levaremos um placar seguro para a montanha, mas lesões chegam e pernas se vão. Enquanto isso, nenhuma perna nova chega. Entramos no momento crítico da temporada sem nenhum reforço e com os sustos de hoje, recorreremos aos Garotos do Ninho para resolver essa situação.
E vamos para mais,
SRN

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Estratégias e Equilíbrio: Uma guerra terminada em três confrontos

Seguimos para o terceiro e último confronto contra a mesma equipe em duas semanas. Coincidências de calendário como esta trazem uma energia diferente ao duelo. São os mesmos rostos se enfrentando consecutivamente, psicologicamente e tecnicamente, se exige algo mais específico. Aquele nó tático da quarta-feira foi solucionado com três zagueiros, ontem Tite optou por voltar a uma linha de quatro defensores. Wesley, Everton e De la Cruz retornaram aos onze iniciais.

Com a bola rolando vimos que o nó desapareceu de forma coletiva, Tite ajustou as coberturas e mesmo quando a bola entrava nas costas dos nossos pontas, nossa defesa estava pronta para responder. Um ajuste que não conseguiu ser feito foi como defender o nosso lado esquerdo. Ayrton Lucas continuou fazendo ótimas carregadas para sair da pressão adversaria enquanto Cebolinha continuava tendo vantagem no seu duelo particular contra o lateral adversário.

Aos doze minutos o Flamengo é obrigado a realizar um ajuste, Everton sofre uma lesão, um azar enorme para o nosso melhor atacante de lado de campo. Luiz Araújo entra em seu lugar, um jogador que está mais que acostumado com esse confronto, mas não possui o refino do titular. Ainda assim, a bola gira e a nosso time consegue colocar o goleiro adversário para trabalhar. Sem gols, o primeiro tempo é encerrado 

No começo do segundo tempo, nosso adversário conseguiu manipular mais uma vez esse buraco ponta-lateral da nossa equipe. Aos sete minutos, mais uma vez o ajuste foi feito invertendo o Gerson e Luiz Araújo. Curiosamente, no meio do primeiro tempo na quarta feira, esse ajuste foi o tapa-buraco. Com a marcação novamente encaixada, pouco a pouco o Flamengo vai ganhando a posse de bola e nosso time vai ganhando mais o campo. 

No minuto 23, Nico se esforça, mas não evita a cobrança de lateral para o adversário. Sem demoras, o esforço recompensa e recuperamos a bola. Luiz Araújo carrega a bola para a ponta para abrir o adversário e depois de duas divididas seguidas Arrascaeta consegue direcionar a jogada para balançar o bloco defensivo adversário mais uma vez. Gerson entrando com o pé bom, joga a bola dentro da área e o esforço recompensa mais uma vez. O Mago Giorgian acompanha a jogada e a bola procura quem a trata bem. Abrimos o placar depois de muito esforço tático, físico, coletivo e individual. 

Depois das substituições, o Flamengo perdeu a capacidade de reter a bola. Na frente do placar, nossa equipe não quis arriscar saídas por baixo mas não tinha um pivô para ser alvo das bolas longas. Não atoa, a primeira vez que pisamos no ultimo terço do adversário, Gerson foi para o meio disputar a bola aérea.

Quase um prenuncio do que estava por vir. Nos dois últimos confrontos, a defesa flamenguista foi bastante testada nesse tipo de jogada. Se bola aérea já é uma das nossas principais fragilidades, ser testado por uma das melhores equipes nesse quesito é desastroso. Exposta pelo jogo, nossa defesa cede e falha mais uma vez nesse tipo de jogada. O empate só seria consagrado depois de dois jogadores se arriscarem por jogadas que fazem parte do jogo e levarem a pior. Viña sofre uma lesão em uma dividida fortíssima e o zagueiro adversário é expulso pelo segundo amarelo.

Um ponto foi somado nesse trabalho de formiguinha que é o Campeonato Brasileiro. Uma série de enfrentamentos terminados. Um embate tradicional, que só poderá ser repetido em uma eventual semifinal de Libertadores, mas até lá, ainda há muita água para rolar.
E vamos para mais,
SRN

domingo, 11 de agosto de 2024

Contra tudo e contra todos!

O jogo de 180 voltou da pausa. Resultados se mantêm no agregado, mas uma semana inteira aconteceu entre o apito final do jogo de ida para o apito inicial de ontem. Muitas coisas podem mudar, escalação, estratégia, mas talvez o mais importante seja o mando de campo e a importância do aspecto psicológico nesse tipo de jogo.

Não sei se seria melhor comparar com a escalação do último ou do penúltimo, mas a ausência de Nico de la Cruz era a única ontem. Uma ausência muito sentida, sua velocidade combinada com seu fôlego privilegiado são muito úteis quando se precisa recuperar a bola. Com ela no pé, faz carregadas e cadencia o jogo com a mesma maestria que tem para pressionar.

Com uma semana para pensar alternativas à nossa pressão encaixada e boa disputa de bolas longas, nosso adversário fez mudanças significativas, tanto na zaga quanto no ataque. Além de mais jogadores na saída de bola, um alvo mais forte para disputar a bola longa. As mudanças fizeram a diferença e por 15 minutos nosso adversário conseguiu explorar as costas dos nossos primeiros defensores para ganhar campo e tentar entrar na nossa área. Para isso, usaram de uma estratégia que apelava muito para o contexto psicológico do jogo. Nosso adversário não tinha o mínimo pudor em fazer chuveirinho na primeira chance que conseguisse. O objetivo era forçar uma falha da nossa defesa pelo volume, não pela qualidade. E foi o que aconteceu aos sete minutos, um rebote de bola parada, uma linha defensiva saindo sem organização e nossa maior fragilidade havia sido exposta cedo. Não poderia haver mais erros.

Alguns minutos se passam até Tite esboçar a primeira reação, Gerson troca de lado com Luiz Araújo. Pouco a pouco o time consegue trocar passes de forma mais tranquila, pouco a pouco vamos diminuindo a frequência que nossa defesa era testada. Mas jamais o time deixou de sofrer, toda oportunidade que nosso adversário tinha de testar nossa defesa, eles o faziam com bastante urgência. Sempre arriscando cruzamentos e sempre tentando minar o psicológico do nosso time. Nessa reta final de primeiro tempo, finalizamos três vezes e em duas vezes exigimos a participação do goleiro adversário.

O primeiro tempo acabou sem qualquer outra alteração no placar e Tite realizou outra mudança. Luiz Araújo saiu para a entrada de David Luiz e o time que tinha acabado de encontrar caminhos ofensivos, virou um batalhão de defesa antiaérea. Com a bola rolando, a alteração deu ainda mais campo para os eliminados da noite e ficou o sentimento que o único objetivo da nossa equipe era não sofrer o segundo gol.

A mudança ajuda a retirar o volume do adversário, mas cada cruzamento ficava mais perigoso que o anterior. O nervosismo aumentava, as divididas ficavam mais fortes e o limite de até aonde pode se utilizar dos braços passou a ficar turvo. Por milímetros o gol de empate não saiu, tanto para cá, quanto para lá. No final foi mais do que ataque contra a defesa, foi um time que só tinha uma jogada contra outro que só queria se defender. Mudou sistema, mudou nomes, mudou a quantidade de zagueiros mas o jogo ainda não terminaria sem antes nossa defesa falhar no último escanteio, ainda assim, sem causar o estrago final.

Flamengo se classifica apesar de ter se limitado bastante no jogo da volta, um time que preferiu jogar com o regulamento debaixo do braço que garantir uma passagem tranquila. Flamengo se classifica pelo grande primeiro jogo que fez.
E vamos para mais.
SRN

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Perdemos uma e perdemos muito

Futebol é um esporte muito complexo. Se convencer uma pessoa já é difícil, imagine convencer onze a correrem da mesma maneira. Cada pessoa tem um ponto de vista único, cada jogador tem uma visão sobre o que é certo sobre uma jogada. Talvez por isso esse esporte seja tão apaixonante e gere tantos debates intermináveis. Nossa escalação não gerou muitos debates para ser definida, está muito mais próximo de uma escalação reserva do que titular, ainda assim, é competente o suficiente para enfrentar o nosso adversário. Ou deveria ter sido.
Dentre as competências que já vimos esse grupo de jogadores ter, ao longo da temporada, uma delas é a marcação alta, outra é a bola parada ofensiva. Dentre as competência que não vimos, está a bola parada defensiva e a marcação em bloco médio. Com a bola rolando, não ironicamente, vimos bastante essas falhas no último jogo.
Com a bola rolando, vimos um Flamengo que priorizava cortar a linhas de passe por dentro e manter a compactação do time ao invés de pressionar o portador da bola. Uma escolha razoável, mas permitiu tempo suficiente para o nosso adversário movimentar a bola por fora, atrair o nosso time e virar o jogo rápido. Wesley foi muito exposto nesse tipo de jogada, uma jogada que gostaríamos que Bruno Henrique estivesse forçando no lateral adversário. Até Tite fazer a correção e colocar a dobra, metade do primeiro tempo já tinha ido embora em chances criadas pelo adversário.
25 minutos se passaram sem sofremos finalizações, o ajuste no lado direito tinha sido efetivo, mas não o ajuste na pressão da bola. Nosso adversário ainda tinha o controle da posse e a usava para buscar o nosso gol. Seus cruzamentos para a área não resultaram em defesas do Rossi nesse primeiro tempo. A entrada de Gerson no lugar de BH no intervalo seria uma alternativa para começar a marcação alta.
E assim foi no começo do segundo tempo. Pela primeira vez no jogo o Flamengo buscava equilibrar o jogo, colocando o adversário em posições desconfortáveis. Sem conseguir exigir defesas ao goleiro adversário, o Flamengo começou a exigir o seu jogo com pés e, sem demoras, marcar alto já deixou de ser uma alternativa viável. As variações entre saídas curtas e longas se mostraram efetivas nas duas maneiras e, para a nossa equipe, restava apenas perder os duelos e recompor a defesa para ceder a chance menos perigosa possível.
Aos 15 minutos do segundo tempo, nosso adversário conseguiu explorar outra deficiência no nosso time. Não é porque conhecemos o caminho das pedras das bolas paradas ofensivas que conseguimos ter uma boa bola parada defensiva. Marcação zonal não é uma tendência vitoriosa no futebol mundial, ainda assim, cada jogador tem a responsabilidade em um setor e não sobre um jogador. Não quer dizer que é uma zona, mas em nossa equipe parece ser. Com menos de 30 minutos para buscar o empate, nosso adversário tratou de esfriar o jogo com a bola no pé sabendo da nossa incapacidade em pressionar e o apito final aconteceu inevitavelmente.
Escolher colocar uma equipe reserva nessa rodada é um olhar, ter esses onze como reservas imediatos é outro panorama. Marcação zonal é uma perspectiva válida, marcação individual também. Não são fatos absolutos, são visões pessoais sobre o jogo. O que é fato? Que não ocupamos mais a liderança do campeonato, que não somos mais o melhor ataque do campeonato e que nosso aproveitamento seria o suficiente para ganhar dois dos últimos quatro Campeonatos Brasileiros.
E vamos para mais,
SRN



quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Ficou barato!

Noites de Copa sempre são diferentes. O ar fica mais denso e a bola fica mais quente, de queimar no pé. Um gol pode mudar tudo e ninguém quer ser vilão. Vale todas as superstições, usar camisa da sorte ou assistir ao jogo no mesmo local. Antes mesmo do jogo começar, nosso adversário percebeu que teria que usar de todas as artimanhas para nos desestabilizar. A alguns jogos atrás uns mineiros resolveram inverter os lados do campo para "tirar o Flamengo do conforto", ontem essa tática foi repetida.
Já do nosso lado, três alterações foram feitas desde o último jogo. De La Cruz volta ao meio-campo e nossa dupla de zaga foi formada por Léo Pereira e Fabrício Bruno. Com a bola rolando, o que se viu foi uma consequência das escolhas de cada time. Logo após o apito inicial, Ayrton Lucas percebeu uma dúvida de marcação no adversário e entregou a primeira chance do jogo para o Cebolinha. Com 17 segundos, o Flamengo fez a primeira finalização do jogo. O tiro de meta foi cobrado aos 57 segundos. Não haveria cera que parasse o nosso time ontem.
Aos dois minutos de jogo, nosso adversário fez sua primeira finalização, uma jogada que demonstrava bem a sua estratégia. Sair com bolas longas e, se ganhar a segunda bola, atacar rápido. Um "se" que só aconteceu uma vez. A partir daí, foi um bombardeio de chances para o Flamengo. Todas seguindo um roteiro bem parecido, bola longa do nosso adversário, dividida ganha pelo Flamengo e jogadas criadas pelo lado esquerdo. 
O ritmo só foi baixar quando Cebolinha sofreu uma lesão e precisou ser substituído. Luiz Araújo foi o escolhido para entrar. Um canhoto jogando na esquerda, quebrando o padrão do time. Pelo fato de estar jogando fora de posição, também possui menos entrosamento com o lateral daquele lado. 
Mas só isso tinha mudado, ainda conseguíamos forçar a bola longa e ainda conseguíamos ganhar a segunda bola. Por mais que o goleiro adversário estivesse menos preocupado, ainda dominávamos o campo de ataque. Girávamos pelo lado direito e falhávamos em entrar na área. Pelo lado esquerdo, a mesma coisa. Finalizamos o primeiro tempo com dez finalizações a mais, seis foram travadas e quatro para fora. A melhor defesa do Campeonato Brasileiro se esforçava muito para abafar nossas finalizações.
O segundo tempo começa, mudam os lados, mas não muda o jogo. Ainda com o domínio do campo de ataque, a cada toque de bola, nossa equipe tinha a oportunidade de tentar uma jogada diferente, algo que ainda não havia sido tentado no primeiro tempo. Nossa defesa seguia dominante, nossa pressão alta continuava efetiva. Até que em uma dessas bolas longas Léo Pereira já deixa no jeito para Pulgar acelerar de primeira para Gerson na entrada da área. Sabendo do abafa na batida, o Coringa engana a defesa inteira e três jogadores fecham o chute, dando espaço suficiente para Luiz Araújo aproveitar o corredor e achar Pedro. Um gol de quem tenta, chega perto, tenta novamente e erra, mas não desiste. Enquanto houver minutos, a arquibancada pulsa e a equipe busca.
Com o placar favorável, o Flamengo continuou buscando o domínio do campo de ataque, mas o adversário resolveu marcar mais alto e arriscar mais saídas por baixo também. Eventualmente, eles começaram a achar alguns buracos em nossa pressão, ainda assim, nossa defesa permanecia dominante e sequer uma finalização foi permitida. Nosso adversário ficava mais com a bola, até vermos por que eles fogem tanto da criação por baixo.
Depois da nossa equipe defender bem a própria área, não conseguimos recuperar a bola e mais uma vez nosso adversário trocava passes entre os zagueiros. Cada passe que nosso time trocava no primeiro tempo era uma oportunidade de criar, cada passe que o time adversário trocava era uma oportunidade da nossa equipe roubar a bola e criar o contra-ataque. Pedro lê a jogada e intercepta bem o passe. Tínhamos a bola, tínhamos o campo aberto e tínhamos superioridade numérica. Um contra-ataque ideal para o time letal. Segundo gol estava sacramentado pelos pés daquele que estava fora de posição, mas apareceu, duas vezes, no lugar certo na hora certa.
O jogo ainda não terminaria sem antes criarmos mais duas grandes chances de matar a classificatória. Mas se ontem não matamos o porco pelo placar, matamos pela forma que jogamos.
E vamos para mais,
SRN