Chuva e frio não combinam com o Rio de Janeiro, nem com o Flamengo e nem com o Maracanã. O horário deixa o ambiente até mais estranho para um jogo de final de semana. Mas o jogo precisa ser jogado, com desfalques ou não. A improvisação da vez foi na lateral esquerda. Ortiz retorna para a zaga e joga Pereira para a lateral canhota. Na frente, Bruno Henrique entra como centroavante de movimentação.
Com a bola rolando, as escolhas se fizeram presentes tanto no ataque quanto na defesa. O zagueiro improvisado sentiu o início do jogo. A nova função o colocou fora de posicionamento e foi a principal falha explorada pelo nosso adversário no começo do jogo. Com a bola no pé, a diferença se dava pelas características individuais. Léo Pereira não tem a capacidade de condução e atacar que Ayrton Lucas tem, mas compensou com bons passes e viradas de jogo. Pouco a pouco, o Flamengo foi entrando no jogo, pouco a pouco, foi ganhando campo.
Já no campo de ataque, uma outra dificuldade poderia ser apresentada. Além da falta de jeito na função, a falta de entrosamento com nosso antigo xodó. Michael sempre foi caracterizado pela imprevisibilidade e pouco tempo de treino com alguém de fora da posição poderia complicar o nosso jogo. Outro fator agravante era Bruno Henrique, que por mais que trouxesse um mínimo entrosamento prévio de outro momento, jogava também improvisado.
Com a bola rolando, a complicação não existiu no primeiro tempo. Michael retorna ao Flamengo muito mais maduro e consciente do que saiu. Nosso menino maluquinho soube muito bem equilibrar as subidas de Léo Pereira, dando mais fluidez pelo lado esquerdo e também se apresentou à área quando Bruno Henrique ocupava a ponta esquerda. Ao todo, o Flamengo apresentou um quarteto ofensivo de muita mobilidade, dando muitas opções para nosso jogadores recuados, mas, em compensação, perdeu presença de área.
No próprio lance do gol esses fatores são explícitos. O Primeiro cruzamento, de Léo Pereira, vai atrás, não havia ninguém atacando a última linha adversária. A bola ainda é nossa e o passe de Pulgar gera mais uma rebatida da defesa. Até que sem demora, Luiz Araújo joga a bola novamente para a área. Apenas quem tem o coração quente poderia abrir o placar em uma noite atípica. O robozinho sente que o time precisava atacar aquele espaço e aproveita. Para provar que não era acaso, Michael quase fez o segundo se aproveitando do mesmo espaço, mas mais uma vez o goleiro adversário cresce contra o Flamengo e evita que o primeiro tempo virasse com uma vantagem maior.
Retornando ao campo com os lados trocados, nosso adversário faz uma alteração que coloca o time mais à frente. Chances são criadas para ambos os lados, mas esse tipo de jogo não favorece quem está afrente do placar, principalmente se sua equipe tem um defeito crônico nas bolas paradas. Mais uma vez essa falha é exposta, mas igual a La Paz, esse defeito não custou o resultado.
A jogada da vitória retrata muito bem um velho ditado do futebol: O atacante só precisa acertar uma para fazer o gol, o defensor só precisa errar uma para levar o gol. Depois de uma boa virada de Allan, Gerson aciona nosso jogador que mais tenta jogadas. Luiz Araújo já havia entregado uma assistência nesse jogo e obrigado o goleiro adversário a fazer boas defesas. Sem bola, ele corre, divide e ajuda a equipe da maneira que pode. O drible seco apenas consagra o jogador pelo folclore da posição, o Gol recompensa pelo esforço. Na súmula é marcado como contra, mas recompensa aqueles que forçam a defesa adversaria à perfeição, aguardando o único erro para fazer o gol.
Depois de três rodadas, voltamos a somar três pontos. Depois de apenas uma vitória nos últimos seis jogos, o triunfo de ontem traz um pouco mais de tranquilidade para a única equipe do G4 que pode ser campeã dos três maiores títulos da temporada.
E vamos para mais,
SRN