quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Ficou barato!

Noites de Copa sempre são diferentes. O ar fica mais denso e a bola fica mais quente, de queimar no pé. Um gol pode mudar tudo e ninguém quer ser vilão. Vale todas as superstições, usar camisa da sorte ou assistir ao jogo no mesmo local. Antes mesmo do jogo começar, nosso adversário percebeu que teria que usar de todas as artimanhas para nos desestabilizar. A alguns jogos atrás uns mineiros resolveram inverter os lados do campo para "tirar o Flamengo do conforto", ontem essa tática foi repetida.
Já do nosso lado, três alterações foram feitas desde o último jogo. De La Cruz volta ao meio-campo e nossa dupla de zaga foi formada por Léo Pereira e Fabrício Bruno. Com a bola rolando, o que se viu foi uma consequência das escolhas de cada time. Logo após o apito inicial, Ayrton Lucas percebeu uma dúvida de marcação no adversário e entregou a primeira chance do jogo para o Cebolinha. Com 17 segundos, o Flamengo fez a primeira finalização do jogo. O tiro de meta foi cobrado aos 57 segundos. Não haveria cera que parasse o nosso time ontem.
Aos dois minutos de jogo, nosso adversário fez sua primeira finalização, uma jogada que demonstrava bem a sua estratégia. Sair com bolas longas e, se ganhar a segunda bola, atacar rápido. Um "se" que só aconteceu uma vez. A partir daí, foi um bombardeio de chances para o Flamengo. Todas seguindo um roteiro bem parecido, bola longa do nosso adversário, dividida ganha pelo Flamengo e jogadas criadas pelo lado esquerdo. 
O ritmo só foi baixar quando Cebolinha sofreu uma lesão e precisou ser substituído. Luiz Araújo foi o escolhido para entrar. Um canhoto jogando na esquerda, quebrando o padrão do time. Pelo fato de estar jogando fora de posição, também possui menos entrosamento com o lateral daquele lado. 
Mas só isso tinha mudado, ainda conseguíamos forçar a bola longa e ainda conseguíamos ganhar a segunda bola. Por mais que o goleiro adversário estivesse menos preocupado, ainda dominávamos o campo de ataque. Girávamos pelo lado direito e falhávamos em entrar na área. Pelo lado esquerdo, a mesma coisa. Finalizamos o primeiro tempo com dez finalizações a mais, seis foram travadas e quatro para fora. A melhor defesa do Campeonato Brasileiro se esforçava muito para abafar nossas finalizações.
O segundo tempo começa, mudam os lados, mas não muda o jogo. Ainda com o domínio do campo de ataque, a cada toque de bola, nossa equipe tinha a oportunidade de tentar uma jogada diferente, algo que ainda não havia sido tentado no primeiro tempo. Nossa defesa seguia dominante, nossa pressão alta continuava efetiva. Até que em uma dessas bolas longas Léo Pereira já deixa no jeito para Pulgar acelerar de primeira para Gerson na entrada da área. Sabendo do abafa na batida, o Coringa engana a defesa inteira e três jogadores fecham o chute, dando espaço suficiente para Luiz Araújo aproveitar o corredor e achar Pedro. Um gol de quem tenta, chega perto, tenta novamente e erra, mas não desiste. Enquanto houver minutos, a arquibancada pulsa e a equipe busca.
Com o placar favorável, o Flamengo continuou buscando o domínio do campo de ataque, mas o adversário resolveu marcar mais alto e arriscar mais saídas por baixo também. Eventualmente, eles começaram a achar alguns buracos em nossa pressão, ainda assim, nossa defesa permanecia dominante e sequer uma finalização foi permitida. Nosso adversário ficava mais com a bola, até vermos por que eles fogem tanto da criação por baixo.
Depois da nossa equipe defender bem a própria área, não conseguimos recuperar a bola e mais uma vez nosso adversário trocava passes entre os zagueiros. Cada passe que nosso time trocava no primeiro tempo era uma oportunidade de criar, cada passe que o time adversário trocava era uma oportunidade da nossa equipe roubar a bola e criar o contra-ataque. Pedro lê a jogada e intercepta bem o passe. Tínhamos a bola, tínhamos o campo aberto e tínhamos superioridade numérica. Um contra-ataque ideal para o time letal. Segundo gol estava sacramentado pelos pés daquele que estava fora de posição, mas apareceu, duas vezes, no lugar certo na hora certa.
O jogo ainda não terminaria sem antes criarmos mais duas grandes chances de matar a classificatória. Mas se ontem não matamos o porco pelo placar, matamos pela forma que jogamos.
E vamos para mais,
SRN

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