Quando a falta de ar vem, a perna cansa. Quando se tem 10 jovens no banco, o risco é altíssimo. Tão alto quanto La Paz. Não existe técnica que resista à altitude e nossa equipe estava com opções estratégicas limitadas. A opção de Léo Ortiz dava uma alternativa de se adaptar ao jogo. De volante, propõe um combate mais avançado e retém mais a posse de bola. Mas se o adversário abusasse dos cruzamentos, ele viraria zagueiro e povoaria a zona mais perigosa do jogo.
A marcação começa em bloco médio, mas em alguns momentos específicos o Flamengo subiu para tentar roubar a bola perto do gol adversário. Quando se tem pouca perna e pouco ar, tem que se escolher bem os momentos que se vai usar. Ao mesmo tempo que marcar naquela altura pouparia um pouco o fôlego do jogo, também desafiava nosso adversário a criar por baixo, evitando bolas longa e diminuindo o senso de urgência.
Em um intervalo de quatro minutos ambos os times criaram suas melhores chances no primeiro tempo. Primeiro Rossi faz uma intervenção que poderia ter sido muita mais complicada. Pelo lado rubro-negro, Gerson não consegue sustentar o duelo físico e tem sua finalização prensada. O primeiro tempo se foi sem ter mais grandes jogadas e ter virado com o placar zerado foi uma pequena conquista da nossa equipe.
O Flamengo volta para o segundo tempo sem alterações, mas com dois minutos e meio de atraso. Dois minutos e meio a mais em máscara de oxigênio. Com menos de um minuto, aqueles que não sentem a altitude deram a primeira finalização no segundo tempo. Uma clara demonstração que o nível de urgência mudou. Depois da defesa, Rossi fala algo para a bola. Eu não sei fazer leitura labial em espanhol, mas parece que a bola gostou do que ouviu.
Aos seis minutos, Ayrton Lucas fez o que faz de melhor. Cria uma jogada carregando a bola, entra na área com sobras, equilibrado, mas a finalização sobe e o que poderia ter sido o gol da classificação nos escapa. Em jogos eliminatórios, uma equipe do nível do Flamengo precisa guardar, pelo menos, uma das chances criadas até ali. Altitude sempre será um fator importantíssimo em qualquer jogo acima de dois mil metros, mas existem outros fatores também, e nossa equipe não conseguiu trazer a tranquilidade para esse jogo.
Muito pelo contrário. Após uma boa condução, o ponta adversário já recebe a bola com a marcação quebrada, faz a fila e finaliza no travessão. A torcida se empolga, até demais, mas perceberam que faltava "Libertadores" no time mandante. Depois de criar chances por baixo, se utilizando de bons posicionamentos, boas tomadas de decisão e bons passes, a alternativa era o chuveirinho. O cruzamento encontra o camisa 10 deles, mesmo Rossi tocando na bola, não evita o Gol adversário.
23 segundos depois do reinicio do jogo, os mandantes conseguem uma boa finalização que Rossi espalma para escanteio. As cobranças curtas viraram cruzamento e a saída por baixo viraram bolas longas. O abafa estava oficialmente decretado e nosso melhor candidato a herói também. A nossa equipe até consegue girar um pouco a bola, cavar algumas faltas e esfriar o clima do jogo. Mas as alterações adversarias deram mais que um fôlego extra, elas reorganizaram o time adversário, colocando mais um jogador atacando nosso bloco defensivo.
Vendo o time cair fisicamente e também o adversário colocar mais jogadores no ataque, nosso técnico responde com uma alteração dupla. David Luiz e Bruno Henrique entram, dando mais segurança contra as bolas aéreas e uma opção mais descansada para contra ataque. Gerson ficou centralizado para tentar reter um pouco a bola, mas já tava esquisito, segundo ele mesmo. Evertton entra e o Flamengo aceita uma estratégia única para o jogo, sobreviver. Se a Bola quiser, um contra ataque.
O contra ataque só veio depois que Rossi já houvesse feito duas grandes defesas. Exigir muitas defesas do próprio goleiro nunca é bom, mas o jogo é jogado e nenhuma equipe é perfeita. Sendo assim, os grandes goleiros aparecem nos grandes momentos e ontem, Rossi foi aquilo que o Flamengo precisou. Entre intervenções aéreas, desvios e defesas seguras, o argentino honrou o manto dourado de Raul Plassmann e Diego Alves. A expulsão veio só para dar um descanso para o jogador da partida.
E vamos para mais,
SRN
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