segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Perdemos uma e perdemos muito

Futebol é um esporte muito complexo. Se convencer uma pessoa já é difícil, imagine convencer onze a correrem da mesma maneira. Cada pessoa tem um ponto de vista único, cada jogador tem uma visão sobre o que é certo sobre uma jogada. Talvez por isso esse esporte seja tão apaixonante e gere tantos debates intermináveis. Nossa escalação não gerou muitos debates para ser definida, está muito mais próximo de uma escalação reserva do que titular, ainda assim, é competente o suficiente para enfrentar o nosso adversário. Ou deveria ter sido.
Dentre as competências que já vimos esse grupo de jogadores ter, ao longo da temporada, uma delas é a marcação alta, outra é a bola parada ofensiva. Dentre as competência que não vimos, está a bola parada defensiva e a marcação em bloco médio. Com a bola rolando, não ironicamente, vimos bastante essas falhas no último jogo.
Com a bola rolando, vimos um Flamengo que priorizava cortar a linhas de passe por dentro e manter a compactação do time ao invés de pressionar o portador da bola. Uma escolha razoável, mas permitiu tempo suficiente para o nosso adversário movimentar a bola por fora, atrair o nosso time e virar o jogo rápido. Wesley foi muito exposto nesse tipo de jogada, uma jogada que gostaríamos que Bruno Henrique estivesse forçando no lateral adversário. Até Tite fazer a correção e colocar a dobra, metade do primeiro tempo já tinha ido embora em chances criadas pelo adversário.
25 minutos se passaram sem sofremos finalizações, o ajuste no lado direito tinha sido efetivo, mas não o ajuste na pressão da bola. Nosso adversário ainda tinha o controle da posse e a usava para buscar o nosso gol. Seus cruzamentos para a área não resultaram em defesas do Rossi nesse primeiro tempo. A entrada de Gerson no lugar de BH no intervalo seria uma alternativa para começar a marcação alta.
E assim foi no começo do segundo tempo. Pela primeira vez no jogo o Flamengo buscava equilibrar o jogo, colocando o adversário em posições desconfortáveis. Sem conseguir exigir defesas ao goleiro adversário, o Flamengo começou a exigir o seu jogo com pés e, sem demoras, marcar alto já deixou de ser uma alternativa viável. As variações entre saídas curtas e longas se mostraram efetivas nas duas maneiras e, para a nossa equipe, restava apenas perder os duelos e recompor a defesa para ceder a chance menos perigosa possível.
Aos 15 minutos do segundo tempo, nosso adversário conseguiu explorar outra deficiência no nosso time. Não é porque conhecemos o caminho das pedras das bolas paradas ofensivas que conseguimos ter uma boa bola parada defensiva. Marcação zonal não é uma tendência vitoriosa no futebol mundial, ainda assim, cada jogador tem a responsabilidade em um setor e não sobre um jogador. Não quer dizer que é uma zona, mas em nossa equipe parece ser. Com menos de 30 minutos para buscar o empate, nosso adversário tratou de esfriar o jogo com a bola no pé sabendo da nossa incapacidade em pressionar e o apito final aconteceu inevitavelmente.
Escolher colocar uma equipe reserva nessa rodada é um olhar, ter esses onze como reservas imediatos é outro panorama. Marcação zonal é uma perspectiva válida, marcação individual também. Não são fatos absolutos, são visões pessoais sobre o jogo. O que é fato? Que não ocupamos mais a liderança do campeonato, que não somos mais o melhor ataque do campeonato e que nosso aproveitamento seria o suficiente para ganhar dois dos últimos quatro Campeonatos Brasileiros.
E vamos para mais,
SRN



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