segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Jogar no Mengo tem que ter disposição!

O jogo era outro, o campeonato era outro, mas a dor ainda era a mesma. Uma frustração de uma temporada não desaparece em um dia e esse era o primeiro jogo do Flamengo depois da eliminação da Libertadores da América. Nesse contexto, o nosso time retornava ao Campeonato Brasileiro, um título que já parece tão distante, que a vaga para a próxima Libertadores começa a ser ameaçada. A escalação era mista, mas com qualidade suficiente para dar a resposta que o Flamengo precisava.

Com a bola rolando, parecia que o jogo de quinta ainda não havia acabado. Um nervosismo e uma vontade de acelerar na hora errada gerou um erro na saída de bola, logo depois de completar um minuto de partida. A finalização foi de longe e foi para a fora, mas a primeira mensagem do jogo não era boa. Em resposta, nossa bola parada ofensiva. David Luiz tenta duas vezes, depois de receber o cruzamento de Matheus Gonçalves, mas na terceira tentativa, ele joga para o meio da área. Léo Ortiz direciona para o Gol, já com o goleiro batido, o zagueiro adversário intercepta a bola no último momento.

O panorama geral do jogo era posto, teríamos o controle da posse de bola e jogaríamos contra um adversário fechado. Em contraponto, nossos erros de passe seriam punidos com contra-ataques. Sendo mais específico, existia um duelo específico que nosso adversário buscava explorar. A falta de maturidade, emocional e técnica, de Wesley permitia que ao ponta adversário encurtasse a marcação para uma dividida de corpo. Apesar de algumas perdas, nenhuma resultou em um gol sofrido e seu volume ofensivo foi apenas traduzido em finalizações de longe.

O primeiro tempo se encerrou com ar de nostalgia, mas não aquela boa. Mais uma vez a nossa equipe precisava fazer um Gol e mais uma vez falhávamos em exigir grandes intervenções do goleiro adversário. O segundo tempo retorna igual, sem mudanças de jogadores e sem mudanças na maneira que o jogo era jogado. Até que com 15 minutos, jogadores com maiores minutagens de titular entram em campo. Já na primeira oportunidade, participam de um lance minimamente promissor. Wesley ultrapassa por fora, o cruzamento vem sem sucesso. Arrascaeta briga, Alex Sandro recupera e gira para Bruno Henrique finalizar. 

O lance foi promissor, mas não voltou a se repetir. O Flamengo volta a circular a bola em seu campo ofensivo sem conseguir entrar na área adversária. Mais alterações aconteceram, Léo Pereira e Nico de la Cruz também são acionados para o jogo, mas, novamente, o primor técnico esperado desses jogadores não se concretiza em grandes chances.

Minutos iam se passando e nosso time seguia ocupando o campo de ataque. O cruzamento de Alex Sandro para Gabriel Barbosa explora um aspecto do jogo que nunca foi especialidade do centroavante. Quando se ocupa o campo de ataque e as combinações de passes não entram, a ansiedade manda jogar a bola na área e ver se a sorte nos sorri. O cruzamento de Léo Ortiz encontra Arrascaeta no segundo poste, ele alcança com o bico da chuteira para não perder a posse de bola. Depois de uma tabela com Alex Sandro, Gerson é acionado em um passe de retorno e rapidamente solta para de la Cruz. O Uruguaio manda a bola novamente para a direita, dessa vez para Wesley que dribla para o pé preterido cruzar a bola para área. A bola encontra, novamente, o capitão e segue em direção ao barbante.

Os três pontos foram postos na conta, mas as tentativas da equipe esbarraram na falta de criatividade no ataque. Ainda existem objetivos a serem alcançados e, pelo que foi demonstrado ontem, só a vontade não será suficiente.
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SRN

Um sonho a menos

A pior parte de sonhar é acordar. É sentir a frustração de que nossos desejos não são realidades. É esticar a mão para tocar em uma estrela e não encostar em nada. Ontem o sonho interrompido veio aos poucos, desde semana passada, como se jogassem um balde de água fria nos sonhadores que se recusavam a acordar.

Comparando à quinta passada, uma alteração foi feita nos onze iniciais. Léo Ortiz assume a vaga no meio-campo, como rogado por muitos. Preces essas que não chegaram ao campo, a opção do Léo Ortiz não foi o suficiente para quebrar a forte defesa uruguaia e, mais uma vez, o torcedor rubro-negro viu o seu meio-campo pouco criativo.

Com a bola rolando, houve um ímpeto de esperança. Uma jogada pela esquerda, um cruzamento para a área e Gonzalo Plata preenchendo a área para equilibrar o time. A finalização foi defendida, mas para um time que precisa fazer um gol, o começo era próspero. Preocupado em se defender, nosso adversário não nos pressionou alto, as dificuldades eram impostas da intermediaria defensiva para frente. Ainda assim, nossos zagueiros tinham certa liberdade para circular a bola por fora, nosso adversário facilitava esses passes, em contraponto, protegia a frente dos zagueiros.

O tempo foi passando, a bola foi girando e o começo animador foi comprimido pelos ajustes uruguaios. Nossa equipe ainda tinha o controle da posse de bola, mas não tínhamos o controle do jogo, fazíamos o que o nosso adversário queria. Terminaríamos o primeiro tempo com mais duas finalizações, nenhuma delas capaz de exigir uma intervenção do goleiro adversário. O sonho não havia sido encerrado, mas já estava ficando com cara de pesadelo.

O segundo tempo se iniciou sem alterações de jogadores. Tite escolheu dar mais 15 minutos para o seu plano de jogo inicial. Apesar de serem os mesmos onze inicias, uma coisa havia mudado, agora restavam menos 45 minutos para buscar o gol que empataria a somatória. Cada minuto que que passava, o nervosismo aumentava e o soar do alarme ficava mais próximo.

Depois de 15 minutos jogados sem fazer o goleiro adversário trabalha, as primeiras mudanças acontecem. Gabriel Barbosa e Wesley entram em campo. As alterações colocam o Flamengo em uma forma mais padronizada, mas também equilibrada, não respondendo ao nível de urgência que o jogo pedia. Urgência que foi muito mal assimilada depois das alterações. Nossa equipe confundiu velocidade com pressa e pela primeira vez no jogo, nosso adversário conseguiu ocupar o campo de ataque.

Minutos preciosos são perdidos e mais substituições acontecem. Ayrton Lucas entra para renovar fôlego, mas a entrada de Matheus Gonçalves e David Luiz que recoloca o Flamengo na direção do objetivo. David Luiz entra gesticulando e dando comandos e Matheus Gonçalves se movimenta, busca jogadas. Do pé dele vem a jogada que exigiu a segunda defesa do jogo. A finalização que deveria ter vindo mais cedo, se quisesse provar que as orações para São Judas Tadeu estavam chegando.

O jogo acabou e o nosso maior sonho se encerrou junto com o apito final. Ainda temos alguns dias de feira para terminar o ano. Será necessário muito trabalho para realizar algum sonho que existe, mas desde que o maior problema da temporada se apresentou, Tite parece não encontrar soluções dentro do elenco para fazer o Flamengo voltar a ser o melhor ataque do Brasil, fora os outros problemas que já foram levantados antes.

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SRN

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Golpe Físico, Resposta Mental: Maturidade e Juventude

Um jogador de futebol pode ter diversos talentos, alguns mais fáceis de se ver e outros mais difíceis. Alguns talentos são mais passíveis de interpretação do que outros. Dentre essas valências, é de conhecimento comum quatro grandes categorias: o técnico, o tático o físico e o mental. O drible, a agilidade, a inteligência, etc., cabem dentro dessas definições. Ao ver a escalação rubro-negra, notava-se uma grande ausência de experiência, com exceção de três ou quatro jogadores.

Com a bola rolando, a diferença física entre os dois times era notável. Não em quem era mais rápido, mas quem era mais forte. O primeiro gol nasceu assim. Allan não resistiu à dividida e foi ao chão, a bola sobrou e o chute veio forte. Sair atrás no placar é um golpe mental muito duro, é preciso ter maturidade para ser resiliente. E foi o que essa equipe teve. Dominávamos a posse de bola, mas nosso time não conseguia criar chances claras, a única defesa do goleiro adversário tinha sido quando o placar estava zerado.

Até que, com 24 minutos no relógio, o Flamengo se espaça na saída de bola. Alcaraz tem a visão para encontrar o espaço, Cleiton tem a coragem para dar o passe. Depois de conseguir conduzir de cabeça erguida, Charly coloca Matheus Gonçalves no mano a mano contra a defesa adversária. Nosso menino tem a ousadia para partir para cima e a técnica para realizar um drible curto e uma finalização primorosa. Uma combinação rara e que gera tantas alegrias. O primeiro tempo ainda não se encerraria sem antes proporcionar grandes chances para ambos os lados.

No retorno para o segundo tempo, ainda controlávamos a posse de bola, mas nosso adversário se mostrava mais incisivo quando podia atacar. Em uma dessas tentativas a equipe gaúcha consegue alterar o lado da jogada mais rápido que nossa defesa consegue se adaptar. Não conseguimos criar superioridade numérica, nosso sistema de coberturas é manipulado e por mais que o gesto técnico de Matheus Cunha não tenha sido o ideal, o oportunismo individual só foi possível devido a toda a sequencia de jogadas.

Novamente esse grupo de jogadores tinha sua resiliência testada, novamente eles precisavam retomar o placar, mas dessa vez, algo diferente aconteceu. Dentre as milhões de interpretações possíveis entre a dança de braços entre Carlinhos e seu marcador, a arbitragem e o VAR viram o suficiente para expulsá-lo. Agora o buraco ficava mais embaixo, recuperar o placar é difícil, com um a menos, mais ainda.

A marcação continuava alta, nosso time ainda tentava trocar passes e construir jogadas, mas a diferença numérica sempre se fazia presente. Pouco a pouco, essa escolha coletiva vai custando mais caro. Pouco a pouco nosso time vai ficando mais cansado e o jogo vai esfriando. A situação só piora quando as substituições acontecem. Uma dupla experiente e descansada se aproveita e sacramenta o terceiro gol. Um gol que resolveria o jogo, pela situação até ali.

Mas Evertton Araújo mostrou que não desistir faz parte da sua personalidade. Entre dribles, força e bravura, decide fazer tudo sozinho e realiza uma ótima carregada. Na hora da finalização, o goleiro adversário aparece, mas Felipe Teresa mostra que estrela não tem idade e faz seu primeiro gol como profissional. Não foi o suficiente para trazer o empate, mas serve para dar um pouco mais de esperança em dias melhores, manter a fé na molecada sempre é justo.

Um jogo que não trazia boa perspectiva antes mesmo de começar se confirmou, com pontos positivos e negativos, mas nenhum somado na tabela.
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SRN

domingo, 22 de setembro de 2024

O caldo começa a azedar

Meios de semana já possuem uma inquietação particular pelo costume eliminatório dos jogos. Em dia de Libertadores, é mais especial. É muito mais que projeto, que planejamento, é obsessão. Fomos de encontro a essa inquietação com apenas uma mudança, em comparação com o último jogo. Léo Ortiz dá a vez para Nico de la Cruz.

Com a bola rolando, algo coletivo superava o individual. A inquietação virou nervosismo e passe fácil ficou difícil. Aos oito minutos, um passe errado no meio campo pega toda a nossa defesa desprevenida. Inclusive Rossi, que já se posicionava fora da área. Sorte nossa que a bola não teve direção, mas sorte tem limite. 

O Flamengo ocupava o campo de ataque, por desejo dele, mas também por desejo do adversário. Plata tenta a jogada pela canhota, perde, briga e recupera. A bola gira até Pulgar, que tenta acionar Bruno Henrique no pivô, enquanto isso, Varela infiltrava pelo lado direito. A rebatida cai no pé errado, nosso único azar do lance. O passe veio de um volante, nossos dois laterais estavam próximos da última linha adversária. O campo estava aberto, com poucos jogadores para defender, o contra-ataque foi de manual e o placar estava aberto.

E só depois do placar aberto que conseguimos realizar nossa primeira finalização. A ansiedade vira impaciência e Fabricio Bruno, já na intermediária ofensiva, busca Bruno Henrique. Estava longe, a bola foi forte e Plata faz a bola beijar o pé da trave. Um lance que poderia descrever todo o jogo. Uma defesa alta, cruzamento na área e um sentimento de "poderia ter sido Gol" depois da tristeza lampejar.

A incapacidade de empatar no lance seguinte trouxe ainda mais nervosismo e somente no final do primeiro tempo fomos testar o goleiro adversário novamente. Em uma rara oportunidade de aceleração, Gerson acha Arrascaeta fingindo ser ponta direita. O cruzamento foi preciso, o alvo era o ideal, mas o zagueiro adversário consegue atrapalhar o suficiente para a cabeçada não ter muito perigo. Perigo teve quando Arrascaeta buscou o canto inferior, ou quando Plata achou Gerson perto da marca do pênalti. Nenhuma das finalizações trouxe alívio para a torcida e o primeiro tempo se encerrava.

O segundo tempo se iniciou e apenas uma sutil alteração era feita. Wesley por Varela é uma opção explicita pelo volume ofensivo, mas a primeira jogada do segundo tempo ainda trazia resquícios de inquietação, dessa vez traduzida de receio. Nossos defensores trocam passes laterais por um minuto até Alex Sandro realizar uma carregada e alçar uma bola longa visando Wesley na ponta direita. Em momento algum Flamengo buscou entrar no bloco adversário. Mesmo a jogada envolvendo dois laterais no plano ofensivo, Alex Sandro dá o passe e já se reposiciona, enquanto Nico e Gerson se aproximavam do Wesley para disputar a segunda bola.

Pelos pés desse rapaz, inclusive, que saíram as melhores chances do segundo tempo. Todas elas passando pelos pés de Bruno Henrique também. Seja depois de dois passes particulares ou depois de duas carregadas. Nenhuma delas foi capaz de superar o goleiro adversário e nem capaz de incendiar o jogo. Outras substituições também aconteceram, mas a inquietação também se mostrou presente em quem vinha do banco. Seja em erros de passes bobos ou bolas longas com muita força.

Jogar o primeiro jogo em casa na Libertadores traz uma responsabilidade muito grande. Nosso adversário é qualificado, tem camisa. É necessário jogar a ansiedade para o outro lado. Um elenco bicampeão da Libertadores deveria ter mais facilidade em lidar com essa ansiedade, com essa responsabilidade. Não vimos um time com essa compostura, vimos um time incapaz de solucionar os problemas que o jogo pedia.

Os últimos 30 dias não têm sido muito felizes para o nosso time. Entre lesões e reposições, nossa equipe passa pelo momento mais difícil da temporada e a sensação de hoje é que tem algo azedo nesse prato. Talvez dê para salvar algum ingrediente, talvez a temporada termine na lama.
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SRN

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Maturidade para fazer, maturidade para manter.

Agora classificado e a quatro jogos de um título, o Flamengo retorna ao Campeonato Brasileiro, onde necessitamos de um número maior de vitórias para sermos campeões. Nossos onze titulares apresentavam duas estreias, Alex Sandro e Gonzalo Plata vestiam rubro-negro pela faixa canhota. Léo Ortiz parece ter tomado conta da volância e Bruno Henrique liderava o ataque novamente.

O jogo começa brigado, enquanto os pulmões estavam limpos e a confiança em alta, nosso adversário ganhou divididas e alguns escanteios, até que os estreantes resolveram aparecer. Plata preenche a área e Alex Sandro faz a jogada, a finalização vai para fora, mas começa o jogo ofensivo da nossa equipe. Luiz Araújo também finaliza uma jogada, mas o azar das lesões ainda assombra nosso vestiário e De Arrascaeta entra em seu lugar.

Até os 31 minutos de jogo, o Flamengo pressionava, conseguia a bola, trocava passes e criava chances. Na melhor ocasião, o goleiro adversário impediu que Pulgar fizesse o gol que poderia lhe devolver a confiança. Ainda assim, nenhuma chance foi tão particular quanto a que criamos quando roubamos a bola no campo de ataque. Com um histórico de fazer gols difíceis, Arrascaeta ficou em choque quando se viu sozinho com o goleiro e o passe atrás não favoreceu a finalização. Um lance clássico para pessimista fazer a festa e soltar aquele famoso "Esse jogo vai ser zero a zero".

O jogo, não, mas o primeiro tempo foi. Na volta para o segundo tempo o Flamengo se mostrava um pouco mais incisivo, mas com as mesmas características do primeiro tempo. Quando era pressionado, saia por baixo em velocidade, mas também afundava o bloco defensivo adversário quando podia. Aos 16 minutos somos pressionados, mas Arrascaeta consegue se livrar da marcação e acha um bom passe em profundidade, a finalização de Bruno Henrique belisca o pé da trave. Aos 23, nosso adversário se fecha, mas Gerson e Giorgio trocam passes para Alex Sandro ter tempo e espaço para jogar na área. Wesley e Carlinhos estavam presentes, mas Léo Ortiz acerta a trave. O gol estava ficando maduro.

Até que aos 26 minutos, Plata tenta uma arrancada, mas é fechado, o passe de recuo da tempo para Ortiz fazer o que sabe. Wesley rompe em velocidade e o passe coloca o cinco flamenguistas atacando quatro defensores. A dinâmica dentro-fora acontece, Arrascaeta recebe na zona mais perigosa, atrai a marcação e dá espaço para Gerson se equilibrar e só tirar do alcance do goleiro adversário. Um gol que já estava sendo ensaiado há muito tempo.

Mas que teve de maturidade para fazer o gol, faltou para controlar o jogo. Nossa equipe continuou atacando com o mesmo ímpeto de antes, correndo os mesmos riscos. Poderia ter feito o segundo, poderia ter tomado o empate. Levamos o empate com gosto de derrota.

Em uma rodada nada agradável, somamos um ponto nessa maratona e ainda estamos com um jogo a menos, mas precisamos mesmo é de uma boa sequência para retornar a briga pelo Campeonato Brasileiro.
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SRN
 

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Rumo ao Penta - Ato 2

Retornemos da Data FIFA após onze dias. O final de jogo melancólico deixou um gosto amargo depois de uma sequencia não tão saborosa. O cenário para o retorno trazia um ótimo potencial. Uma eliminatória, um jogo em casa, um placar que já nos favorecia, mas também um adversário que já nos apresentou algumas dificuldades.

Para finalizar a sequência que começou no dia 20 de Junho, o jogo de Outubro pouco importa agora. A escalação de Evertton Araújo vem para solucionar um problema que existe hoje, um problema que exige mais do que um jovem pode oferecer e por isso, Léo Ortiz é sua dupla. Uma escolha de volantes bem peculiar para o momento. Mas, para fazer um bom jogo, é preciso conhecer bem a receita da função, do mesmo jeito que é bom saber o passo a passo antes de fazer um pudim.

Quando se coloca o pudim em banho-maria, o objetivo é evitar que o pudim aqueça demais. Se queimar, o amargo vai aparecer no lugar do doce. Como nosso adversário tentou fazer aos cinco minutos de jogo. Conhecemos bem o xará do nosso jovem titular, com um espaço que já havia sido visto em outros confrontos, ele tentou subir a temperatura do jogo.

Não era algo que o Flamengo queria, nossa equipe tinha que manter o controle da partida. Depois do susto, Gerson obriga nosso adversário a fazer a primeira defesa do jogo. Em uma jogada não tão trabalhada, em uma finalização não tão boa, mas de um jeito ou de outro, o Flamengo começava a impor a sua estratégia. Seja na cabeçada de Léo Pereira, ou na assistência interceptada de Luiz Araújo, ou na melhor chance do primeiro tempo. Bruno Henrique finaliza na pequena área depois do bate e rebate. O placar zerado nos classificava, mas se fosse para sair um gol, ia ser rubro-negro.

O Juiz apita e muda os lados, o que não mudou, foi o ritmo do jogo. Aos seis minutos, Bruno Henrique segue sozinho, contra 4 adversários, descola uma finalização precisa e ganha o escanteio. A partida seguia em banho-maria, com a temperatura controlada.

Nesse ritmo nossa equipe consegue contornar a pressão adversária e Léo Ortiz consegue levantar a cabeça para fazer o passe vertical. O destino era Arrascaeta, a bola é interceptada, dando uma dose de aleatoriedade a jogada. Quando a bola retorna aos seus pés, ele toma a decisão de quem prefere jogar para frente do que para trás. Bruno Henrique tem a velocidade para ganhar do zagueiro e faz a jogada para Arrascaeta apenas escorar para o Gol. Ainda não era hora de tirar o pudim do forno, mas, naquela altura, já havia a sensação que não tinha mais o que errar.

Com a segurança do dois a zero e com o controle da partida, nosso adversário já não tinha ferramentas para buscar o jogo. Nem as quatro substituições até os 25 minutos mudaram o ritmo do cozimento. Para a nossa equipe, restou apenas fazer substituições protocolares e esperar o apito final.

Com a classificação, ficamos um passo mais do tão sonhado Penta. Mais uma eliminatória sem sofrer gol, mais um jogo em que a maturidade do elenco faz a diferença.
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SRN

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Dois terços jogados e uma ambição virando imaginação

Detalhes não perdoam, um mero domínio errado acarretar a queda de diversos outros dominós. O Flamengo enfrenta um difícil período da temporada e se preparava para enfrentar um adversário que estava desesperado por três pontos. Pedro retornava ao comando de ataque e Ortiz permanecia na volância. Escolhas que apenas o técnico pode tomar. Além da escalação, as valências e dinâmicas que irá explorar e quais defeitos tentará esconder.

Com a bola rolando, o nosso adversário apresentava a sua saída com três zagueiros e com isso, o Flamengo subia um ponta para se juntar a Gerson e Pedro, que eram nossos jogadores mais avançados. Uma postura agressiva, mas bem lida pelo nosso adversário. Em uma das primeiras oportunidades que o mandante teve de sair por baixo, girou a bola para o zagueiro, Bruno Henrique subiu a pressão, mas com dois passes ensaiados, o lateral adversário recebia a bola sem marcação. Na tentativa seguinte, Pulgar leu a intenção e cortar o segundo passe de carrinho evitando a jogada adversária. A leitura coletiva havia sido feita, mas a intenção do adversário permaneceu. Sempre que pode, eles buscavam as costas do nosso ponta para superar nossa pressão.

Entre tentativas e ajustes, o ponta esquerda deles flutua até lado direito para fazer superioridade numérica. Ele ganha a dividida, mas apesar do passe não ter sido perfeito, a jogada entra. Nosso time tem as costas expostas e todos os jogadores precisam correr para trás e se reposicionar. O atacante adversário consegue ganhar a jogada, novamente contra David Luiz e cruza no segundo poste. Aquele mesmo ponta que ganhou a dividida lá atrás finaliza. O placar estava aberto, e nossa equipe precisaria remar mais do que havia feito até agora. 

Não é segredo que o Flamengo está tendo dificuldade para criar jogadas depois que perdeu seus dois jogadores mais criativos. Ainda assim, as ausências de Arrascaeta e Everton Cebolinha não deveriam fazer tanta falta para uma equipe como o Flamengo. Ontem tivemos uma brecha de esperança, o retorno do Pedro. Nosso artilheiro sai da área para fazer a jogada com Luiz Araújo que arrastou a marcação dando a oportunidade para Varela atacar aquele espaço. Mesmo com nosso especialista se reposicionando, o Flamengo preencheu a área e a opção pelo cruzamento foi escolhida. O cruzamento foi interceptado pelo braço, o pênalti era marcado. A recompensa para o nosso centroavante que aparece para o time quando o time precisa.

O primeiro tempo se encerra mas para o segundo Alcaraz entra  no lugar do amarelado Pulgar e já no primeiro lance mostra como pode ser útil ao time. Dá combate, rouba a bola, conduz, tabela e quase dribla nosso ex-goleiro. Talento, o argentino tem. O que não tem ainda, é entrosamento com a equipe, mais precisamente, conhecimento no nosso sistema de marcação. Em uma jogada, a bola girou para direita, pressão encaixou e obrigou o adversário a girar a bola para esquerda. Enquanto a virada acontecia por baixo dava para ver Pedro e Gerson reclamando que nenhum volante subiu para cobrir as costas deles e como previsto, a bola entra no meio e permite que o jogador adversário conduzisse de cabeça erguida. Nossos volantes preferiram apoiar a última linha que recuou defendendo o espaço a suas costas e assim nosso adversário ganhava campo.

Já não tínhamos controle do jogo e estávamos perdendo o controle do campo, não demorou para ficarmos atrás do placar. Agora precisando jogar contra o relógio, Tite realiza alterações, renova fôlego ao mesmo tempo que retira jogadores com risco de lesões mais sérias. Mas nosso adversário demonstrou estar muito consciente das táticas necessárias para vencer o jogo e nada melhor que "furar a bola" para segurar o resultado, figurativamente e literalmente. Caindo na pilha adversária, até briga rolou. Se acharam três cartões vermelhos e um amarelo na confusão, mas não achamos nenhum gol, que era mais importante.

Entramos nessa Data FIFA com 4 vitórias e 5 derrotas nos últimos 10 jogos. Além das lesões, defeitos antigos e novos para serem debatidos pela comissão técnica.
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SRN

domingo, 1 de setembro de 2024

Rumo ao Penta - Ato 1

Desde que foi feito o sorteio dos confrontos na Copa do Brasil, tínhamos em mente, mais ou menos, como poderia ser o caminho até a sonhada final. Uma certeza era o adversário e junto com ele a lembrança de um jogo que não foi tão fácil, apesar do triunfo. No dia 20 de junho, estávamos no Maracanã e naquele mesmo jogo, não conseguimos ter o domínio da posse de bola. Ontem foi em Salvador, mais um motivo para eles quererem esse domínio.

Assim como dia 20, Léo Ortiz jogaria de volante, mas apenas Luiz Araújo se manteria no quarteto ofensivo. Nico e Gerson teriam mais funções ofensivas se juntando com Bruno Henrique novamente jogando no comando de ataque. Um quarteto de muita pressão sem bola, todos os quatro conseguem encurtar bem a distância para o seu marcador e gostam de enfrentar esses duelos.

Com a bola rolando, Tite muda um pouco nosso sistema de pressão. Ao invés de subir um volante entre os pontas para fazer um bloco de 5 pressionantes, ele recua o segundo atacante Nico para trás do Bruno Henrique deixando apenas 4 jogadores para pressionar a saída. Tirar a responsabilidade dos nossos volantes em pressionar facilitava a saída deles, em compensação, tínhamos sempre mais jogadores defendendo a defesa. O Flamengo acabou cedendo a posse, mas não cedeu perigo no primeiro tempo, a única defesa de Matheus Cunha foi em um chute de longe que saiu fraco. Aos 28 minutos, Tite inverte Luiz Araújo e Gerson. A mudança não ganha o controle do jogo, mas coloca Luiz Araújo para vigiar o lateral direito mais de perto.

O segundo tempo começa, o lado de campo vira, mas a alteração tática permanece. Com Gerson no lado direito, Varela ganha mais poder de associação e ultrapassagem. Quando tem a bola no pé, nosso time começa a explorar mais aquele lado. Após troca de passes rápidos entre Nico e Gerson, nosso coringa acha o Varela aberto. O cruzamento sai rasteiro, talvez apostando na velocidade de BH para antecipar, mas esse não é o cruzamento de que o Bruno Henrique gosta. De la Cruz fica encarregado da cobrança de escanteio e, aí sim, vem a batida que o BH gosta. Uma fatiada, sem peso, perfeita para quem tem tempo de bola e impulsão que só ele tem.

Abrimos o placar, mas ainda havia um segundo tempo inteiro pela frente. Com apoio da sua torcida, nosso adversário passou a tentar mais o jogo por dentro, mesmo sabendo que tínhamos dois volantes priorizando esse setor. Depois de uma rebatida parcial, dois ex-flamenguistas exigiram a grande defesa do jogo. Matheus Cunha cresce para cima do outro garoto do ninho para fechar o gol. Nosso goleiro ainda apareceria mais uma vez para fazer sua última defesa no jogo, mas o jogo não acabaria em alguns sustos.

As mudanças começaram a acontecer, Michael e Evetton tentam renovar o fôlego da equipe. A essa altura da temporada, com as lesões que temos, pouco se pode exigir desse banco além de pulmão. Como esperado, o jogo não muda e a renovação de fôlego do adversário se torna mais efetiva pelo controle do jogo. Os cruzamentos começam a ser mais frequentes, nossa principal fragilidade começa a ser testada, mas nenhuma encontrou o gol. O último susto se deu pela lesão no nosso xodó. Michael sofre depois de uma dividida e agora fica o sentimento de que precisamos de reforço para o nosso reforço.

O árbitro encerra o jogo, mais um jogo eliminatório sem sofrer gol. Foram dois nos últimos cinco jogos, mas nenhum desses gols sofridos mudou a classificação. Ainda há 90 minutos por jogar, em nossa casa.
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SRN