Um jogador de futebol pode ter diversos talentos, alguns mais fáceis de se ver e outros mais difíceis. Alguns talentos são mais passíveis de interpretação do que outros. Dentre essas valências, é de conhecimento comum quatro grandes categorias: o técnico, o tático o físico e o mental. O drible, a agilidade, a inteligência, etc., cabem dentro dessas definições. Ao ver a escalação rubro-negra, notava-se uma grande ausência de experiência, com exceção de três ou quatro jogadores.
Com a bola rolando, a diferença física entre os dois times era notável. Não em quem era mais rápido, mas quem era mais forte. O primeiro gol nasceu assim. Allan não resistiu à dividida e foi ao chão, a bola sobrou e o chute veio forte. Sair atrás no placar é um golpe mental muito duro, é preciso ter maturidade para ser resiliente. E foi o que essa equipe teve. Dominávamos a posse de bola, mas nosso time não conseguia criar chances claras, a única defesa do goleiro adversário tinha sido quando o placar estava zerado.
Até que, com 24 minutos no relógio, o Flamengo se espaça na saída de bola. Alcaraz tem a visão para encontrar o espaço, Cleiton tem a coragem para dar o passe. Depois de conseguir conduzir de cabeça erguida, Charly coloca Matheus Gonçalves no mano a mano contra a defesa adversária. Nosso menino tem a ousadia para partir para cima e a técnica para realizar um drible curto e uma finalização primorosa. Uma combinação rara e que gera tantas alegrias. O primeiro tempo ainda não se encerraria sem antes proporcionar grandes chances para ambos os lados.
No retorno para o segundo tempo, ainda controlávamos a posse de bola, mas nosso adversário se mostrava mais incisivo quando podia atacar. Em uma dessas tentativas a equipe gaúcha consegue alterar o lado da jogada mais rápido que nossa defesa consegue se adaptar. Não conseguimos criar superioridade numérica, nosso sistema de coberturas é manipulado e por mais que o gesto técnico de Matheus Cunha não tenha sido o ideal, o oportunismo individual só foi possível devido a toda a sequencia de jogadas.
Novamente esse grupo de jogadores tinha sua resiliência testada, novamente eles precisavam retomar o placar, mas dessa vez, algo diferente aconteceu. Dentre as milhões de interpretações possíveis entre a dança de braços entre Carlinhos e seu marcador, a arbitragem e o VAR viram o suficiente para expulsá-lo. Agora o buraco ficava mais embaixo, recuperar o placar é difícil, com um a menos, mais ainda.
A marcação continuava alta, nosso time ainda tentava trocar passes e construir jogadas, mas a diferença numérica sempre se fazia presente. Pouco a pouco, essa escolha coletiva vai custando mais caro. Pouco a pouco nosso time vai ficando mais cansado e o jogo vai esfriando. A situação só piora quando as substituições acontecem. Uma dupla experiente e descansada se aproveita e sacramenta o terceiro gol. Um gol que resolveria o jogo, pela situação até ali.
Mas Evertton Araújo mostrou que não desistir faz parte da sua personalidade. Entre dribles, força e bravura, decide fazer tudo sozinho e realiza uma ótima carregada. Na hora da finalização, o goleiro adversário aparece, mas Felipe Teresa mostra que estrela não tem idade e faz seu primeiro gol como profissional. Não foi o suficiente para trazer o empate, mas serve para dar um pouco mais de esperança em dias melhores, manter a fé na molecada sempre é justo.
Um jogo que não trazia boa perspectiva antes mesmo de começar se confirmou, com pontos positivos e negativos, mas nenhum somado na tabela.
E vamos para mais
SRN
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