segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Dois terços jogados e uma ambição virando imaginação

Detalhes não perdoam, um mero domínio errado acarretar a queda de diversos outros dominós. O Flamengo enfrenta um difícil período da temporada e se preparava para enfrentar um adversário que estava desesperado por três pontos. Pedro retornava ao comando de ataque e Ortiz permanecia na volância. Escolhas que apenas o técnico pode tomar. Além da escalação, as valências e dinâmicas que irá explorar e quais defeitos tentará esconder.

Com a bola rolando, o nosso adversário apresentava a sua saída com três zagueiros e com isso, o Flamengo subia um ponta para se juntar a Gerson e Pedro, que eram nossos jogadores mais avançados. Uma postura agressiva, mas bem lida pelo nosso adversário. Em uma das primeiras oportunidades que o mandante teve de sair por baixo, girou a bola para o zagueiro, Bruno Henrique subiu a pressão, mas com dois passes ensaiados, o lateral adversário recebia a bola sem marcação. Na tentativa seguinte, Pulgar leu a intenção e cortar o segundo passe de carrinho evitando a jogada adversária. A leitura coletiva havia sido feita, mas a intenção do adversário permaneceu. Sempre que pode, eles buscavam as costas do nosso ponta para superar nossa pressão.

Entre tentativas e ajustes, o ponta esquerda deles flutua até lado direito para fazer superioridade numérica. Ele ganha a dividida, mas apesar do passe não ter sido perfeito, a jogada entra. Nosso time tem as costas expostas e todos os jogadores precisam correr para trás e se reposicionar. O atacante adversário consegue ganhar a jogada, novamente contra David Luiz e cruza no segundo poste. Aquele mesmo ponta que ganhou a dividida lá atrás finaliza. O placar estava aberto, e nossa equipe precisaria remar mais do que havia feito até agora. 

Não é segredo que o Flamengo está tendo dificuldade para criar jogadas depois que perdeu seus dois jogadores mais criativos. Ainda assim, as ausências de Arrascaeta e Everton Cebolinha não deveriam fazer tanta falta para uma equipe como o Flamengo. Ontem tivemos uma brecha de esperança, o retorno do Pedro. Nosso artilheiro sai da área para fazer a jogada com Luiz Araújo que arrastou a marcação dando a oportunidade para Varela atacar aquele espaço. Mesmo com nosso especialista se reposicionando, o Flamengo preencheu a área e a opção pelo cruzamento foi escolhida. O cruzamento foi interceptado pelo braço, o pênalti era marcado. A recompensa para o nosso centroavante que aparece para o time quando o time precisa.

O primeiro tempo se encerra mas para o segundo Alcaraz entra  no lugar do amarelado Pulgar e já no primeiro lance mostra como pode ser útil ao time. Dá combate, rouba a bola, conduz, tabela e quase dribla nosso ex-goleiro. Talento, o argentino tem. O que não tem ainda, é entrosamento com a equipe, mais precisamente, conhecimento no nosso sistema de marcação. Em uma jogada, a bola girou para direita, pressão encaixou e obrigou o adversário a girar a bola para esquerda. Enquanto a virada acontecia por baixo dava para ver Pedro e Gerson reclamando que nenhum volante subiu para cobrir as costas deles e como previsto, a bola entra no meio e permite que o jogador adversário conduzisse de cabeça erguida. Nossos volantes preferiram apoiar a última linha que recuou defendendo o espaço a suas costas e assim nosso adversário ganhava campo.

Já não tínhamos controle do jogo e estávamos perdendo o controle do campo, não demorou para ficarmos atrás do placar. Agora precisando jogar contra o relógio, Tite realiza alterações, renova fôlego ao mesmo tempo que retira jogadores com risco de lesões mais sérias. Mas nosso adversário demonstrou estar muito consciente das táticas necessárias para vencer o jogo e nada melhor que "furar a bola" para segurar o resultado, figurativamente e literalmente. Caindo na pilha adversária, até briga rolou. Se acharam três cartões vermelhos e um amarelo na confusão, mas não achamos nenhum gol, que era mais importante.

Entramos nessa Data FIFA com 4 vitórias e 5 derrotas nos últimos 10 jogos. Além das lesões, defeitos antigos e novos para serem debatidos pela comissão técnica.
E vamos para mais.
SRN

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