Meios de semana já possuem uma inquietação particular pelo costume eliminatório dos jogos. Em dia de Libertadores, é mais especial. É muito mais que projeto, que planejamento, é obsessão. Fomos de encontro a essa inquietação com apenas uma mudança, em comparação com o último jogo. Léo Ortiz dá a vez para Nico de la Cruz.
Com a bola rolando, algo coletivo superava o individual. A inquietação virou nervosismo e passe fácil ficou difícil. Aos oito minutos, um passe errado no meio campo pega toda a nossa defesa desprevenida. Inclusive Rossi, que já se posicionava fora da área. Sorte nossa que a bola não teve direção, mas sorte tem limite.
O Flamengo ocupava o campo de ataque, por desejo dele, mas também por desejo do adversário. Plata tenta a jogada pela canhota, perde, briga e recupera. A bola gira até Pulgar, que tenta acionar Bruno Henrique no pivô, enquanto isso, Varela infiltrava pelo lado direito. A rebatida cai no pé errado, nosso único azar do lance. O passe veio de um volante, nossos dois laterais estavam próximos da última linha adversária. O campo estava aberto, com poucos jogadores para defender, o contra-ataque foi de manual e o placar estava aberto.
E só depois do placar aberto que conseguimos realizar nossa primeira finalização. A ansiedade vira impaciência e Fabricio Bruno, já na intermediária ofensiva, busca Bruno Henrique. Estava longe, a bola foi forte e Plata faz a bola beijar o pé da trave. Um lance que poderia descrever todo o jogo. Uma defesa alta, cruzamento na área e um sentimento de "poderia ter sido Gol" depois da tristeza lampejar.
A incapacidade de empatar no lance seguinte trouxe ainda mais nervosismo e somente no final do primeiro tempo fomos testar o goleiro adversário novamente. Em uma rara oportunidade de aceleração, Gerson acha Arrascaeta fingindo ser ponta direita. O cruzamento foi preciso, o alvo era o ideal, mas o zagueiro adversário consegue atrapalhar o suficiente para a cabeçada não ter muito perigo. Perigo teve quando Arrascaeta buscou o canto inferior, ou quando Plata achou Gerson perto da marca do pênalti. Nenhuma das finalizações trouxe alívio para a torcida e o primeiro tempo se encerrava.
O segundo tempo se iniciou e apenas uma sutil alteração era feita. Wesley por Varela é uma opção explicita pelo volume ofensivo, mas a primeira jogada do segundo tempo ainda trazia resquícios de inquietação, dessa vez traduzida de receio. Nossos defensores trocam passes laterais por um minuto até Alex Sandro realizar uma carregada e alçar uma bola longa visando Wesley na ponta direita. Em momento algum Flamengo buscou entrar no bloco adversário. Mesmo a jogada envolvendo dois laterais no plano ofensivo, Alex Sandro dá o passe e já se reposiciona, enquanto Nico e Gerson se aproximavam do Wesley para disputar a segunda bola.
Pelos pés desse rapaz, inclusive, que saíram as melhores chances do segundo tempo. Todas elas passando pelos pés de Bruno Henrique também. Seja depois de dois passes particulares ou depois de duas carregadas. Nenhuma delas foi capaz de superar o goleiro adversário e nem capaz de incendiar o jogo. Outras substituições também aconteceram, mas a inquietação também se mostrou presente em quem vinha do banco. Seja em erros de passes bobos ou bolas longas com muita força.
Jogar o primeiro jogo em casa na Libertadores traz uma responsabilidade muito grande. Nosso adversário é qualificado, tem camisa. É necessário jogar a ansiedade para o outro lado. Um elenco bicampeão da Libertadores deveria ter mais facilidade em lidar com essa ansiedade, com essa responsabilidade. Não vimos um time com essa compostura, vimos um time incapaz de solucionar os problemas que o jogo pedia.
Os últimos 30 dias não têm sido muito felizes para o nosso time. Entre lesões e reposições, nossa equipe passa pelo momento mais difícil da temporada e a sensação de hoje é que tem algo azedo nesse prato. Talvez dê para salvar algum ingrediente, talvez a temporada termine na lama.
E vamos para mais
SRN
Nenhum comentário:
Postar um comentário