segunda-feira, 29 de abril de 2024

O golpe mais forte do trabalho

Hoje não tem resenha, não tem malabarismo o suficiente que faça a verdade se esconder. O Flamengo foi superado, no campo, na bola.

Mas noventa minutos não podem ser resumidos de maneira simplistas, houve erros e acertos. O jogo foi jogado, estratégias distintas foram vistas dentro de campo, um time mais físico, um time mais técnico. Um time que mostra estar recuperando do pior momento da temporada, um time que parece estar entrando no seu pior momento.

Flamengo entrou em campo com a força máxima segundo muitas pessoas e mostrou padrões que vem conseguindo implementar em outros jogos. Nossa saída de bola mista entre bolas longas e jogo por baixo mais uma vez conseguiu dar o domínio do campo de ataque, mais uma vez o nosso "perde e pressiona" tem conseguido reciclar a posse e nos manter no campo de ataque e mais uma vez o Flamengo encontra dificuldades de entrar na área adversaria.

Não tem segredo, dominar o campo de ataque obriga o adversário a defender a área, o Flamengo não está enfrentando nenhum time de várzea e o Botafogo se mostrou confortável em aceitar essa tarefa para tentar esticar nos contra-ataques.

Nosso primeiro tempo foi superior, mas não dominante. Aos trancos e barrancos conseguimos algumas finalizações perigosas, mas nenhuma obrigou o goleiro dos caras a fazer uma defesa. No começo do segundo tempo, a primeira finalização do rival vai no gol. Uma finalização de extrema dificuldade vai como uma bola de sinuca, se desviando dos obstáculos para morrer na caçapa. O time que estava confortável fica mais ainda.

Se correr no calor cansa, no Rio de Janeiro meio-dia é desgastante. O time não conseguiu ter perna para correr mais do que precisava e o segundo tempo foi mais uma busca por esperanças individuais do que organização ou qualidade. Dois a zero pros caras...

Flamengo entra no seu pior momento da temporada, um momento que todo time no Brasil passa, desde o rebaixado aos campeões. A diferença está em como sobreviveremos a esse constrangimento, iremos encontrar as soluções dos nossos erros ou abriremos mão dos nossos acertos.

A resposta será dita dentro de campo, eu apenas escuto.
Até a próxima,
SRN

*Texto para a pagina Todo dia uma bola na trave do Andreas*

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Altitude é isso ai


Nada de novo sob o sol. A chuva ainda cai, a rua ainda inunda e o Flamengo ainda não aprendeu a jogar na altitude. Talvez nunca aprenda, talvez somos muito mais praia que montanha, mas Libertadores é isso ai, não da pra reclamar que não era o esperado.

Futebol é contexto, só podemos jogar a Liberta esse ano por causa de jogos que foram vencidos ano passado. Só podemos explicar a escalação do jogo de ontem por causa da sequencia que passamos.

Uma escalação bastante mudada e a segunda grande variação tática da temporada. Variação talvez seja até forçado, da para falar que ele tentou fazer um omelete com os ovos que tinha.
Três zagueiros não é novidade no Flamengo, alguns tentaram, poucos conseguiram. Ontem foi a primeira vez que o Tite tenta. Até entendo o porquê, na casa dos caras, altitude, é sobreviver o abafa inicial e depois começar a sair pro jogo. Mas deu errado, justo na primeira bola alçada a nossa área sai o gol.
Empatamos logo depois, mas não foi o suficiente para o Tite entender que estava chamando mais o adversário que se defendendo. Acreditou que ia conseguir sobreviver com três zagueiros, até sobreviveu e por volta dos 30 minutos Ortiz vira volante e o Flamengo não tem mais as costas na parede.

Até pode ter surgido um pouco de esperança, mas o começo do segundo tempo parecia o começo do jogo. O gás acabou e nem a molecada que entrou conseguiu correr mais que 15 minutos.

Jogar mal na altitude é esperado, mas o que mais me incomodou foi a preferencia pela bola longa. Altitude tem dois principais males, a bola corre diferente e o ar para recuperar o folego não vem tanto. Duas coisas que eles estão acostumados e nós não, então porque ficar tentando uma jogada que tem baixo aproveitamento e desgasta mais que o normal? Gostaria de fazer essa pergunta ao Tite.

Dia 30 de Março começávamos a primeira curva da temporada, o primeiro Sprint. Sete jogos que ditariam o ritmo da temporada, se seria céu ou inferno, ou mais do mesmo que a gente já viu. Todos os sorrisos, sustos e tropeços nós acompanhamos por aqui.

Futebol é contexto. Só podemos explicar a escalação do jogo de ontem por causa da sequencia que passamos e que vamos passar.

Há quem prefira jogar futebol a 3600 metros de altitude, há quem prefira jogar futebol no Rio de Janeiro num sol de meio-dia. 

Domingo tem mais, até lá.
SRN

*Texto para a pagina Todo dia uma bola na trave do Andreas*

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Na primeira final, empate na casa dos caras.


Campeonato de pontos corridos no Brasil possui 38 rodadas, todas eles valem três pontos. Na pratica não existe final, mas no campo, existem três pontos mais valiosos que outros três pontos.
O jogo de hoje colocou em disputa dois dos times mais vencedores dos últimos anos, 3 pontos fáceis são raridade e quando duas equipes entram em campo apenas para competir, o empate parece ate um aperto de mão.

Flamengo entrou em campo sem De La Cruz e Pedro, dois jogadores que tem sido sinônimos de sucesso ofensivo nesse começo de temporada. Sem eles, a bola chega menos no ataque e a qualidade das finalizações cai. Inclusive, jogo bastante aceitável do Carlinhos, brigou, ganhou bolas, correu, se continuar assim o gol vira logo e ele conseguirá ser um jogador bastante útil nessa longa temporada.

Isso foi visto no primeiro tempo, com menos qualidade no meio, Flamengo abusou das bolas longas, igual o nosso adversário, mas a superioridade do Léo Pereira sobre o Flaco e BH e Carlinhos sobre a defesa dos caras permitiu mais posse de bola ao Flamengo.

E com a posse de bola, veio o principal fator de jogo, as faltas táticas. Ambas as equipes se utilizaram desse artificio, mas como o Flamengo teve mais a bola, sofreu mais faltas. 

Não gosto de falar sobre certo e errado no futebol, nem tanto de critérios de arbitragem, mas me parece cada vez mais comum o conforto que os técnicos tem em permitir um jogo cada vez mais paralisado, cada vez mais brigado e cada vez menos talentoso.

No segundo tempo, com a entrada de Nico e Pedro, o Flamengo, obviamente, melhorou, mas continua demostrando certa dificuldade em entrar na área de forma limpa, em tomar a decisão correta ali no ultimo terço do campo.
Ontem o baixo volume não permitiu tantas oportunidades para a qualidade.

Ainda assim o Flamengo sai mais feliz do que triste com o final do confronto. Foi superior a um dos dos seus principais adversários do campeonato e se tivesse um pouco mais de sorte ou boa vontade, tinha saído com os três pontos.

Até a proxima,
SRN

*Texto para a pagina Todo dia uma bola na trave do Andreas*

domingo, 21 de abril de 2024

Um jogo para otimistas e pessimistas


A própria escalação já deu debate, poupa ou não poupa?
Poupa, mas com 13 minutos troca tudo.
O titular da esquerda sai para entrar o titular da direita e o reserva da direita vai pra esquerda.
Deu nó aí? Porque no Flamengo desatou.
A parte caótica que existe no futebol nos sorri novamente.
Quem sorriu também foi o bebê do Luiz Araújo, o ponta acertou o chute que estava ensaiando desde o ano passado.
Foi o suficiente para o otimista sorrir, o pessimista não.
Apesar de termos finalizado mais, nenhuma exigiu uma defesa do goleiro dos caras.

Defesa que até aconteceu no segundo tempo, mas nosso baixola não perdoou. De La Cruz desencantou.
Mais domínio do campo ofensivo, mas bolas trabalhadas e mais chutes. 

O pessimista pensou em sorrir, mas saiu o gol dos caras.
Quem entrou ainda estava sentindo o jogo e agora precisavam evitar o empate.
A missão foi cumprida sem exigir nenhuma defesa a mais de Rossi.

Ainda assim vai ter torcedor sorrindo,
Ainda assim vai ter jogador reclamando.

E assim, vamos para mais,
SRN

*Texto para a pagina Todo dia uma bola na trave do Andreas*

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Mais sorte que juízo

Juízo não, faltou competência mesmo. Há quem diga que faltou inteligência para ler o jogo, mas hoje da pra afirmar que o jogo trouxe diversos pontos que o Flamenguista já está acostumado.

É loucura o elenco mais valioso da América do Sul permanecer tão desequilibrado. Esse ano tem Copa América e possuímos muitos jogadores selecionáveis. Acreditei que a falta de reservas nas laterais iria estourar só no campeonato de seleções. Ontem jogamos sem nenhum Lateral Direito. Inadmissível.
"Dali para Zico era pênalti!" e pro De La Cruz foi. Gol é detalhe para as boas atuações que o baixinho tem concretizado. Sorte nossa dele vestir rubro-negro.
Agora aos pontos que não gostaríamos de nos acostumar.
Porque temos tanta dificuldade em se manter a frente do placar quando estamos com um jogador a mais? Novamente nos encontrávamos em uma situação favorável e mais uma vez cedemos o empate. Mais um jogo em que nosso adversário só pode se fechar e evitar o pior e consegue o empate. Tite tem um problemaço para resolver, porque nem especular eu consigo.
O ultimo ponto é o mais baixo e um dos mais recorrentes.
Maltratar o gramado para para obter vantagem deveria ser crime contra o esporte.
Um time técnico como o do Flamengo jogar nesse gramado não obtém vantagem nenhuma. É pegar toda uma restruturação financeira que permitiu contratar os melhores jogadores e ver o jogo ser decidido no chutão e cotovelada.
Dos últimos cinco jogos, ontem foi o segundo que mais erramos passes. O primeiro foi contra o Millionarios.
Tite, por favor, de teus pulos porque eu quero ser campeão.
Até a próxima,
SRN



*Texto para a pagina Todo dia uma bola na trave do Andreas*

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Três pontos são três pontos

Com um pouco mais de dificuldade que esperado, Pedro e Léo Ortiz somaram gols e ajudaram o Flamengo a buscar a primeira vitória nessa Libertadores.


A diferença entre os 45 minutos beira o cômico, parece até duas equipes diferente, então qual foi a diferença?

A primeira se chama Cebolinha, primeiro tempo sendo muito acionado e muito efetivo. Talvez o toque de mestre ou o pênalti claro que não poderia ser marcado fizeram o lance do Cebolinha passar despercebido.
Ciscou e não driblou ninguém, e ainda assim atraiu 3 jogadores para dar um latifúndio para o Ayrton Lucas seguir a jogada.
Mas ser acionado cobra, correr cansa. Não atoa Cebolinha pediu para sair no segundo tempo.

Poderia ter variado mais o lado para chegar mais inteiro no final do jogo, poderia forçar mais a esquerda para buscar o segundo gol?
Visões e opiniões...

O segundo se chama Pedro, mais um que sentiu a sequencia de jogos. Hoje de manha já circula uma noticia sobre ele ter jogado gripado. Ontem na coletiva, Tite falou que ele foi outro a sentir caibras.
Pedro é centroavante de área e no geral, fez uma boa partida ontem. Mas o Flamengo exige perfeição que ele já mostrou em outros jogos esse ano.
Fazia tempos que eu não via ele subir a marcação sem proteger as costas como no segundo tempo de ontem. A partir daí é efeito dominó, o primeiro atacante é o zagueiro e o primeiro defensor é o atacante.

O terceiro é quase uma somatória.
A duas semanas atrás, falei sobre jogar quatro decisões em 12 dias. Uma final de 180 minutos, um jogo longe e na altitude e o primeiro jogo da Liberta no Maraca.
Falei que ia ser exigente e vi o time sendo pragmático, se poupando em alguns momentos nos jogos.
Ontem, no segundo tempo, também vi um pouco disso. Diminuiu um pouco a intensidade e só conseguiu pegar no tranco novamente depois das substituições.

Ainda assim, chegamos no final da primeira curva da temporada com o saldo positivo.
Poderia ser mais fácil? Sim. Mas, passo a passo, os objetivos estão sendo conquistados.
Uma mais três são quatro, até os doze são oito.

E vamos para mais,
SRN



📸: MAURO PIMENTEL / AFP / CP

*Texto para a pagina Todo dia uma bola na trave do Andreas*

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Um sarrafo de 2600 metros de altura!


Empate na altitude nunca é mal resultado, então porque parece que foi?
Por que o Flamengo não conseguiu segurar o resultado ou matar o jogo com um jogador a mais?

Podem existir diversas respostas para essas perguntas, algumas certas, algumas erradas e eu não sei te responder qual é qual. O único certo que sei, é que vence quem faz mais gol.

Mas existem pontos que ajudam a entender o jogo.

Altitude foi o primeiro ponto notado, desde o sorteio se entendeu que existiam dois jogos difíceis no nosso grupo.
O segundo é a escalação, sem especificar caso a caso, Tite falou que teve nove problemas físicos para o jogo de ontem. A falta de criatividade passa pela falta do De La Cruz, nada pode substituir o talento. Igor Jesus é bola, mas sentiu o jogo ontem.
O terceiro deu seu primeiro alô aos quatro minutos de jogo. Viña, que é outro jogador espetacular, perdeu um gol que não pode perder, como se fosse uma previsão do jogo instável que iria fazer.

Jogo ruim de jogadores que fazem a primeira construção, sem eles, é mais difícil colocar o nosso ataque para jogo.

O quarto ponto talvez seja o mais decisivo e o mais pessoal, mas notei uma certa incompatibilidade entre a postura exigida e as decisões tomadas com bola. 
Ao mesmo tempo que se pedia calma, se arriscava passes de 30 metros.

Da expulsão até o gol dos caras, se o Flamengo quisesse ser pragmático tinha até levado os três pontos para casa. Aos 29, 31 e 33 minutos nossa equipe consegue construir por baixo e não consegue entrar no ultimo terço. As três vezes o "perde e pressiona" funciona e David Luiz ganha o duelo e recicla a posse de bola. 
Da pra falar que a gente estava a um passe de fazer o segundo, da pra falar que a gente tava tocando a bola em uma zona muito perigosa.

Eu aprendi que certo é fazer gol, errado é levar. Todo o resto é interpretativo e pessoal.
Cada um tem a sua resposta, cada um tem suas perguntas. 
Em comum fica o gosto de sangue na boca sabendo que deixamos dois pontos na montanha.

E até a próxima,
SRN

*Texto para a pagina Todo dia uma bola na trave do Andreas*

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Pelo Título e pela Temporada.

Depois de uma longa data-FIFA, o Flamengo volta de onde parou e coloca uma mão na taça. Agora, perder esse Carioca será um vexame maior que qualquer um da ultima temporada.

E seguindo a rotina, os comandados do Tite foram seguros, compromissados e inteligentes. Garantir um bom resultado no primeiro jogo era muito importante e uma chance de ouro diante das dificuldades que as próximas semanas apresentarão.

Nesta Terça-feira atravessaremos o pais e o continente, aproximadamente 4500 km de distancia e 2600 metros de altitude para estrear na nossa maior obsessão. O primeiro encontro contra nosso maior adversário na fase de grupos, a altitude.

Até o jogo contra o Palestino são 12 dias, um jogo a cada 3 dias, uma decisão a cada 3 dias. 
Colocar time reserva em Libertadores, pra mim, é impensável. Colocar time reserva em final de campeonato, pra mim, é impensável. Jogar quatro decisões em 12 dias, todas com time titular, pra mim, é impraticável.

Meia final já foi e pelo jeito que foi, a outra metade já está encaminhada. Uma equipe que não toma gol de ninguém, não vai tomar três gols do dia pra noite. A segurança e comprometimento apresentados hoje, deram o direito ao Flamengo ser pragmático dia 7 de Abril.

Pragmatismo que já foi até demostrado depois das substituições. Com três de frente e em marcha lenta, além de não sofremos riscos, continuamos pisando na área adversaria. O Flamengo entendeu como o Nova Iguaçu marcava e se utilizou disso para controlar o jogo, dava pra ter feito mais.

Do mesmo jeito que reservas entram no decorrer do jogo para dar folego, reservas entram durante a temporada para dar folego. Pulgar ainda retorna de lesão, De La Cruz tem uma minutagem acima da média. Tê-los com folego na Libertadores pode fazer a diferença.

Mas isso a gente só vai ter certeza na terça-feira, no jogo mais importante do ano, até agora.
E até lá,
SRN

*Texto para a pagina Todo dia uma bola na trave do Andreas*