segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Um duelo maior que os Artilheiros

 Na tarde desse domingo, o Flamengo entrou pela última vez em campo em 2024. Já sem objetivos, se mostrava a oportunidade perfeita para dar a festa de despedida para aquele que tanto fez por nós. Do outro lado, o artilheiro do campeonato, tornando um jogo um duelo de centroavantes, o do ano e o da geração. Mais uma vez, os Deuses do Futebol prepararam um lindo contexto para um jogo que teria pouco a acrescentar. 

Desde o apito inicial, o jogo apresentou seus outros protagonistas. Nossa ala direita com volume e intensidade com Wesley, Gerson e Plata se tornou o principal foco de jogadas para entrar na área. Do outro lado, o ataque rápido da equipe baiana para transitar o campo e achar um passe milimétrico nas costas da nossa zaga. O artilheiro do campeonato ainda contou com a saída errada de Rossi para escorar para o go, vazio. O direito de festeja precisa ser conquistado dentro de campo e o Flamengo seguiu explorando o lado direito para conquistar o Gol de empate. O volume não encontra efetividade e nossa equipe vira o primeiro tempo derrotada.

Com o segundo tempo já rolando, nossa primeira finalização acontece apenas aos 9 minutos. A jogada envolveu nossos principais atores do lado direito, mas eles precisavam de ajuda e no minuto seguinte Filipe Luís mexe no time. A entrada de Michael e De la Cruz fazer Gerson se posicionar mais pelo meio. Com esse espaço aberto, outro protagonista do jogo começa a circular por lá, um outro jogador que conhece bastante aquele espaço, Gabriel Barbosa. Ele tenta armar a jogada, mas Wesley prefere deixar essa função para Pulgar e Nico. Gabriel então vira Gabigol, ataca a área, faz o seu Gol de despedida e corre igual uma criança, igual as criança que fazem gol e dizem ser Gabigol.

A Magnética responde e aos 16 minutos, Gerson aciona Ayrton Lucas que decide consagrar o dono da festa. Gabriel tem sua finalização bloqueada, mas o Flamengo mostrava que existe vida além do lado direito. Nossa equipe sim, mas os baianos estavam bem confortáveis em utilizar esse lado para demostrar suas batidas precisas e mais uma vez ficamos atrás do placar.

Precisando se recuperar, mais uma vez, nossa equipe se volta para o lado esquerdo. Gerson aciona Ayrton Lucas, que parece não ter superado a perda do seu principal companheiro por aquele lado. Nosso lateral então tenta a carregada, sem sucesso, ele retorna para Pulgar que lhe devolve em uma posição melhor. A finalização com o pé não dominante encontra o cantinho para selar o placar. Nosso professor ainda tira Gabriel para ele ser ovacionado uma última vez pela torcida.

A não-derrota e o gol de despedida trouxeram um sabor agridoce ao jogo, um sabor bem semelhante que fica para essa temporada irregular que o Flamengo teve.

Mas em 2025, vamos por mais!
SRN

Mesmo em Marcha Lenta, Três Gols e Três Pontos: Pela Camisa e Pela Torcida

Mais uma vez o Flamengo entrou em campo para cumprir calendário. Sem chances de títulos e garantido nas principais competições do ano que vem, o clima de férias é inevitável. Principalmente quando nosso adversário tem a chance de complicar a vida de um rival local. Mas sempre que os jogadores rubro-negros entram em campo, há duas presenças imutáveis, a torcida e a camisa. Esses fatores já são grandes o suficiente para deixar a alma em campo. Nesse contexto, a escalação altamente modificada poderia ir um pouco contra esse espírito, se não fosse o fato desses onze jogadores possuírem a capacidade para disputar o título brasileiro se fosse necessário.

Fugindo um pouco dessa polêmica, o que se viu dentro de campo foi um Flamengo burocrático, lento, mas ainda assim, disposto a atacar as fraquezas que o adversário demonstrava. Nesse ritmo Bruno Henrique e Ayrton Lucas colocaram o goleiro para trabalhar. O nível de concentração do adversário estava mais aguçado e toda bola que nossa equipe perdia, a temperatura do jogo aumentava.

Mais tarde na coletiva, Filipe Luís disse que o time estava "Mais lento que o normal e acelerando quando não precisava acelerar" no intuito de primeiro afundar o adversário na defesa, para depois atacá-lo, dando menos chances de contra-ataque. O time foi entendendo isso na metade do primeiro tempo ainda, mas só no final do primeiro tempo que rendeu frutos. Depois do lindo passe de Bruno Henrique, Ayrton Lucas cruzou no segundo poste e Varela abriu o placar. Afundou tanto o adversário que deu espaço para ambos os nossos laterais pisarem na área.

Já iniciando o segundo tempo, as alterações do adversário não surtiram o efeito desejado. O Flamengo, na frente do placar, estava confortável o suficiente para controlar o jogo e acelerar somente quando necessário. Depois da entrada de Michael e Luiz Araújo, essa aceleração ficou inevitável, principalmente pelo lado esquerdo com a participação do BH. Primeiro Bruno Henrique é recompensado com o pênalti depois que Luiz Araújo teve sua finalização bloqueada com o braço. Depois o próprio Luiz Araújo é recompensado com uma linda troca de passes rápidos.

Mesmo em marcha lenta, errando mais que o normal, o Flamengo consegue aplicar três gols no adversário. A fragilidade do oponente tem que ser levada em conta, do mesmo jeito que também deve-se levar em conta o fato deles estarem jogando a vida ontem.

E vamos por mais.
SRN

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Qualidade para Fazer, Maturidade para Manter

Duas equipes de elite, uma já sem chance de título e outra jogando por seu último respiro. O Flamengo podendo apenas ostentar o título da Copa do Brasil enfrentava um adversário que vinha de 16 jogos invictos. Um duelo a altura do clima fornecido na tarde de domingo no Rio de Janeiro. Com Pulgar suspenso, Filipe Luís opta por uma alteração dupla na volância. Nico De la Cruz e Evertton Araújo retornam aos onze iniciais, enquanto nosso coringa Gerson avança para a meia direita.

O domínio do campo e da bola se fizeram presente desde o primeiro minuto. Mesmo com pouca minutagem juntos e jogando mais afastados que vinha sendo demostrado ser o padrão de jogo dos volantes, Nico e Evertton não tiveram dificuldades para auxiliar a saída de bola rubro-negra, nem em dar suporte para a linha ofensiva na marcação. Sem muitas alternativas, nosso adversário apostou suas fichas remanescentes em um duelo especifico e até curioso. Nosso lateral-direito Wesley ficou encarregado de defender seu xará e principal válvula de escape dos visitantes.

Assim se criou a primeira grande chance do jogo, mas Rossi faz uma grande defesa. Não se de campo e bola se vence jogo, é preciso ter gol e para fazer gol é necessário arriscar. Filipe Luís poderia pedir para o Wesley subir menos, fazer um jogo mais cauteloso e expor menos a defesa, mas abrir mão do pulmão privilegiado de Wesley é reduzir muito o volume ofensivo rubro-negro e aos 24 minutos foi demostrada a preferencia do nosso professor. Wesley acha Gonzalo Plata que desvia de cabeça para Bruno Henrique atacar o espaço. A finalização é defendida, mas ficou nítido que o Flamengo não deixaria de atacar para se defender.

E na bola parada, quando os seus defensores ficam mais longe do próprio gol, que a nosso equipe foi recompensada. Primeiro com Léo Ortiz depois de uma cobrança magistral de Nico e depois com Léo Pereira posicionado para a cobrança e preenchendo a área depois do rebote. Esse segundo gol, inclusive, mostrando uma outra grande característica dessa equipe, a gana pelo Gol! Gerson finalizou atrasado, mas ao todo foram 5 finalizações em 17 segundos.

Mas quando o Michael tá feliz, esquece! Seu segundo gol veio do mais alto risco sendo recompensado. Wesley observou seu xará indo pressionar o Evertton Ribeiro que soltou a bola rápido para Gerson e assim nosso lateral direito viu a oportunidade de ouro para utilizar sua principal característica. O pique que começou na intermediária defensiva terminou só na pequena área adversária quando ele encontrou o passe para nosso Menino Maluquinho fuzilar para o Gol.

Terminar o o primeiro tempo com domínio da bola, do campo e do placar dava um clima de festa, festa essa que nem fazia tanto sentido pela qualidade do adversário que estava no Maracanã. Logo aos 10 minutos esse clima já mudou e aos 16 ficou mais perigoso, mas evidente também que seria necessário uma sequência de ajudas e aleatoriedades para ceder o empate. Alterações de jogadores até aconteceram, mas nossa equipe teve maturidade o suficiente para evitar maiores sustos.

Mesmo sem chances de título, no Maracanã, sempre será exigido que o Flamengo jogue com seriedade e para cima do adversário. Isso foi entregue nessa tarde de domingo.
E vamos por mais,
SRN

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Flamengo Luta, Mas Despede-se da Briga pelo Título

Ainda com o sonho do Campeonato Brasileiro vivo, o Flamengo viajou ao Ceará para enfrentar um adversário direto nessa campanha. O adversário não tem vaga garantida na Libertadores, então o empenho deles também possuía um objetivo a mais.

A escalação não apontava nenhuma surpresa. Dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois pontas e dois atacantes, mas com a bola rolando, Michael jogou mais posicionado como um segundo atacante e Bruno Henrique que está mais acostumado a fazer essa função foi movido para a ponta, outra função que está mais que acostumado. Essa situação não fugia completamente do que Filipe Luís já apresentou no Flamengo. Michael jogando no corredor central aumenta muito o poder da marcação alta da equipe e rapidamente se viu isso dentro de campo.

A primeira defesa do jogo pode ter sido do Rossi, mas a primeira grande chance do jogo foi Rubro-Negra. Quando Gerson sai da bola, Pulgar não tira o olho de Bruno Henrique que é o primeiro Flamenguista a puxar a corrida, o espaço estava claro e o passe do chileno foi preciso mas a finalização encontra a trave e o zero não sai do placar. A segunda grande chance também passou pelos pés de Pulgar e BH, deixando assim Michael livre para carregar e atacar a última linha, Gabriel escorrega mas recebe o passe. A finalização não sai perfeita e mais uma vez o zero permanece no placar.

Nosso adversário não chegou a liderar o campeonato à toa. Percebendo quais espaços nossa equipe estava procurando, resolveu povoar mais o corredor central e dar menos espaço para Michael. Sem a expertise da função, nosso xodó tem seu volume reduzido, perde o ritmo da partida e começa a errar mais. Com as laterais menos cobertas, o Flamengo busca explorar esses espaços, mas não cria nenhuma chance tão perigosa quanto as duas primeiras.

No intervalo Nico De la Cruz entra no lugar de Gabriel Barbosa, aumentando o poder de criação no meio, mas tirando nosso poder de decisão dentro da área. Logo aos 4 minutos do segundo tempo Gerson aproveita seu posicionamento mais avançado e acha uma finalização no cantinho, mas no goleiro adversário fez uma ótima defesa. No rebote Wesley encontra Michael para finalizar de cabeça. Nossa equipe queria finalizar para o gol da maneira que fosse possível. Aos 17 minutos, outra jogada que demostrava isso muito bem. Pulgar, aberto na direita, acha Gerson no facão. O passe para trás encontra Gonzalo Plata que tem sua finalização dividida com o defensor, a bola sobra para Michael que obriga o goleiro a fazer mais uma defesa. Alex Sandro pega o rebote e finaliza, o defensor bloqueia e a bola volta no Wesley, dessa vez a finalização não pega em cheio e depois de tanto esforço, nosso adversário consegue eliminar o perigo.

Mas aos 21 minutos que o lance mais importante do jogo acontece. Pulgar, que já tinha amarelo, se frustra com o passe errado e na ânsia de recuperar a bola acaba cometendo a falta. O segundo amarelo vira vermelho e Filipe Luís coloca Charly Alcaraz e David Luiz nos lugares de Michael e Gonzalo Plata. Uma outra manobra que não é surpresa no trabalho do nosso ex-lateral esquerdo. Nosso adversário conseguiu ter seu volume aumentado, mas a grande defesa de Rossi só aconteceu depois que Alcaraz conseguisse duas finalizações perigosas. Mesmo com uma a menos o Flamengo não abriu mão de atacar e tentar abrir o placar, a inferioridade numérica pôs um freio nesse ímpeto, mas não a ponto de diminuir nossa capacidade de se defender.

O empate chega e o ponto adicionado à somatória parece pouco importar agora que temos vaga na Libertadores garantida. Já a não vitória coloca um ponto final no sonho rubro-negro pelo título, não que seja culpa de Filipe Luís, mas teremos que buscar esse título ano que vem.
E vamos por mais,
SRN

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Festa no Maraca: Sem água no chopp e sem mais vinho na taça

Mais um encontro contra o nosso vice-campeão, dessa vez pelo Campeonato Brasileiro. O clima de festa de um lado poderia ser contraproducente mediante o clima de revanche do adversário, mas a certeza era só uma, nada mudaria o resultado da final.

A lista de desfalques tirava mais ainda o peso no resultado. Além dos suspensos, além dos machucados, além dos convocados, mais cedo recebíamos a confirmação que Gabriel Barbosa não jogaria. Nosso único centroavante disponível foi afastado por um motivo extracampo. E com a, não mais, tão temida linha de três zagueiros o Flamengo foi escalado.

Com a bola rolando, foi confirmada essa escolha. Ayrton Lucas e Wesley fariam as alas e Bruno Henrique, Michael e Matheus Gonçalves acabaram preenchendo mais o meio. Na prática essa "improvisação" acabou se concretizando em um ótimo sistema de pressão. Michael como jogador mais avançado retirava preciosos segundo do portador da bola, com meio-campo preenchido e jogadores rápidos fazendo coberturas laterais, praticamente toda segunda bola foi ganha pelo nosso time.

A primeira finalização do jogo foi do adversário, o bloqueio de Fabrício Bruno acaba em escanteio e a jogada segue sem mais perigos. Os minutos correram somente para dar o ajuste fino que a ideia coletiva. Quando Bruno Henrique finaliza de longe, se anuncia um bombardeio. Ao todo, o jogador mais regular desses últimos três confrontos precisou realizar mais seis defesas nesse primeiro tempo, incluindo um pênalti, na reta final do primeiro tempo.

Já na reta inicial do segundo tempo, Matheus Gonçalves encontra a trave, deixando claro que a as chances perdidas não afetaram o psicológico da equipe, muito pelo contrário, nosso nível de concentração estava acima do nosso adversário. Mas o tempo foi passando e as chances não foram se concretizando. Aos 25 minutos do segundo tempo, duas alterações já haviam sido feitas do outro lado e a entrada de Lorran no Lugar de Matheus Gonçalves pouco mudou. E a reta final do jogo, nosso vice-campeão conseguiu criar o maior numero de perigo depois de quase três jogos jogados.

O jogo se encerra zero a zero, o suficiente para não acabar com o clima de festa e nem dar uma chance de revanche para o nosso adversário.
E vamos por mais.
SRN

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Rumo ao Título - Ato Pentacampeão!

Retornando a BH, os sorrisos de quarta-feira se repetiriam na noite de domingo. A vitória de semana passada não precisava se repetir, trazíamos dois gols de vantagem na bagagem. Trazíamos também algumas certezas vistas no primeiro jogo, que tínhamos condições de ter um jogo fácil e que possíveis erros seriam punidos.

Em comparação com o primeiro jogo, Pulgar retorna no lugar de Plata e avançando o Gerson. Michael permanece na equipe titular, assim como os outros que também jogaram a primeira partida.

Com o pontapé inicial, as primeiras nuances do jogo aparecem. A espessa névoa artificial carregava a ansiedade e querência da torcida mandante, que logo viu-se refletir na equipe belo-horizontina, que marcou alto e tentou buscar um gol a cada passe. Do lado rubro-negro, uma vontade menos de ficar com a bola. Aos três minutos de jogo Arrascaeta tem a oportunidade de acelerar e Gerson tem a mesma decisão. A primeira oportunidade clara de gol foi nossa e por centímetros, a vantagem não foi aumentada. O Flamengo buscava esfriar o jogo aumentando a vantagem e não passando para o lado.

Porém, finalizar jogadas sem sucesso significa dar a bola para o adversário, que com a bola nos pés os mandantes ensaiaram diversas jogadas explorando as costas de Gerson e, por consequência, das coberturas de Wesley. Explorando essa dinâmica, nosso adversário conseguiu criar suas chances mais perigosas. Até que em um momento, Gerson parou de subir no zagueiro canhoto, dando a vantagem longe do gol ao invés de correr o risco de deixar a corda estourar na defesa. Sem esse leque de jogadas para explorar, nosso adversário ficou desconfortável e começamos a ficar mais com a bola. Pela direita também construímos boas jogadas, o pivô do Gerson e as escapadas de Wesley geraram mais chances milimétricas sem êxito. Só sofreríamos mais susto nesse primeiro tempo devido ao um descuido de Rossi, descuido esse que serviu para reascender a esperança belo-horizontina, mas como só esperança não faz gol, o primeiro tempo se encerra zerado.

Para o segundo tempo, mais mudanças nesse tabuleiro de xadrez verde. Bruno Henrique entra em BH, visando explorar ainda mais os contra-ataques. Do outro lado as mudanças eram um pouco mais complexas. A entrada de um centroavante de ofício visava pesar mais a área, enquanto a opção de uma linha de quatro defensores exigiria mais uma adaptação ao nosso sistema defensivo. Agora junto com mudanças táticas, a esperança renovada conseguiu colher os frutos possíveis, mesmo sem exigir grandes intervenções de Rossi, a bola chegava na área rubro-negra. A mudança de Filipe Luís também foi sentida nas escapadas de BH, o jogo de trocação foi estabelecido. 

Mas esse jogo favorece os desesperados, favorece quem precisa de um só gol para incendiar o jogo. Então nosso professor realiza mais uma alteração, responde ao peso na área com Fabrício Bruno e renova o folego para o contra-ataque com Gonzalo Plata. Um novo padrão foi visto na partida, uma defesa sólida e incontáveis contra-ataques desperdiçados. O ditado "quem não faz, leva" começou a aparecer nas mentes flamenguistas.

Até que depois de um escanteio rápido, uma bola pingando na pequena área de Rossi e um chutão cai no pé de um natural de Belo Horizonte. Depois de ter perdido alguns duelos contra o goleiro, ele muda e decide servir Plata. O equatoriano domina a bola com o semblante de quem sonhou com a jogada, como se cada segundo já tivesse sido meticulosamente programado. A desaceleração para atrair o marcador, o drible contra a direção para não dar chance de recuperação, a direção da carregada esperando o goleiro sair e o toque de cobertura para fechar a conta. Um golaço do tamanho do futebol jogado pelo Flamengo nessas finais.

Ainda teriam minutos protocolares para serem jogados, mas o resultado já estava estabelecido. Tanto que os próprios torcedores resolveram encerrar o espetáculo mais cedo, sabendo que seu time havia sido superado. Um show de horrores, de falta de educação e de cidadania. Mas nada que interrompesse o espetáculo rubro-negro que ainda criou chances para aumentar a vantagem.

O título da Copa do Brasil não apenas reforça o tamanho e a história do Manto Sagrado, mas demonstra também, que esse grupo de jogadores esta disposto a superar qualquer adversidade, seja interna ou externa ao campo, para serem campeões. Mais um título na conta, mesmo em um ano repleto de lesões e irregularidades. Festejamos porque merecemos!

E vamos por mais!
SRN

Visita a BH, uma anunciação para o final de semana

Retornando ao Campeonato Brasileiro, um sentimento misto se faz presente. O profissionalismo e a responsabilidade rubro-negra de entrar para vencer qualquer jogo e a inevitável ansiedade pelo segundo jogo da final da Copa do Brasil. O nosso adversário, finalista da Sulamericana, também é de Belo Horizonte, mas não nos recebia com café e pão de queijo.

Além do sentimento, os onze iniciais também foram mistos. Matheus Gonçalves era o único Prata da Casa. Entre carreiras internacionais e passagem por seleções. Todos os outros titulares chegaram no Flamengo como reforços pontuais ou de peso, demonstrando assim, a qualidade do nosso elenco.

Com o apito inicial, a equipe mineira tentou impor o mando de jogo. Marcou alto e tentava criações por baixo. Também conseguiu exigir duas defesas do Rossi antes de completar dez minutos jogados. Abrindo bem os dois zagueiros, nossa saída de bola começou a ter mais sucesso e o vigor físico de Bruno Henrique e Gonzalo Plata forçaram nosso adversário a nos dar mais a bola. Mas atacante também precisa jogar para a frente. Matheus Gonçalves tabelou com Plata e fez nossa primeira finalização com direção. Logo em seguida, Bruno Henrique recebeu um ótimo passe de David Luiz, a bola escapou um pouco e a finalização encontrou a trave. O susto faz os mineiros se defenderem melhor e o jogo esfriou. Por mais que Bruno Henrique tente, o primeiro tempo termina com o placar zerado.

No intervalo, uma mudança de cada lado. Pulgar dá lugar para Evertton Araújo e enquanto nosso adversário coloca o time mais para frente. Antes mesmo da mudança adversária surtir efeito em nosso goleiro, Bruno Henrique tenta novamente, faz grande jogada e sofre a falta. A reunião de cobradores parecia estar focada em reclamar da barreira, mas a experiência de Davi Luiz é traiçoeira. Quando ninguém menos espera a cobrança vem e a desconexão da barreira também. Em um jogo em que as defesas estavam se sobressaindo, nada mais justo que o gol ser de um zagueiro.

Alterações vieram, nosso adversário fica ainda mais ofensivo. Pelo lado do Flamengo, apenas substituições para renovar o fôlego. Passamos a ocupar mais o campo de defesa e as tentativas de contra-ataque não estavam fluindo. Até que aos 25 minutos, uma virada errada de Ayrton Lucas gera a melhor chance do jogo, até ali. O mesmo jogador que errou no rebote ainda teria uma cabeça que foi em cima de Rossi. Os alívios de não ter sofrido o gol parecia pouco diante da recorrência de jogadas perigosas.

Filipe Luiz realiza suas últimas substituições. Entre fair play e arremessos de copos, nosso adversário cai na pilha da própria torcida e se desconcentra. O jogo esfria e nossos jogadores começam a ter mais a bola em situações favoráveis. Alcaraz é outro que tenta, mas detalhes acabam tirando o seu sucesso. Ainda haveria tempo para Allan ser expulso e dar a chance de um pequeno abafa para o nosso adversário.

O jogo se encerra e os três pontos são mais que bem-vindos diante do contexto apresentado. Agora o Flamengo se prepara para o jogo de domingo, o jogo mais importante da temporada.
E vamos para mais.
SRN



segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Rumo ao Penta - Ato 5

 Domingo, quatro da tarde. Era o momento mais importante da temporada rubro-negra. A festa na arquibancada buscava demonstrar apoio e fé no Mengo. Nosso adversário também é qualificado e também postula um título internacional. Mais do que fé, nossa equipe teria que ter atenção, qualificação e se a mística nos abraçar, sejamos felizes.
A escalação desfalcada não é mais surpresa, nem a maioria de jovens no banco de reservas. Os desfalques pontuais de Pulgar e Bruno Henrique seriam sentidos. A solução foi encontrada com a entrada de dois pontas e o recuo do Gerson. Ao mesmo tempo que o Coringa se afastaria da área adversária, poderíamos perder uma dinâmica importante com o Wesley, mas a saída de bola seria mais qualificada.
Com a bola rolando, a primeira jogada de perigo trouxe bem alguns dos aspectos que poderiam decidir a partida. A falta de concentração de Plata faz o passe ir nos pés do adversário e por consequência, Rossi precisou fazer sua primeira aparição no jogo. Depois do escanteio, o alívio. Não sofremos gol pela falta de atenção, nem pela escolha técnica.
Logo na nossa saída de bola, já se via que esse susto se tornaria exceção. O centroavante adversário procurava pressionar pouco, se contentava em fechar a linha de passe entre os dois zagueiros com a única intenção em atrasar a virada de jogo por baixo. Mas nossos zagueiros são qualificados e tem coragem para arriscar as jogadas para frente. Léo Ortiz soube aproveitar a vantagem muito bem, atraindo um marcador e expondo as suas costas. Gerson recebe o passe e sustenta o duelo no corpo, expondo a cobertura da cobertura. Quando o passe entra no meio, Arrascaeta ataca a última linha, puxando seu marcador e dando mais espaço para Wesley carregar, fazer o que faz de melhor. Arrascaeta favorece seus companheiros sem mesmo tocar na bola e os Deuses do Futebol o recompensam com o primeiro gol da final. Um golaço de uma equipe que sabe explorar as fragilidades do adversário, mais que isso, a explora utilizando suas principais qualidades.
Gonzalo Plata não vinha fazendo um jogo brilhante com a bola no pé, mas ganhou mais da metade das divididas que participou no jogo, correu e se entregou. No Flamengo, toda entrega é recompensada. Encurralado pelo adversário e a linha lateral, Léo Ortiz se viu obrigado em colocar a bola a bola em disputa lá na frente. O desvio de Plata encontra Gabriel, milimétricamente disponível para carregar e fazer o que faz de melhor, gol em final. Não interessa a fase, a competição ou o adversário. É o seu fardo, é predestinado.
Tão predestinado que ainda guardou mais um. Quando Michael rouba a bola, Alcaraz fica com duas opções de passes quase idênticas. Um destro na direita e um canhoto na esquerda. Em contra-ataque, dois passes vencedores, mas só um desses jogadores está entre os jogadores mais decisivos da história. Gabriel é tão místico, tão folclórico que foge de explicações, foge das lógicas. Mesmo sendo destaque de uma das maiores divisões de base do mundo, é contestado. Mesmo fazendo parte do primeiro ouro olímpico brasileiro, é tachado de derrotado. O que mais se quer dele?
Três a zero era uma mão na taça, mas ainda tinha tempo no relógio e tempo para a única negativa da partida. Tão igual ao jogo no Sul, a falha de Léo Ortiz não apaga o bom jogo que fez, mas deixa o sinal de alerta para todo o time. Fizemos um grande jogo e apesar do embate elucidar alguns caminhos para um bom jogo de volta, do outro lado ainda existe um adversário qualificado, que chegou em duas finais e que consegue achar um gol em uma única falha que acontecer na partida.
Ainda existe um jogo pelo Campeonato Brasileiro antes da segunda partida da final, mas um jogo de cada vez, como o professor falou.
E vamos para mais,
SRN

domingo, 3 de novembro de 2024

Empate Amargo: O que queremos e o que não queremos ver na final

Para jogar a rodada pendente, o Flamengo viaja ao sul. O adversário é tradicionalmente difícil, mas enfrenta-los sempre rendeu bons jogos. Ambos os times se encontram lutando por uma vaga no G4 e isso dava um caráter de confronto direto, de jogo eliminatório.

Além dos lesionados, Léo Pereira e Arrascaeta estavam suspensos. Com isso, Alcaraz e Fabrício Bruno foram escalados para substituí-los, enquanto Varela e Plata também começaram como titulares. Bruno Henrique foi nosso jogador mais avançado novamente.

O Juiz começa o jogo e sem nem mesmo um minuto completo, a primeira saída por dentro foi errada. A jogada terminou com um salvamento milimétrico de Varela e o susto foi o suficiente para acordar o time. A nossa equipe voltaria a forçar jogadas por dentro para controlar a saída de bola, diversas vezes de forma efetiva graças a um posicionamento bem particular dos nossos volantes. Ao começar a jogada, Pulgar e Evetton ficavam bem próximos, enquanto os laterais ficavam bem abertos, gerando uma janela de passe muito grande entre os zagueiros e os meias. Quando essa janela era fechada, nossos laterais tinham mais tempo para receber a bola e pensar a jogada com calma.

Construindo boas jogadas por baixo e imprimindo velocidade a partir do meio-campo, o Flamengo conseguiu criar boas chances. Nosso adversário também foi perigo quando teve a posse de bola, mas apesar da finalização na trave, Rossi não foi exigido com as mãos mais nenhuma vez, além do lance inicial. O primeiro tempo ia se encerrando aberto, com chances para ambos os lados, até que um jogador que conhecemos bem erra o tempo de bola e comete um pênalti bobo. Alcaraz converte seu segundo pênalti seguido e coloca o Flamengo na frente do placar.

O segundo tempo começa tão elétrico quanto o primeiro. Bruno Henrique finaliza em cima do goleiro depois de Evertton brigar pela bola e conseguir o passe. Mas aos 8 minutos, nossa equipe erra a saída por dentro mais uma vez, aos 11 minutos também. Em ambos os casos, nosso adversário transitou rápido e conseguiu a finalização. Os minutos se passaram e as primeiras substituições acontecem. Michael entra no lugar de Plata para responder a alteração dupla do adversário. Com mais fôlego, a pressão adversária funciona melhor e nossa equipe vai ficando sem alternativas. 

O mínimo de respiro só aconteceu quando Matheus Gonçalves entrou. Mais descansado e com ótima capacidade de se associar, ele conseguiu dar ao Flamengo alguma sequência de jogadas e assim a nossa equipe pode sair do abafa adversário. Até que aos 43 minutos, mais uma vez, tentando jogar por dentro, nosso adversário consegue para a jogada e inicia o contra-ataque. O erro cometido no início do jogo, e repetido no começo do segundo tempo, acabou resultando em gol apenas nos minutos finais da partida.

O gol no final dá um gosto amargo ao empate, mas a dificuldade do jogo e a qualidade do adversário precisam ser consideradas. Além do ponto, que também levemos ensinamentos, pois, no fim de semana, não haverá pontos em disputa, mas um título em jogo.

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Reconquistando a confiança

 A classificação para a final traz um sentimento de segurança. Temos a capacidade de superar qualquer obstáculo, mas na panela de pressão chamada Flamengo, até a mais tranquila paz traz polêmicas. É necessário se reafirmar todo dia. Nesse contexto e contando com a ascensão de Evverton Araujo e Michael aos onze titulares, retornávamos ao Campeonato Brasileiro

Logo aos dois minutos de jogo, um lance que passaria despercebido descreve muito bem com qual sentimento o Flamengo entrou em campo. Evertton Araujo, com a bola dominada no campo de ataque, cisca para cá, ajeita o corpo para lá. Busca a linha de passe, mas não consegue encontrar contra um adversário fechado.

Jogar fechado contra o Flamengo pode ser muito perigoso. Hoje esse ímpeto de jogar para a frente resolve parcialmente os problemas de entrada em último terço que tínhamos nas semanas anteriores. Junto com essa mudança também existe a mudança de confiança e de algumas peças ofensivas. Aos sete minutos esse ímpeto entregou resultado. Antes mesmo de perceber que sair por baixo era uma má ideia, nosso adversário tentou e entregou. Arrascaeta finaliza quando pode, mas Michael é quem faz no rebote. Aos onze minutos, Ayrton Lucas e Pulgar também tentam o Gol depois de pegar o rebote.

Nesse ritmo frenético, o Flamengo seguia no campo de ataque. Pressionando, arriscando jogadas e eventualmente criando perigos ao goleiro adversário. Mas eventualmente também, gerando chances de contra-ataque e em uma dessas chances o empate aconteceu. Uma coisa é jogar aceitando um eventual erro, outra coisa é sentir a fatalidade do erro na pele. No lance seguinte Michael obriga o goleiro adversário a trabalhar, mas aos poucos, a confiança no passe vertical foi se esvaindo. O time sentiu o golpe, mas não por tanto tempo. Dois lances do Gabriel Barbosa davam na cara que o Flamengo ia continuar tentando fazer o gol e se houvesse mais alguns minutos de acréscimo o segundo gol tinha saído lá na Sul ainda. Até gol contra quase teve.

Tanto que, logo aos dois minutos do segundo tempo Gerson sofre o pênalti para o especialista Gabriel cobrar. Falando em especialidade, bola aérea nunca foi a especialidade de Michael, mas se o lançamento é certeiro, a redonda se quer entra em disputa. O avanço rápido dá espaço e com a defesa desorganizada, Gerson apenas orquestra um gol fácil para a qualidade técnica dos jogadores envolvidos. O Flamengo concretiza a sua superioridade e dá uma folga que logo é retirada.

A confiança pode estar em alta, mas o fantasma da bola parada ainda assombra a nossa área. Se faltou alguém no rebote ou se faltou velocidade para abafar a finalização frontal, é incerteza. O sabido é que a recorrência de lances assim torna evidente a complexidade de uma jogada de três segundos. Ainda assim, se o lance poderia trazer dúvidas sobre a vitória, rapidamente nosso adversário resolveu tornar o nosso trabalho mais fácil. Com um a mais e com mais espaços para explorar o contra ataque, Plata marca o seu primeiro gol com o Manto Sagrado para fechar o placar.

Com o apito final, a confirmação da suspeita. O nosso time joga para frente, assume os riscos e paga para ver. A perfeição nunca existirá, errar faz parte do esporte e o Flamengo parece entender isso muito bem.
SRN

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Rumo ao Penta - Ato 4

Estamos na final! Contra tudo e contra todos, chegamos na terceira final consecutiva da Copa do Brasil e estamos a dois jogos de confirmar o título. Do jogo de ida, trazemos um gol de vantagem, mas também a certeza de que tínhamos condição de fazer uma grande partida e de até aumentar a vantagem.

A escalação trouxe de volta os selecionáveis remanescentes da Data FIFA. Pulgar, Nico e Gerson se juntavam a De Arrascaeta no meio. Alex Sandro retornava à lateral esquerda, assim como foi no jogo de ida.

O começo do jogo foi protocolar. Os mandantes tentavam acelerar jogadas enquanto o nosso time procurava trocar passes fáceis, acelerando somente quando o adversário errasse algum posicionamento. Nesse ritmo, nosso adversário teve as duas primeiras bolas paradas do jogo, mas foi para o nosso lado que a primeira grande emoção veio. O gol de Alex Sandro foi anulado por milímetros, mas já avisava que o jogo seria mais apertado que essa unidade de medida.

Nossa pressão estava encaixada, nosso Prata da casa era obrigado a rifar bolas e ganhávamos as divididas subsequentes. O ímpeto inicial já havia cessado, o perigo se afastava. Até que, em uma bola curta, Bruno Henrique lê mal a jogada e acaba sendo expulso. A tranquilidade que ameaçou dar as caras deu certeza de que não viria jamais. Filipe Luís responde rápido, Gabriel cede espaço para Fabrício Bruno. O Flamengo coloca cinco jogadores na última linha, Arrascaeta era o mais avançado protegido pelo restante dos jogadores da Data FIFA.

Com o elenco quem o Flamengo tem, opções de ajustes não faltam. Opções válidas, agressivas ou defensivas, priorizando o meio ou a lateral. Mas somente Filipe Luiz tem o poder de tomar essa decisão e somente o campo pode julgar qual alteração é a certa ou a errada.

Nosso adversário já havia demostrado um interesse maior em construir pelas alas e essa mudança exigia mais de nossos volantes sobre nesses setores, mas em compensação, a área estaria bem preenchida. Voltando para o segundo tempo, as mudanças do nosso adversário povoaram também o corredor interno. Essa região preciosa do campo seria disputada até o final do jogo e estava na hora de ver se dez Flamenguistas teriam a capacidade de superar onze adversários.

O campo julgou e o campo decidiu. Diante do embate tático a qualidade técnica do Flamengo foi superior diante da vantagem numérica. Rossi precisou de grandes intervenções apenas duas vezes. Na primeira aos 15 minutos do segundo tempo, um atraso na cobertura exigiu uma grande defesa. A segunda aconteceu somente aos 42 minutos, quando um passe descuidado gerou um contra ataque e a finalização frontal foi seguramente encaixada. Nesse meio tempo, nosso pulmão também conhecido como Gerson, teve a chance de fazer o golaço da classificação, mas acabou tirando demais.

O apito final trouxe a classificação e o jogo trouxe a certeza que temos qualidade e coração o suficiente para superar qualquer adversidade. As finais da Copa do Brasil serão realizadas nos dias 3 e 10 de novembro. Até lá.
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SRN

domingo, 20 de outubro de 2024

Reencontro com a realidade

Doze dias se passaram desde que o Flamengo entrou em campo pela última vez. Naquela ocasião, os sentimentos eram de confiança e esperança. O reencontro com o campo trazia um rival carioca. Uma dupla com iniciais parecidas, mas distantes na tabela.

A escalação vinha cheia de desfalques por causa desse período. Arrascaeta e Plata tinham condições de alguma minutagem enquanto Gerson, Pulgar e Nico de la Cruz sequer foram ao banco. Léo Ortiz assume a volância, Alcaraz e Matheus Gonçalves completam o meio.

A bola rola e rapidamente se nota o perfil rubro-negro. A marcação alta e um desejo de controlar o jogo através da posse de bola. A primeira finalização foi do adversário, mas a primeira grande chance veio com Bruno Henrique. Mais chances foram criadas, principalmente pela marcação alta, no entanto depois da finalização de Alcaraz encontrar a trave, nosso rival abriu mão de sair por baixo e começou a apostar em bolas longas.

Entre divididas aéreas e rasteiras, entre 15 e 20 minutos, nosso rival consegue vencer várias vezes a disputa pela segunda bola e afasta o nosso time da área. O jogo esfria, mas não por muito tempo. Com algumas vitórias em bolas divididas, o Flamengo acelera para aproveitar o raro espaço nas costas da defesa e as laterais se provou como caminha mais efetivo para chegar a área. Com uma sequência de boas jogadas se viu um grande esforço do nosso adversário em bloquear nossas finalizações e evitar que o trabalho chegue no goleiro. O primeiro tempo ia se encerrando quando a grande chance do jogo aconteceu, junto com a grande defesa do Rossi. Uma defesa que mantinha viva a confiança e a esperança no resultado.

Esperança essa que foi afogada logo no início do segundo tempo. A falta de pressão no portador da bola, timing do bote errado e o desespero para correr para trás contra um time que buscava essa situação foi fatal, tão fatal que aconteceu novamente. Divididas consecutivas no meio-campo, um lapso de concentração e ataques rápidos contra a última linha logo depois de ganhar a bola.

Michael e Gonzalo Plata entram, mas somente com a adição de Arrascaeta e Alex Sandro é que o Flamengo volta a se organizar. Com 20 minutos restando de jogo, as poucas viradas de jogo encontravam coberturas rápidas e nossos cruzamentos não tinham um alvo ideal. O jogo se encerra do mesmo jeito que se apresentou depois do segundo gol, com tranquilidade para o nosso rival.

Agora estamos nove pontos atrás do líder, um ponto afrente da Pré-Libertadores e um confronto de extrema importância no horizonte.
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SRN

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Mais três pontos, mais confiança e mais esperança.

Faz um pouco mais de três semanas que enfrentamos esse mesmo adversário. Em uma diferente competição, em um contexto diferente. Mas emocionalmente, a proximidade e a importância desses confrontos cria um ambiente especial. Bom para a gente, que além de estarmos em melhor momento, eliminamos a equipe baiana naquela ocasião. 

Para o jogo de sábado, apenas uma alteração. Na lateral esquerda, Alex Sandro dá a vaga para Ayrton Lucas. Já nosso adversário teria um desfalque que nos conhece bem e que nos deixou ainda mais confiantes na busca pelo resultado.

Aos cinco minutos de jogo, ambas as equipes já haviam criado boas chances. Enquanto o Flamengo demorou 21 minutos para finalizar novamente, nosso adversário rondava nossa área e levava mais perigo nos lances de escanteio.

Fora os cruzamentos, nossa equipe se mostrou muito disposta em correr para trás e obrigar a equipe soteropolitana a recomeçar a construção. Sempre que reiniciava a construção, a nossa equipe tinha uma nova chance de colocar a pressão em prática. Quando Gabriel desvia de cabeça, a finalização não gera nenhum perigo para o goleiro, mas já se via o Flamengo ocupando muito mais o campo de ataque. Com mais liberdade para criar, Ayrton Lucas passa a ocupar um espaço mais avançado, confiando que a bola vai chegar.

Na direita, Wesley tenta a jogada, erra, briga, recupera e recicla a posse para Léo Ortiz. O camisa 10 da zaga aciona o camisa 10 do meio. Arrascaeta vê o facão de Wesley e coloca o menino para correr. Gabriel Barbosa fecha o primeiro poste, Bruno Henrique se posiciona para o passe atrás que recebe a bola e a finalização frontal acontece. A jogada estava tão correta que os Deuses do Futebol não iam se contentariam com a defesa e quiseram que o rebote caísse no pé de Ayrton Lucas que fechava o segundo poste.

O placar muda, o jogo não. Flamengo segue conseguindo mais vantagens no jogo e nem a mudança de lado é suficiente para recolocar o adversário na partida. O Flamengo segue colocando o goleiro adversário para trabalhar. Alterações acontecem de ambos os lados, mas nada consegue mudar o panorama do jogo. Até que aos 30 minutos do segundo tempo o nosso time realiza uma modificação tripla e a equipe perde um pouquinho o ímpeto ofensivo.

As divididas começaram a ficar equilibradas, a bola passa a girar menos a área adversária. De forma gradual, o emocional do jogo vai virando, apesar do risco do empate girar mais pelo folclore que pelo campo. Até os acréscimos, Rossi não havia sido exigido, mas o último susto veio e a finalização para fora só não trouxe mais alívio que o pênalti convertido por Charly Alcaraz depois do nosso menino maluquinho sofrer uma agressão.

A segunda vitória sob o comando de Filipe Luis veio, assim como o segundo jogo sem sofrer gols nessa nova forma de defender. Um Flamengo mais seguro, um Flamengo mais ofensivo, que mesmo ainda não estando perfeito de frente para a baliza, chega e cria chances.
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SRN

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Rumo ao Penta - Ato 3

Um fato novo, uma nova história, uma virada de chave. Os pretextos não interessavam mais, a semana começou com uma mudança de paradigma e a expectativa para o jogo de ontem era máxima. Esse era o contexto que o Flamengo se encontrava enquanto precisava manter um sonho possível. Quatro jogos separavam a nossa equipe do título da Copa do Brasil, mas só é possível jogar um jogo de cada vez e ontem era importante dar mais um passo.

A escalação apresentou algumas mudanças, em relação ao último jogo e ao último trabalho. Gabriel Barbosa voltava aos onze iniciais, enquanto Léo Ortiz retornava à zaga. Pode parecer surpresa para alguns, mas olhando os onze completos, não se viu nenhuma improvisação. Uma escalação descomplicada, mas sem perder a elegância. 

A saída de bola foi dada pelos visitantes, mas a nossa equipe não gostou disso. A pressão foi iniciada no primeiro momento e com quarenta segundos Arrascaeta rouba a bola. A triangulação com Nico e Gerson resulta em um cruzamento rasteiro, antecipado pelo goleiro adversário, mas já se notava a atitude que a nossa equipe teria nesse jogo. Outros dois fatores importantes foram previstos nessa jogada, o duelo entre nosso batalhão ofensivo contra nosso ex-jogador e a ansiedade desse goleiro em enfrentar o seu clube formador.

A primeira defesa difícil aconteceu aos três minutos, a segunda aos 16 e a terceira aos 30. Essa última seria para trazer o maraca abaixo, mas também traz um aspecto importante de um ajuste tático de Filipe Luis. As duas primeiras finalizações vieram de bolas roubadas na frente, mas logo depois da primeira, nosso técnico já avisou, o jogo era por fora. A terceira finalização já mostrava que o time tinha assimilado a instrução, mas a mais importante foi a finalização seguinte.

A jogada se inicia em uma cobrança de lateral do adversário. Pulgar dá o combate, Gerson arredonda e De la Cruz dribla e consegue espaço para a carregada. A jogada se direciona para o outro lado, expondo a fragilidade da linha de três volantes do adversário. Quando Bruno Henrique recebe, ele tem um leque de possibilidades, mas opta pela ultrapassagem de Alex Sandro por fora. Ao levantar a cabeça, ele vê uma área preenchida, três jogadores rubro-negros, mas ele vê algo mais vantajoso ainda. Uma antecipação do goleiro adversário em fechar o cruzamento, o canto estava exposto e a batida veio.

A nossa equipe se mantém no campo de ataque, pressiona e busca a finalização, mas nesse período, sem exigir a participação do goleiro adversário. Ainda assim, o primeiro tempo não se encerraria antes do nosso adversário dar a primeira finalização no jogo, um indício que nosso adversário poderia buscar o Gol de empate. Não foi o que o técnico adversário preferia. Para o segundo tempo, três alterações de jogadores e uma alteração tática. Três volantes virou três zagueiros e agora Bruno Henrique tinha um lateral mais descansado, mais jovem e mais protegido para bater.

Com a bola rolando, ainda se via fragilidades no meio-campo e ainda se via um Flamengo pressionante. Nosso adversário desejava voltar vivo para o jogo de volta e povoou a área, mas a mudança tática passou a exigir comportamentos diferentes da nossa equipe e nem sempre dava certo.
O jogo ficou mais aberto, a bola encontrou ambas as traves, mas nossa capacidade criativa era superior e continuamos exigindo grandes defesas do nosso ex-goleiro.

Nosso adversário esgotou suas alterações e agora, além de um time diferente do primeiro tempo, também possuía um meio-campo mais descansado. Pouco a pouco, nosso adversário foi ficando mais confortável com a bola. As entradas de Michael e Matheus Gonçalves renovam o fôlego, mas acabam não surtindo efeito no meio-campo. Até que acontece um escanteio, um bate e rebate e Léo Pereira precisa bloquear uma finalização em cima da linha. Mais alterações acontecem e o jogo se encerra.

Em um campeonato em que o resultado importa muito mais, voltamos para casa com um Gol de vantagem. Se for para falar de desempenho, temos mais perspectivas para o próximo jogo.
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SRN

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Jogar no Mengo tem que ter disposição!

O jogo era outro, o campeonato era outro, mas a dor ainda era a mesma. Uma frustração de uma temporada não desaparece em um dia e esse era o primeiro jogo do Flamengo depois da eliminação da Libertadores da América. Nesse contexto, o nosso time retornava ao Campeonato Brasileiro, um título que já parece tão distante, que a vaga para a próxima Libertadores começa a ser ameaçada. A escalação era mista, mas com qualidade suficiente para dar a resposta que o Flamengo precisava.

Com a bola rolando, parecia que o jogo de quinta ainda não havia acabado. Um nervosismo e uma vontade de acelerar na hora errada gerou um erro na saída de bola, logo depois de completar um minuto de partida. A finalização foi de longe e foi para a fora, mas a primeira mensagem do jogo não era boa. Em resposta, nossa bola parada ofensiva. David Luiz tenta duas vezes, depois de receber o cruzamento de Matheus Gonçalves, mas na terceira tentativa, ele joga para o meio da área. Léo Ortiz direciona para o Gol, já com o goleiro batido, o zagueiro adversário intercepta a bola no último momento.

O panorama geral do jogo era posto, teríamos o controle da posse de bola e jogaríamos contra um adversário fechado. Em contraponto, nossos erros de passe seriam punidos com contra-ataques. Sendo mais específico, existia um duelo específico que nosso adversário buscava explorar. A falta de maturidade, emocional e técnica, de Wesley permitia que ao ponta adversário encurtasse a marcação para uma dividida de corpo. Apesar de algumas perdas, nenhuma resultou em um gol sofrido e seu volume ofensivo foi apenas traduzido em finalizações de longe.

O primeiro tempo se encerrou com ar de nostalgia, mas não aquela boa. Mais uma vez a nossa equipe precisava fazer um Gol e mais uma vez falhávamos em exigir grandes intervenções do goleiro adversário. O segundo tempo retorna igual, sem mudanças de jogadores e sem mudanças na maneira que o jogo era jogado. Até que com 15 minutos, jogadores com maiores minutagens de titular entram em campo. Já na primeira oportunidade, participam de um lance minimamente promissor. Wesley ultrapassa por fora, o cruzamento vem sem sucesso. Arrascaeta briga, Alex Sandro recupera e gira para Bruno Henrique finalizar. 

O lance foi promissor, mas não voltou a se repetir. O Flamengo volta a circular a bola em seu campo ofensivo sem conseguir entrar na área adversária. Mais alterações aconteceram, Léo Pereira e Nico de la Cruz também são acionados para o jogo, mas, novamente, o primor técnico esperado desses jogadores não se concretiza em grandes chances.

Minutos iam se passando e nosso time seguia ocupando o campo de ataque. O cruzamento de Alex Sandro para Gabriel Barbosa explora um aspecto do jogo que nunca foi especialidade do centroavante. Quando se ocupa o campo de ataque e as combinações de passes não entram, a ansiedade manda jogar a bola na área e ver se a sorte nos sorri. O cruzamento de Léo Ortiz encontra Arrascaeta no segundo poste, ele alcança com o bico da chuteira para não perder a posse de bola. Depois de uma tabela com Alex Sandro, Gerson é acionado em um passe de retorno e rapidamente solta para de la Cruz. O Uruguaio manda a bola novamente para a direita, dessa vez para Wesley que dribla para o pé preterido cruzar a bola para área. A bola encontra, novamente, o capitão e segue em direção ao barbante.

Os três pontos foram postos na conta, mas as tentativas da equipe esbarraram na falta de criatividade no ataque. Ainda existem objetivos a serem alcançados e, pelo que foi demonstrado ontem, só a vontade não será suficiente.
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SRN

Um sonho a menos

A pior parte de sonhar é acordar. É sentir a frustração de que nossos desejos não são realidades. É esticar a mão para tocar em uma estrela e não encostar em nada. Ontem o sonho interrompido veio aos poucos, desde semana passada, como se jogassem um balde de água fria nos sonhadores que se recusavam a acordar.

Comparando à quinta passada, uma alteração foi feita nos onze iniciais. Léo Ortiz assume a vaga no meio-campo, como rogado por muitos. Preces essas que não chegaram ao campo, a opção do Léo Ortiz não foi o suficiente para quebrar a forte defesa uruguaia e, mais uma vez, o torcedor rubro-negro viu o seu meio-campo pouco criativo.

Com a bola rolando, houve um ímpeto de esperança. Uma jogada pela esquerda, um cruzamento para a área e Gonzalo Plata preenchendo a área para equilibrar o time. A finalização foi defendida, mas para um time que precisa fazer um gol, o começo era próspero. Preocupado em se defender, nosso adversário não nos pressionou alto, as dificuldades eram impostas da intermediaria defensiva para frente. Ainda assim, nossos zagueiros tinham certa liberdade para circular a bola por fora, nosso adversário facilitava esses passes, em contraponto, protegia a frente dos zagueiros.

O tempo foi passando, a bola foi girando e o começo animador foi comprimido pelos ajustes uruguaios. Nossa equipe ainda tinha o controle da posse de bola, mas não tínhamos o controle do jogo, fazíamos o que o nosso adversário queria. Terminaríamos o primeiro tempo com mais duas finalizações, nenhuma delas capaz de exigir uma intervenção do goleiro adversário. O sonho não havia sido encerrado, mas já estava ficando com cara de pesadelo.

O segundo tempo se iniciou sem alterações de jogadores. Tite escolheu dar mais 15 minutos para o seu plano de jogo inicial. Apesar de serem os mesmos onze inicias, uma coisa havia mudado, agora restavam menos 45 minutos para buscar o gol que empataria a somatória. Cada minuto que que passava, o nervosismo aumentava e o soar do alarme ficava mais próximo.

Depois de 15 minutos jogados sem fazer o goleiro adversário trabalha, as primeiras mudanças acontecem. Gabriel Barbosa e Wesley entram em campo. As alterações colocam o Flamengo em uma forma mais padronizada, mas também equilibrada, não respondendo ao nível de urgência que o jogo pedia. Urgência que foi muito mal assimilada depois das alterações. Nossa equipe confundiu velocidade com pressa e pela primeira vez no jogo, nosso adversário conseguiu ocupar o campo de ataque.

Minutos preciosos são perdidos e mais substituições acontecem. Ayrton Lucas entra para renovar fôlego, mas a entrada de Matheus Gonçalves e David Luiz que recoloca o Flamengo na direção do objetivo. David Luiz entra gesticulando e dando comandos e Matheus Gonçalves se movimenta, busca jogadas. Do pé dele vem a jogada que exigiu a segunda defesa do jogo. A finalização que deveria ter vindo mais cedo, se quisesse provar que as orações para São Judas Tadeu estavam chegando.

O jogo acabou e o nosso maior sonho se encerrou junto com o apito final. Ainda temos alguns dias de feira para terminar o ano. Será necessário muito trabalho para realizar algum sonho que existe, mas desde que o maior problema da temporada se apresentou, Tite parece não encontrar soluções dentro do elenco para fazer o Flamengo voltar a ser o melhor ataque do Brasil, fora os outros problemas que já foram levantados antes.

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SRN

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Golpe Físico, Resposta Mental: Maturidade e Juventude

Um jogador de futebol pode ter diversos talentos, alguns mais fáceis de se ver e outros mais difíceis. Alguns talentos são mais passíveis de interpretação do que outros. Dentre essas valências, é de conhecimento comum quatro grandes categorias: o técnico, o tático o físico e o mental. O drible, a agilidade, a inteligência, etc., cabem dentro dessas definições. Ao ver a escalação rubro-negra, notava-se uma grande ausência de experiência, com exceção de três ou quatro jogadores.

Com a bola rolando, a diferença física entre os dois times era notável. Não em quem era mais rápido, mas quem era mais forte. O primeiro gol nasceu assim. Allan não resistiu à dividida e foi ao chão, a bola sobrou e o chute veio forte. Sair atrás no placar é um golpe mental muito duro, é preciso ter maturidade para ser resiliente. E foi o que essa equipe teve. Dominávamos a posse de bola, mas nosso time não conseguia criar chances claras, a única defesa do goleiro adversário tinha sido quando o placar estava zerado.

Até que, com 24 minutos no relógio, o Flamengo se espaça na saída de bola. Alcaraz tem a visão para encontrar o espaço, Cleiton tem a coragem para dar o passe. Depois de conseguir conduzir de cabeça erguida, Charly coloca Matheus Gonçalves no mano a mano contra a defesa adversária. Nosso menino tem a ousadia para partir para cima e a técnica para realizar um drible curto e uma finalização primorosa. Uma combinação rara e que gera tantas alegrias. O primeiro tempo ainda não se encerraria sem antes proporcionar grandes chances para ambos os lados.

No retorno para o segundo tempo, ainda controlávamos a posse de bola, mas nosso adversário se mostrava mais incisivo quando podia atacar. Em uma dessas tentativas a equipe gaúcha consegue alterar o lado da jogada mais rápido que nossa defesa consegue se adaptar. Não conseguimos criar superioridade numérica, nosso sistema de coberturas é manipulado e por mais que o gesto técnico de Matheus Cunha não tenha sido o ideal, o oportunismo individual só foi possível devido a toda a sequencia de jogadas.

Novamente esse grupo de jogadores tinha sua resiliência testada, novamente eles precisavam retomar o placar, mas dessa vez, algo diferente aconteceu. Dentre as milhões de interpretações possíveis entre a dança de braços entre Carlinhos e seu marcador, a arbitragem e o VAR viram o suficiente para expulsá-lo. Agora o buraco ficava mais embaixo, recuperar o placar é difícil, com um a menos, mais ainda.

A marcação continuava alta, nosso time ainda tentava trocar passes e construir jogadas, mas a diferença numérica sempre se fazia presente. Pouco a pouco, essa escolha coletiva vai custando mais caro. Pouco a pouco nosso time vai ficando mais cansado e o jogo vai esfriando. A situação só piora quando as substituições acontecem. Uma dupla experiente e descansada se aproveita e sacramenta o terceiro gol. Um gol que resolveria o jogo, pela situação até ali.

Mas Evertton Araújo mostrou que não desistir faz parte da sua personalidade. Entre dribles, força e bravura, decide fazer tudo sozinho e realiza uma ótima carregada. Na hora da finalização, o goleiro adversário aparece, mas Felipe Teresa mostra que estrela não tem idade e faz seu primeiro gol como profissional. Não foi o suficiente para trazer o empate, mas serve para dar um pouco mais de esperança em dias melhores, manter a fé na molecada sempre é justo.

Um jogo que não trazia boa perspectiva antes mesmo de começar se confirmou, com pontos positivos e negativos, mas nenhum somado na tabela.
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SRN

domingo, 22 de setembro de 2024

O caldo começa a azedar

Meios de semana já possuem uma inquietação particular pelo costume eliminatório dos jogos. Em dia de Libertadores, é mais especial. É muito mais que projeto, que planejamento, é obsessão. Fomos de encontro a essa inquietação com apenas uma mudança, em comparação com o último jogo. Léo Ortiz dá a vez para Nico de la Cruz.

Com a bola rolando, algo coletivo superava o individual. A inquietação virou nervosismo e passe fácil ficou difícil. Aos oito minutos, um passe errado no meio campo pega toda a nossa defesa desprevenida. Inclusive Rossi, que já se posicionava fora da área. Sorte nossa que a bola não teve direção, mas sorte tem limite. 

O Flamengo ocupava o campo de ataque, por desejo dele, mas também por desejo do adversário. Plata tenta a jogada pela canhota, perde, briga e recupera. A bola gira até Pulgar, que tenta acionar Bruno Henrique no pivô, enquanto isso, Varela infiltrava pelo lado direito. A rebatida cai no pé errado, nosso único azar do lance. O passe veio de um volante, nossos dois laterais estavam próximos da última linha adversária. O campo estava aberto, com poucos jogadores para defender, o contra-ataque foi de manual e o placar estava aberto.

E só depois do placar aberto que conseguimos realizar nossa primeira finalização. A ansiedade vira impaciência e Fabricio Bruno, já na intermediária ofensiva, busca Bruno Henrique. Estava longe, a bola foi forte e Plata faz a bola beijar o pé da trave. Um lance que poderia descrever todo o jogo. Uma defesa alta, cruzamento na área e um sentimento de "poderia ter sido Gol" depois da tristeza lampejar.

A incapacidade de empatar no lance seguinte trouxe ainda mais nervosismo e somente no final do primeiro tempo fomos testar o goleiro adversário novamente. Em uma rara oportunidade de aceleração, Gerson acha Arrascaeta fingindo ser ponta direita. O cruzamento foi preciso, o alvo era o ideal, mas o zagueiro adversário consegue atrapalhar o suficiente para a cabeçada não ter muito perigo. Perigo teve quando Arrascaeta buscou o canto inferior, ou quando Plata achou Gerson perto da marca do pênalti. Nenhuma das finalizações trouxe alívio para a torcida e o primeiro tempo se encerrava.

O segundo tempo se iniciou e apenas uma sutil alteração era feita. Wesley por Varela é uma opção explicita pelo volume ofensivo, mas a primeira jogada do segundo tempo ainda trazia resquícios de inquietação, dessa vez traduzida de receio. Nossos defensores trocam passes laterais por um minuto até Alex Sandro realizar uma carregada e alçar uma bola longa visando Wesley na ponta direita. Em momento algum Flamengo buscou entrar no bloco adversário. Mesmo a jogada envolvendo dois laterais no plano ofensivo, Alex Sandro dá o passe e já se reposiciona, enquanto Nico e Gerson se aproximavam do Wesley para disputar a segunda bola.

Pelos pés desse rapaz, inclusive, que saíram as melhores chances do segundo tempo. Todas elas passando pelos pés de Bruno Henrique também. Seja depois de dois passes particulares ou depois de duas carregadas. Nenhuma delas foi capaz de superar o goleiro adversário e nem capaz de incendiar o jogo. Outras substituições também aconteceram, mas a inquietação também se mostrou presente em quem vinha do banco. Seja em erros de passes bobos ou bolas longas com muita força.

Jogar o primeiro jogo em casa na Libertadores traz uma responsabilidade muito grande. Nosso adversário é qualificado, tem camisa. É necessário jogar a ansiedade para o outro lado. Um elenco bicampeão da Libertadores deveria ter mais facilidade em lidar com essa ansiedade, com essa responsabilidade. Não vimos um time com essa compostura, vimos um time incapaz de solucionar os problemas que o jogo pedia.

Os últimos 30 dias não têm sido muito felizes para o nosso time. Entre lesões e reposições, nossa equipe passa pelo momento mais difícil da temporada e a sensação de hoje é que tem algo azedo nesse prato. Talvez dê para salvar algum ingrediente, talvez a temporada termine na lama.
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SRN

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Maturidade para fazer, maturidade para manter.

Agora classificado e a quatro jogos de um título, o Flamengo retorna ao Campeonato Brasileiro, onde necessitamos de um número maior de vitórias para sermos campeões. Nossos onze titulares apresentavam duas estreias, Alex Sandro e Gonzalo Plata vestiam rubro-negro pela faixa canhota. Léo Ortiz parece ter tomado conta da volância e Bruno Henrique liderava o ataque novamente.

O jogo começa brigado, enquanto os pulmões estavam limpos e a confiança em alta, nosso adversário ganhou divididas e alguns escanteios, até que os estreantes resolveram aparecer. Plata preenche a área e Alex Sandro faz a jogada, a finalização vai para fora, mas começa o jogo ofensivo da nossa equipe. Luiz Araújo também finaliza uma jogada, mas o azar das lesões ainda assombra nosso vestiário e De Arrascaeta entra em seu lugar.

Até os 31 minutos de jogo, o Flamengo pressionava, conseguia a bola, trocava passes e criava chances. Na melhor ocasião, o goleiro adversário impediu que Pulgar fizesse o gol que poderia lhe devolver a confiança. Ainda assim, nenhuma chance foi tão particular quanto a que criamos quando roubamos a bola no campo de ataque. Com um histórico de fazer gols difíceis, Arrascaeta ficou em choque quando se viu sozinho com o goleiro e o passe atrás não favoreceu a finalização. Um lance clássico para pessimista fazer a festa e soltar aquele famoso "Esse jogo vai ser zero a zero".

O jogo, não, mas o primeiro tempo foi. Na volta para o segundo tempo o Flamengo se mostrava um pouco mais incisivo, mas com as mesmas características do primeiro tempo. Quando era pressionado, saia por baixo em velocidade, mas também afundava o bloco defensivo adversário quando podia. Aos 16 minutos somos pressionados, mas Arrascaeta consegue se livrar da marcação e acha um bom passe em profundidade, a finalização de Bruno Henrique belisca o pé da trave. Aos 23, nosso adversário se fecha, mas Gerson e Giorgio trocam passes para Alex Sandro ter tempo e espaço para jogar na área. Wesley e Carlinhos estavam presentes, mas Léo Ortiz acerta a trave. O gol estava ficando maduro.

Até que aos 26 minutos, Plata tenta uma arrancada, mas é fechado, o passe de recuo da tempo para Ortiz fazer o que sabe. Wesley rompe em velocidade e o passe coloca o cinco flamenguistas atacando quatro defensores. A dinâmica dentro-fora acontece, Arrascaeta recebe na zona mais perigosa, atrai a marcação e dá espaço para Gerson se equilibrar e só tirar do alcance do goleiro adversário. Um gol que já estava sendo ensaiado há muito tempo.

Mas que teve de maturidade para fazer o gol, faltou para controlar o jogo. Nossa equipe continuou atacando com o mesmo ímpeto de antes, correndo os mesmos riscos. Poderia ter feito o segundo, poderia ter tomado o empate. Levamos o empate com gosto de derrota.

Em uma rodada nada agradável, somamos um ponto nessa maratona e ainda estamos com um jogo a menos, mas precisamos mesmo é de uma boa sequência para retornar a briga pelo Campeonato Brasileiro.
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SRN
 

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Rumo ao Penta - Ato 2

Retornemos da Data FIFA após onze dias. O final de jogo melancólico deixou um gosto amargo depois de uma sequencia não tão saborosa. O cenário para o retorno trazia um ótimo potencial. Uma eliminatória, um jogo em casa, um placar que já nos favorecia, mas também um adversário que já nos apresentou algumas dificuldades.

Para finalizar a sequência que começou no dia 20 de Junho, o jogo de Outubro pouco importa agora. A escalação de Evertton Araújo vem para solucionar um problema que existe hoje, um problema que exige mais do que um jovem pode oferecer e por isso, Léo Ortiz é sua dupla. Uma escolha de volantes bem peculiar para o momento. Mas, para fazer um bom jogo, é preciso conhecer bem a receita da função, do mesmo jeito que é bom saber o passo a passo antes de fazer um pudim.

Quando se coloca o pudim em banho-maria, o objetivo é evitar que o pudim aqueça demais. Se queimar, o amargo vai aparecer no lugar do doce. Como nosso adversário tentou fazer aos cinco minutos de jogo. Conhecemos bem o xará do nosso jovem titular, com um espaço que já havia sido visto em outros confrontos, ele tentou subir a temperatura do jogo.

Não era algo que o Flamengo queria, nossa equipe tinha que manter o controle da partida. Depois do susto, Gerson obriga nosso adversário a fazer a primeira defesa do jogo. Em uma jogada não tão trabalhada, em uma finalização não tão boa, mas de um jeito ou de outro, o Flamengo começava a impor a sua estratégia. Seja na cabeçada de Léo Pereira, ou na assistência interceptada de Luiz Araújo, ou na melhor chance do primeiro tempo. Bruno Henrique finaliza na pequena área depois do bate e rebate. O placar zerado nos classificava, mas se fosse para sair um gol, ia ser rubro-negro.

O Juiz apita e muda os lados, o que não mudou, foi o ritmo do jogo. Aos seis minutos, Bruno Henrique segue sozinho, contra 4 adversários, descola uma finalização precisa e ganha o escanteio. A partida seguia em banho-maria, com a temperatura controlada.

Nesse ritmo nossa equipe consegue contornar a pressão adversária e Léo Ortiz consegue levantar a cabeça para fazer o passe vertical. O destino era Arrascaeta, a bola é interceptada, dando uma dose de aleatoriedade a jogada. Quando a bola retorna aos seus pés, ele toma a decisão de quem prefere jogar para frente do que para trás. Bruno Henrique tem a velocidade para ganhar do zagueiro e faz a jogada para Arrascaeta apenas escorar para o Gol. Ainda não era hora de tirar o pudim do forno, mas, naquela altura, já havia a sensação que não tinha mais o que errar.

Com a segurança do dois a zero e com o controle da partida, nosso adversário já não tinha ferramentas para buscar o jogo. Nem as quatro substituições até os 25 minutos mudaram o ritmo do cozimento. Para a nossa equipe, restou apenas fazer substituições protocolares e esperar o apito final.

Com a classificação, ficamos um passo mais do tão sonhado Penta. Mais uma eliminatória sem sofrer gol, mais um jogo em que a maturidade do elenco faz a diferença.
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SRN

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Dois terços jogados e uma ambição virando imaginação

Detalhes não perdoam, um mero domínio errado acarretar a queda de diversos outros dominós. O Flamengo enfrenta um difícil período da temporada e se preparava para enfrentar um adversário que estava desesperado por três pontos. Pedro retornava ao comando de ataque e Ortiz permanecia na volância. Escolhas que apenas o técnico pode tomar. Além da escalação, as valências e dinâmicas que irá explorar e quais defeitos tentará esconder.

Com a bola rolando, o nosso adversário apresentava a sua saída com três zagueiros e com isso, o Flamengo subia um ponta para se juntar a Gerson e Pedro, que eram nossos jogadores mais avançados. Uma postura agressiva, mas bem lida pelo nosso adversário. Em uma das primeiras oportunidades que o mandante teve de sair por baixo, girou a bola para o zagueiro, Bruno Henrique subiu a pressão, mas com dois passes ensaiados, o lateral adversário recebia a bola sem marcação. Na tentativa seguinte, Pulgar leu a intenção e cortar o segundo passe de carrinho evitando a jogada adversária. A leitura coletiva havia sido feita, mas a intenção do adversário permaneceu. Sempre que pode, eles buscavam as costas do nosso ponta para superar nossa pressão.

Entre tentativas e ajustes, o ponta esquerda deles flutua até lado direito para fazer superioridade numérica. Ele ganha a dividida, mas apesar do passe não ter sido perfeito, a jogada entra. Nosso time tem as costas expostas e todos os jogadores precisam correr para trás e se reposicionar. O atacante adversário consegue ganhar a jogada, novamente contra David Luiz e cruza no segundo poste. Aquele mesmo ponta que ganhou a dividida lá atrás finaliza. O placar estava aberto, e nossa equipe precisaria remar mais do que havia feito até agora. 

Não é segredo que o Flamengo está tendo dificuldade para criar jogadas depois que perdeu seus dois jogadores mais criativos. Ainda assim, as ausências de Arrascaeta e Everton Cebolinha não deveriam fazer tanta falta para uma equipe como o Flamengo. Ontem tivemos uma brecha de esperança, o retorno do Pedro. Nosso artilheiro sai da área para fazer a jogada com Luiz Araújo que arrastou a marcação dando a oportunidade para Varela atacar aquele espaço. Mesmo com nosso especialista se reposicionando, o Flamengo preencheu a área e a opção pelo cruzamento foi escolhida. O cruzamento foi interceptado pelo braço, o pênalti era marcado. A recompensa para o nosso centroavante que aparece para o time quando o time precisa.

O primeiro tempo se encerra mas para o segundo Alcaraz entra  no lugar do amarelado Pulgar e já no primeiro lance mostra como pode ser útil ao time. Dá combate, rouba a bola, conduz, tabela e quase dribla nosso ex-goleiro. Talento, o argentino tem. O que não tem ainda, é entrosamento com a equipe, mais precisamente, conhecimento no nosso sistema de marcação. Em uma jogada, a bola girou para direita, pressão encaixou e obrigou o adversário a girar a bola para esquerda. Enquanto a virada acontecia por baixo dava para ver Pedro e Gerson reclamando que nenhum volante subiu para cobrir as costas deles e como previsto, a bola entra no meio e permite que o jogador adversário conduzisse de cabeça erguida. Nossos volantes preferiram apoiar a última linha que recuou defendendo o espaço a suas costas e assim nosso adversário ganhava campo.

Já não tínhamos controle do jogo e estávamos perdendo o controle do campo, não demorou para ficarmos atrás do placar. Agora precisando jogar contra o relógio, Tite realiza alterações, renova fôlego ao mesmo tempo que retira jogadores com risco de lesões mais sérias. Mas nosso adversário demonstrou estar muito consciente das táticas necessárias para vencer o jogo e nada melhor que "furar a bola" para segurar o resultado, figurativamente e literalmente. Caindo na pilha adversária, até briga rolou. Se acharam três cartões vermelhos e um amarelo na confusão, mas não achamos nenhum gol, que era mais importante.

Entramos nessa Data FIFA com 4 vitórias e 5 derrotas nos últimos 10 jogos. Além das lesões, defeitos antigos e novos para serem debatidos pela comissão técnica.
E vamos para mais.
SRN

domingo, 1 de setembro de 2024

Rumo ao Penta - Ato 1

Desde que foi feito o sorteio dos confrontos na Copa do Brasil, tínhamos em mente, mais ou menos, como poderia ser o caminho até a sonhada final. Uma certeza era o adversário e junto com ele a lembrança de um jogo que não foi tão fácil, apesar do triunfo. No dia 20 de junho, estávamos no Maracanã e naquele mesmo jogo, não conseguimos ter o domínio da posse de bola. Ontem foi em Salvador, mais um motivo para eles quererem esse domínio.

Assim como dia 20, Léo Ortiz jogaria de volante, mas apenas Luiz Araújo se manteria no quarteto ofensivo. Nico e Gerson teriam mais funções ofensivas se juntando com Bruno Henrique novamente jogando no comando de ataque. Um quarteto de muita pressão sem bola, todos os quatro conseguem encurtar bem a distância para o seu marcador e gostam de enfrentar esses duelos.

Com a bola rolando, Tite muda um pouco nosso sistema de pressão. Ao invés de subir um volante entre os pontas para fazer um bloco de 5 pressionantes, ele recua o segundo atacante Nico para trás do Bruno Henrique deixando apenas 4 jogadores para pressionar a saída. Tirar a responsabilidade dos nossos volantes em pressionar facilitava a saída deles, em compensação, tínhamos sempre mais jogadores defendendo a defesa. O Flamengo acabou cedendo a posse, mas não cedeu perigo no primeiro tempo, a única defesa de Matheus Cunha foi em um chute de longe que saiu fraco. Aos 28 minutos, Tite inverte Luiz Araújo e Gerson. A mudança não ganha o controle do jogo, mas coloca Luiz Araújo para vigiar o lateral direito mais de perto.

O segundo tempo começa, o lado de campo vira, mas a alteração tática permanece. Com Gerson no lado direito, Varela ganha mais poder de associação e ultrapassagem. Quando tem a bola no pé, nosso time começa a explorar mais aquele lado. Após troca de passes rápidos entre Nico e Gerson, nosso coringa acha o Varela aberto. O cruzamento sai rasteiro, talvez apostando na velocidade de BH para antecipar, mas esse não é o cruzamento de que o Bruno Henrique gosta. De la Cruz fica encarregado da cobrança de escanteio e, aí sim, vem a batida que o BH gosta. Uma fatiada, sem peso, perfeita para quem tem tempo de bola e impulsão que só ele tem.

Abrimos o placar, mas ainda havia um segundo tempo inteiro pela frente. Com apoio da sua torcida, nosso adversário passou a tentar mais o jogo por dentro, mesmo sabendo que tínhamos dois volantes priorizando esse setor. Depois de uma rebatida parcial, dois ex-flamenguistas exigiram a grande defesa do jogo. Matheus Cunha cresce para cima do outro garoto do ninho para fechar o gol. Nosso goleiro ainda apareceria mais uma vez para fazer sua última defesa no jogo, mas o jogo não acabaria em alguns sustos.

As mudanças começaram a acontecer, Michael e Evetton tentam renovar o fôlego da equipe. A essa altura da temporada, com as lesões que temos, pouco se pode exigir desse banco além de pulmão. Como esperado, o jogo não muda e a renovação de fôlego do adversário se torna mais efetiva pelo controle do jogo. Os cruzamentos começam a ser mais frequentes, nossa principal fragilidade começa a ser testada, mas nenhuma encontrou o gol. O último susto se deu pela lesão no nosso xodó. Michael sofre depois de uma dividida e agora fica o sentimento de que precisamos de reforço para o nosso reforço.

O árbitro encerra o jogo, mais um jogo eliminatório sem sofrer gol. Foram dois nos últimos cinco jogos, mas nenhum desses gols sofridos mudou a classificação. Ainda há 90 minutos por jogar, em nossa casa.
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SRN

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

A necessidade de um xodó em dias frios e chuvosos.

Chuva e frio não combinam com o Rio de Janeiro, nem com o Flamengo e nem com o Maracanã. O horário deixa o ambiente até mais estranho para um jogo de final de semana. Mas o jogo precisa ser jogado, com desfalques ou não. A improvisação da vez foi na lateral esquerda. Ortiz retorna para a zaga e joga Pereira para a lateral canhota. Na frente, Bruno Henrique entra como centroavante de movimentação.

Com a bola rolando, as escolhas se fizeram presentes tanto no ataque quanto na defesa. O zagueiro improvisado sentiu o início do jogo. A nova função o colocou fora de posicionamento e foi a principal falha explorada pelo nosso adversário no começo do jogo. Com a bola no pé, a diferença se dava pelas características individuais. Léo Pereira não tem a capacidade de condução e atacar que Ayrton Lucas tem, mas compensou com bons passes e viradas de jogo. Pouco a pouco, o Flamengo foi entrando no jogo, pouco a pouco, foi ganhando campo.

Já no campo de ataque, uma outra dificuldade poderia ser apresentada. Além da falta de jeito na função, a falta de entrosamento com nosso antigo xodó. Michael sempre foi caracterizado pela imprevisibilidade e pouco tempo de treino com alguém de fora da posição poderia complicar o nosso jogo. Outro fator agravante era Bruno Henrique, que por mais que trouxesse um mínimo entrosamento prévio de outro momento, jogava também improvisado.

Com a bola rolando, a complicação não existiu no primeiro tempo. Michael retorna ao Flamengo muito mais maduro e consciente do que saiu. Nosso menino maluquinho soube muito bem equilibrar as subidas de Léo Pereira, dando mais fluidez pelo lado esquerdo e também se apresentou à área quando Bruno Henrique ocupava a ponta esquerda. Ao todo, o Flamengo apresentou um quarteto ofensivo de muita mobilidade, dando muitas opções para nosso jogadores recuados, mas, em compensação, perdeu presença de área.

No próprio lance do gol esses fatores são explícitos. O Primeiro cruzamento, de Léo Pereira, vai atrás, não havia ninguém atacando a última linha adversária. A bola ainda é nossa e o passe de Pulgar gera mais uma rebatida da defesa. Até que sem demora, Luiz Araújo joga a bola novamente para a área. Apenas quem tem o coração quente poderia abrir o placar em uma noite atípica. O robozinho sente que o time precisava atacar aquele espaço e aproveita. Para provar que não era acaso, Michael quase fez o segundo se aproveitando do mesmo espaço, mas mais uma vez o goleiro adversário cresce contra o Flamengo e evita que o primeiro tempo virasse com uma vantagem maior.

Retornando ao campo com os lados trocados, nosso adversário faz uma alteração que coloca o time mais à frente. Chances são criadas para ambos os lados, mas esse tipo de jogo não favorece quem está afrente do placar, principalmente se sua equipe tem um defeito crônico nas bolas paradas. Mais uma vez essa falha é exposta, mas igual a La Paz, esse defeito não custou o resultado.

A jogada da vitória retrata muito bem um velho ditado do futebol: O atacante só precisa acertar uma para fazer o gol, o defensor só precisa errar uma para levar o gol. Depois de uma boa virada de Allan, Gerson aciona nosso jogador que mais tenta jogadas. Luiz Araújo já havia entregado uma assistência nesse jogo e obrigado o goleiro adversário a fazer boas defesas. Sem bola, ele corre, divide e ajuda a equipe da maneira que pode. O drible seco apenas consagra o jogador pelo folclore da posição, o Gol recompensa pelo esforço. Na súmula é marcado como contra, mas recompensa aqueles que forçam a defesa adversaria à perfeição, aguardando o único erro para fazer o gol.

Depois de três rodadas, voltamos a somar três pontos. Depois de apenas uma vitória nos últimos seis jogos, o triunfo de ontem traz um pouco mais de tranquilidade para a única equipe do G4 que pode ser campeã dos três maiores títulos da temporada.
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SRN
Quando a falta de ar vem, a perna cansa. Quando se tem 10 jovens no banco, o risco é altíssimo. Tão alto quanto La Paz. Não existe técnica que resista à altitude e nossa equipe estava com opções estratégicas limitadas. A opção de Léo Ortiz dava uma alternativa de se adaptar ao jogo. De volante, propõe um combate mais avançado e retém mais a posse de bola. Mas se o adversário abusasse dos cruzamentos, ele viraria zagueiro e povoaria a zona mais perigosa do jogo.

A marcação começa em bloco médio, mas em alguns momentos específicos o Flamengo subiu para tentar roubar a bola perto do gol adversário. Quando se tem pouca perna e pouco ar, tem que se escolher bem os momentos que se vai usar. Ao mesmo tempo que marcar naquela altura pouparia um pouco o fôlego do jogo, também desafiava nosso adversário a criar por baixo, evitando bolas longa e diminuindo o senso de urgência.

Em um intervalo de quatro minutos ambos os times criaram suas melhores chances no primeiro tempo. Primeiro Rossi faz uma intervenção que poderia ter sido muita mais complicada. Pelo lado rubro-negro, Gerson não consegue sustentar o duelo físico e tem sua finalização prensada. O primeiro tempo se foi sem ter mais grandes jogadas e ter virado com o placar zerado foi uma pequena conquista da nossa equipe.

O Flamengo volta para o segundo tempo sem alterações, mas com dois minutos e meio de atraso. Dois minutos e meio a mais em máscara de oxigênio. Com menos de um minuto, aqueles que não sentem a altitude deram a primeira finalização no segundo tempo. Uma clara demonstração que o nível de urgência mudou. Depois da defesa, Rossi fala algo para a bola. Eu não sei fazer leitura labial em espanhol, mas parece que a bola gostou do que ouviu.

Aos seis minutos, Ayrton Lucas fez o que faz de melhor. Cria uma jogada carregando a bola, entra na área com sobras, equilibrado, mas a finalização sobe e o que poderia ter sido o gol da classificação nos escapa. Em jogos eliminatórios, uma equipe do nível do Flamengo precisa guardar, pelo menos, uma das chances criadas até ali. Altitude sempre será um fator importantíssimo em qualquer jogo acima de dois mil metros, mas existem outros fatores também, e nossa equipe não conseguiu trazer a tranquilidade para esse jogo.

Muito pelo contrário. Após uma boa condução, o ponta adversário já recebe a bola com a marcação quebrada, faz a fila e finaliza no travessão. A torcida se empolga, até demais, mas perceberam que faltava "Libertadores" no time mandante. Depois de criar chances por baixo, se utilizando de bons posicionamentos, boas tomadas de decisão e bons passes, a alternativa era o chuveirinho. O cruzamento encontra o camisa 10 deles, mesmo Rossi tocando na bola, não evita o Gol adversário.

23 segundos depois do reinicio do jogo, os mandantes conseguem uma boa finalização que Rossi espalma para escanteio. As cobranças curtas viraram cruzamento e a saída por baixo viraram bolas longas. O abafa estava oficialmente decretado e nosso melhor candidato a herói também. A nossa equipe até consegue girar um pouco a bola, cavar algumas faltas e esfriar o clima do jogo. Mas as alterações adversarias deram mais que um fôlego extra, elas reorganizaram o time adversário, colocando mais um jogador atacando nosso bloco defensivo. 

Vendo o time cair fisicamente e também o adversário colocar mais jogadores no ataque, nosso técnico responde com uma alteração dupla. David Luiz e Bruno Henrique entram, dando mais segurança contra as bolas aéreas e uma opção mais descansada para contra ataque. Gerson ficou centralizado para tentar reter um pouco a bola, mas já tava esquisito, segundo ele mesmo. Evertton entra e o Flamengo aceita uma estratégia única para o jogo, sobreviver. Se a Bola quiser, um contra ataque.

O contra ataque só veio depois que Rossi já houvesse feito duas grandes defesas. Exigir muitas defesas do próprio goleiro nunca é bom, mas o jogo é jogado e nenhuma equipe é perfeita. Sendo assim, os grandes goleiros aparecem nos grandes momentos e ontem, Rossi foi aquilo que o Flamengo precisou. Entre intervenções aéreas, desvios e defesas seguras, o argentino honrou o manto dourado de Raul Plassmann e Diego Alves. A expulsão veio só para dar um descanso para o jogador da partida.
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SRN